{"id":1384,"date":"2020-07-29T22:36:50","date_gmt":"2020-07-29T22:36:50","guid":{"rendered":"http:\/\/camilaleporace.com.br\/?p=1384"},"modified":"2020-08-05T21:03:03","modified_gmt":"2020-08-05T21:03:03","slug":"inteligencia-artificial-inteligencia-emocional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/2020\/07\/29\/inteligencia-artificial-inteligencia-emocional\/","title":{"rendered":"Intelig\u00eancia Artificial &#038; Intelig\u00eancia Emocional"},"content":{"rendered":"\n<p>Anotei e trago aqui alguns pontos interessant\u00edssimos do debate que assisti nesta quarta, 29 de julho, com a pesquisadora em IA e \u00e9tica\u00a0<a href=\"http:\/\/www.iea.usp.br\/pessoas\/pasta-pessoad\/dora-kaufman\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"\ufffcDora Kaufman (opens in a new tab)\"><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/feed\/#\" target=\"_blank\"><\/a>Dora Kaufman<\/a><a href=\"http:\/\/www.iea.usp.br\/pessoas\/pasta-pessoad\/dora-kaufman\">\u00a0<\/a>e o CCO da Figtree, Ricardo Figueira, sobre intelig\u00eancia artificial e intelig\u00eancia emocional. O debate rolou no Instagram do Clube de Cria\u00e7\u00e3o (@clubedecriacao).<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Voc\u00ea quer usar<strong>&nbsp;tecnologias de IA<\/strong>&nbsp;na sua empresa\/no seu neg\u00f3cio, num empreendimento, num sistema de ensino? Pense no problema que voc\u00ea precisa resolver, antes de pensar na tecnologia. Isso vale para qualquer tecnologia: ela vem para ajudar a resolver alguma quest\u00e3o, dificuldade etc. \u00c9 preciso um prop\u00f3sito, sempre! Super concordo com isso. Precisamos sempre refletir e analisar aquilo que precisamos resolver para, ent\u00e3o, tomar uma decis\u00e3o sobre qual tecnologia escolher ou desenvolver. J\u00e1 passei por diversas situa\u00e7\u00f5es em que foi preciso relembrar os envolvidos no projeto acerca disso. A IA, da mesma forma, \u00e9 atraente e tem muitas utilidades, mas \u00e9 preciso pensar para que se quer utiliz\u00e1-la, e ent\u00e3o tomar uma decis\u00e3o.<\/li><li>A IA n\u00e3o \u00e9, portanto, uma decis\u00e3o da TI de uma empresa: \u00e9 preciso mudar a cultura. E \u00e9 o&nbsp;<strong>prop\u00f3sito&nbsp;<\/strong>que impulsiona a transforma\u00e7\u00e3o digital de uma empresa. Cada neg\u00f3cio tem a sua necessidade e traz diferentes necessidades de usos de tecnologias. A cultura s\u00f3 muda a partir da\u00ed. Vivi bastante isso quando trabalhei num grande jornal que estava implementando a sua transforma\u00e7\u00e3o digital, por exemplo. N\u00e3o me refiro particularmente ao uso da IA, que n\u00e3o era o foco da empresa, mas de tecnologias digitais em geral, que foram alvo de muita resist\u00eancia por parte de funcion\u00e1rios e at\u00e9 gerentes. A cultura, se emperrada n\u00e3o traz transforma\u00e7\u00e3o.<\/li><li>Por tr\u00e1s das grandes empresas de tecnologias est\u00e1 a IA: Google, Amazon etc. O modelo de neg\u00f3cios delas \u00e9 a intelig\u00eancia de dados, e os modelos de IA s\u00e3o usados para extrair informa\u00e7\u00f5es para a cria\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os mais adaptados a seus p\u00fablicos. Desse modo, a IA permeia diversas solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas que&nbsp;<strong>j\u00e1 est\u00e3o entre n\u00f3s<\/strong>;<\/li><li>A tecnologia dos&nbsp;<strong>bots\/chatbots&nbsp;<\/strong>\u00e9 a mais popular entre as empresas hoje (ex. a&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/banco.bradesco\/inovacao\/bia.shtm\" target=\"_blank\">IA Bia do Bradesco<\/a>). Mas as pessoas, segundo pesquisas, n\u00e3o gostam de se relacionar com m\u00e1quinas e sim com pessoas (mesmo que humanos falhem mais!). Isso aponta para uma quest\u00e3o cultural. Um exemplo dado por Kaufman foi o do Jap\u00e3o: devido \u00e0 cren\u00e7a no animismo (segundo a qual objetos tamb\u00e9m t\u00eam esp\u00edrito), os rob\u00f4s cuidadores s\u00e3o comuns, por exemplo; enquanto, para n\u00f3s no Brasil, o valor das rela\u00e7\u00f5es passa pelo olho no olho. Conhe\u00e7o pesquisas sobre rob\u00f4s cuidadores em Portugal, tamb\u00e9m, algumas estavam indo bem at\u00e9 onde sei. Mas esse ponto levantado me fez repensar alguns aspectos que venho pesquisando em Hubert Dreyfus, fil\u00f3sofo que desenvolveu uma cr\u00edtica \u00e0 IA e sempre defendeu a ideia de que emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o essenciais para a cogni\u00e7\u00e3o. Ele menciona a quest\u00e3o do olho no olho na sala de aula: quando estamos online, acaba faltando esse cara a cara, t\u00edpico do presencial. Quais as consequ\u00eancias disso? S\u00e3o mais relevantes\/complexas quando se trata de educa\u00e7\u00e3o do que de aplica\u00e7\u00f5es comerciais e\/ou de entretenimento? Tendo a pensar que sim, mas sigo investigando.<\/li><li>Tamb\u00e9m temos, por outro lado, a caracter\u00edstica de nos adaptar \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es. Quanto ao uso de bots, por exemplo, 90% das perguntas feitas por usu\u00e1rios s\u00e3o perguntas padr\u00e3o: podem, assim, ser previstas. Ent\u00e3o, ser\u00e1 que n\u00e3o podemos ter&nbsp;<strong>rob\u00f4s&nbsp;<\/strong>respondendo a 95% delas, r\u00e1pida e precisamente, e pessoas respondendo aos outros 5%, sem preju\u00edzos para nossas intera\u00e7\u00f5es e resolu\u00e7\u00f5es de problemas? Parece que sim. Outro dia, em meio \u00e0 pandemia, troquei de operadora de celular e fiz tudo pela IA das operadoras, online. Gostei da experi\u00eancia.<\/li><li>Entre os principais pontos de aten\u00e7\u00e3o da IA est\u00e3o as&nbsp;<strong>quest\u00f5es \u00e9ticas<\/strong>&nbsp;advindas do grande ac\u00famulo e circula\u00e7\u00e3o de dados, pois eles podem sair do controle. Quest\u00f5es de&nbsp;<strong>privacidade<\/strong>&nbsp;surgem a\u00ed. Surgem tamb\u00e9m desigualdades no mercado de trabalho, que coloca as pessoas mais qualificadas (em menor quantidade) em uma ponta e um grande conjunto da popula\u00e7\u00e3o em outra ponta, muito mais numerosa, impactada pela perda de empregos em que a substitui\u00e7\u00e3o pela tecnologia passa a predominar. Adiciono a essa quest\u00e3o \u00e9tica uma que mencionei outro dia&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7SITaybcm3g\" target=\"_blank\">nesta live<\/a> da TV PUC, e que diz respeito a educa\u00e7\u00e3o e democracia: o acesso a tecnologias pode potencializar a&nbsp;<strong>cogni\u00e7\u00e3o<\/strong>, especialmente no caso de&nbsp;<strong>tecnologias assistivas<\/strong>&nbsp;(utilizadas por pessoas com defici\u00eancia). Mas, como fica o caso das pessoas que n\u00e3o podem acessar essas tecnologias? Isso ficou bastante expl\u00edcito e radicalmente posto no momento da pandemia, quando in\u00fameros estudantes,&nbsp;<strong>sem acesso \u00e0 internet,<\/strong>&nbsp;ficaram sem poder assistir \u00e0s aulas da escola ou faculdade, ou seguir estudando online de alguma maneira. Temos um problema \u00e9tico, ou melhor, v\u00e1rios.<\/li><li>O modelo de&nbsp;<em>deep learning<\/em>&nbsp;\u00e9 um modelo estat\u00edstico que tem uma capacidade de fornecer um conjunto de milh\u00f5es de dimens\u00f5es, enquanto modelos estat\u00edsticos tradicionais t\u00eam uma capacidade muito menor de fazer isso. Para sistemas de reconhecimento facial, por exemplo, isso faz toda a diferen\u00e7a. As express\u00f5es s\u00e3o captadas em detalhes, at\u00e9 mesmo em entrevistas de emprego em que algoritmos agem para identificar a forma como candidato se expressa (j\u00e1 tinha pensado nesse uso da IA? Eu n\u00e3o tinha!)<\/li><li>Esses modelos de aprendizagem de m\u00e1quina correlacionam vari\u00e1veis que fogem \u00e0s a\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio programador. Eles n\u00e3o usam apenas vari\u00e1veis pr\u00e9-programadas. Esse \u00e9 um ponto bastante importante e que deixa v\u00e1rias d\u00favidas, uma esp\u00e9cie de&nbsp;<strong>caixa preta da IA<\/strong>. Andy Clark fala sobre isso, se n\u00e3o me engano, em Mindware, este livro&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Mindware-Introduction-Philosophy-Cognitive-Science\/dp\/0199828156\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/li><li>Kaufman destacou que precisamos criar uma parceria com os modelos de IA, e podemos fazer isso compreendendo-os, conhecendo esse sistemas minimamente. N\u00e3o s\u00f3 concordo com ela como falei sobre isso tamb\u00e9m na live da TV PUC, que j\u00e1 mencionei, bem como nos meus trabalhos acad\u00eamicos. Conhecendo a IA, ainda que de maneira limitada; compreendendo seus usos poss\u00edveis, podemos nos posicionar criticamente em rela\u00e7\u00e3o a essas tecnologias. Isso \u00e9 fundamental. Temos que conhecer nossas potencialidades, nossas limita\u00e7\u00f5es e as potencialidades das tecnologias quando nos unimos a elas. A educa\u00e7\u00e3o precisa conhecer essas tecnologias. Tememos o que n\u00e3o conhecemos&#8230;<\/li><li>Figueira destacou que precisamos compreender como as pessoas funcionam, sentem etc, para conseguirmos progredir mais nas tecnologias e em nossa rela\u00e7\u00e3o com elas.&nbsp;<strong>Eu n\u00e3o podia concordar mais,&nbsp;<\/strong>tanto que dedico minha pesquisa de doutorado ao estudo da cogni\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o com foco nas emo\u00e7\u00f5es e no corpo.&nbsp;E Kaufman destacou que precisamos tamb\u00e9m conhecer sobre como as m\u00e1quinas funcionam. Sim, totalmente. Os dois lados da mesma moeda, como a mente e o mundo na fenomenologia.<\/li><\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anotei e trago aqui alguns pontos interessant\u00edssimos do debate que assisti nesta quarta, 29 de julho, com a pesquisadora em IA e \u00e9tica\u00a0Dora Kaufman\u00a0e o CCO da Figtree, Ricardo Figueira, <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/2020\/07\/29\/inteligencia-artificial-inteligencia-emocional\/\">Read More &#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1386,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,16],"tags":[],"class_list":["post-1384","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artificial-intelligence","category-inteligencia-artificial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1384"}],"collection":[{"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1384"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1384\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1474,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1384\/revisions\/1474"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1386"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1384"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1384"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1384"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}