Pesquisas

Resumo de minha pesquisa de mestrado em Educação na PUC-Rio 

Segundo os teóricos das abordagens cognitivas mais recentes, o cérebro não é o único componente a formar a mente: o ambiente e o corpo também são elementos essenciais a essa composição. O filósofo Andy Clark vai além, já que, para o autor, a mente se estende pelas tecnologias, artefatos não-biológicos que passam a fazer parte desse sistema chamado mente. Ao agirmos no mundo, o modificamos; ao modificá-lo, ele também nos transforma. De maneira semelhante se dá a nossa relação com as tecnologias.

A perspectiva de conectar mente e corpo e de trazer o olhar da influência do ambiente externo às funções cognitivas humanas opõe-se ao cartesianismo moderno, que os separava. Enquanto o sujeito cognoscente moderno não teria participação alguma do corpo ou do ambiente em seus processos cognitivos, o sujeito cognoscente situado e corporificado – ao menos segundo as teses mais fortes dentro do cenário dessas abordagens – caminha para superar esse dualismo. Clark é considerado um dos principais estudiosos contemporâneos da cognição, com a particularidade de focar na relação entre a cognição humana e as tecnologias, especialmente as digitais. Esse conjunto de características o torna um pesquisador capaz de trazer grande contribuição ao fazer-pensar educação no século XXI.

O trabalho de Clark sobre a mente tem dado origem a um grande número de pesquisas relacionadas, que dialogam com suas ideias, abrem novas frentes e mantêm vivo o debate. Entre as contribuições da perspectiva de Clark e sua teoria da Mente Estendida para o fazer-pensar educação neste século estão questões como, por exemplo, aquelas em torno dos estímulos ou proibições ao uso de tecnologias de auxílio à aprendizagem, como calculadoras, celulares, computadores. Para Clark, somos todos ciborgues naturais; com cérebros que preveem, somos seres acoplados ao mundo que se beneficiam dessa relação para ampliar suas capacidades cognitivas; até mesmo os gestos feitos com as mãos para realizar cálculos, assim como o papel e o lápis que auxiliam nas contas maiores, são considerados por Clark tecnologias cognitivas, extensões da mente.

Em relação ao uso da inteligência artificial na educação, por meio de plataformas de machine learning, segundo as premissas da Mente Estendida é provável que as plataformas adaptativas possam ser eficientes apenas caso sejam vistas como extensões, e não como substituições. Ao colocar máquinas de inteligência artificial no centro da educação sem antes conseguir trazer o corpo e o ambiente de forma mais significativa para a educação, lembrando que são partes efetivas e indispensáveis à cognição humana, talvez incorramos no risco de que os alunos continuem a ser vistos como sujeitos “desprendidos”, como seres que trabalham na base de computação, sendo considerados, enfim, como máquinas – justamente o que filósofos como Rubert Dreyfus, Maurice Merleau-Ponty e o próprio Clark refutam.

Resumo de minhas colaborações ao E-Minds Lab da Universidade de Coimbra

Robô em laboratório do ISR – Institute for Systems and Robotics Universidade de Coimbra

Os chamados 4Es da cognição – embedded, enactive, embodied e extended – são novas abordagens investigativas da cognição humana, as quais, ao menos em suas teses mais fortes, desafiam a tradição de separar mente e corpo, instituída pelo cartesianismo. Essas abordagens sugerem incorporarmos ambiente e tecnologias ao nosso aparato cognitivo, além de considerarmos a presença das emoções nos processos cognitivos.

De que maneira as pesquisas realizadas em laboratórios são afetadas por esses novos enfoques filosóficos nos 4Es? Quais os questionamentos que essas vertentes trazem, e quais os caminhos que indicam para uma compreensão mais ampla de nossas capacidades de perceber, agir, raciocinar, e de nos relacionarmos com as tecnologias neste século XXI? E de que modo a nossa relação com as tecnologias digitais provoca mudanças em nossos sistemas cognitivos?

As pesquisas realizadas para o E-Minds Lab procuram aprofundar esses pontos, em linha com as implicações educacionais, psicológicas e jurídicas geradas pela relação humano-máquina.