{"id":1768,"date":"2021-02-11T16:40:41","date_gmt":"2021-02-11T16:40:41","guid":{"rendered":"http:\/\/camilaleporace.com.br\/?p=1768"},"modified":"2021-02-11T16:51:05","modified_gmt":"2021-02-11T16:51:05","slug":"world-wild-web-e-disso-que-precisamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/2021\/02\/11\/world-wild-web-e-disso-que-precisamos\/","title":{"rendered":"World WILD Web: \u00e9 disso que precisamos"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Precisamos de uma WWW democr\u00e1tica. Uma rede de conex\u00f5es reais no espa\u00e7o virtual. <\/h3>\n\n\n\n<p>Esta semana, recebi de diversas pessoas o v\u00eddeo que alardeia aquilo que na pr\u00e1tica todos temos notado: a nossa navega\u00e7\u00e3o na Web \u00e9 completamente rastreada pelo Facebook. Se voc\u00ea acessou um site e viu algo de que gostou mas n\u00e3o se lembra direito qual foi, esqueceu o nome etc, pode usar o hist\u00f3rico do seu navegador para reencontr\u00e1-lo ou&#8230; pode usar o hist\u00f3rico do Facebook. V\u00e1 em Configura\u00e7\u00f5es > Sua atividade no Facebook > Atividade fora do Facebook e ver\u00e1 que est\u00e1 tudo l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>O Facebook est\u00e1 se tornando a pr\u00f3pria World Wide Web, que n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o vasta, ampla ou grande no melhor sentido da coisa e, diga-se de passagem, est\u00e1 cada vez mais chata, comercial e robotizada \u2013 no sentido literal. O que temos \u00e9 um territ\u00f3rio mapeado, em que um chip com nossos logins (na forma de app do Facebook) funciona como uma esp\u00e9cie de arco \u00edris que leva ao tesouro: nossos dados. <\/p>\n\n\n\n<p>O problema nao est\u00e1 s\u00f3 no Facebook. At\u00e9 porque ele est\u00e1 acompanhado da Amazon, Google, Apple. E alguns podem dar de ombros e dizer que esse rastreamento das lojas e sites que visitamos, em particular, pode nem ser t\u00e3o preocupante, apenas irritante.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 fato que, pela nossa sanidade, pela longa vida \u00e0s artes, \u00e0 filosofia, \u00e0 pol\u00edtica, ao cinema, \u00e0s reais trocas de ideias, precisamos de uma internet democr\u00e1tica. Uma World <em>Wild<\/em> Web, isto \u00e9,  uma Web &#8220;selvagem&#8221; no bom sentido, ampla de fato, democr\u00e1tica, capaz de se abrir \u00e0 vastid\u00e3o da natureza humana, dos nossos desejos e sonhos, ajudando-nos a criar e a fortalecer nossas reais conex\u00f5es. Para usar esse termo busco como refer\u00eancia o pesquisador Edwin Hutchins, autor de <em>Cognition in the Wild<\/em>, este livro <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"aqui (opens in a new tab)\" href=\"https:\/\/mitpress.mit.edu\/books\/cognition-wild\" target=\"_blank\">aqui<\/a>. A ideia \u00e9 a de analisar a cogni\u00e7\u00e3o humana em seu habitat natural, a natureza, a cultura, as rela\u00e7\u00f5es sociais, em vez de fazer isso apenas em laborat\u00f3rios\/ambientes controlados \u2013 o que poderia levar a uma dimens\u00e3o bem mais fiel dos nossos processos cognitivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Penso enquanto escrevo numa Web que reflita as m\u00faltiplas realidades que vivemos, que se conecte melhor com o mundo que habitamos e que construimos todos os dias, em vez de apenas tentar construir esse mundo para n\u00f3s \u2013 fazendo-o puramente devotado \u00e0 venda, um palco em que se discute basicamente o que vale mais e quanto se quer pagar. Um mercado das pulgas em que as pulgas somos n\u00f3s (isso \u00e9 pior ainda do que ser as os cacarecos \u00e0 venda \u2013 ou n\u00e3o&#8230;). Sim, eu sei que o mundo &#8220;real&#8221; tamb\u00e9m o coloca o capital acima de tudo, mas \u00e9 exatamente por isso que precisamos mudar a Web (e o mundo) antes que o mundo que a Web tenha para refletir seja exatamente esse mundo chato e vazio como ela!<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo: para um m\u00fasico &#8220;independente&#8221;  \u2013 uma classifica\u00e7\u00e3o que considero um tanto falha (por v\u00e1rios motivos) mas que apenas quer dizer no senso comum um artista que faz seu pr\u00f3prio percurso sem esperar as grandes gravadoras\/o mainstream etc (o que acho louv\u00e1vel) \u2013 usar o YouTube para divulgar seu trabalho tornou-se praticamente imposs\u00edvel. Se tem d\u00favidas, converse com um deles e confira a odisseia que \u00e9 ter um canal e conseguir alguns m\u00edseros seguidores., mesmo que voc\u00ea tenha uma carreira consolidada, muitos f\u00e3s, muitos shows no curr\u00edculo e muitos \u00e1lbuns lan\u00e7ados. As redes sociais que usamos s\u00e3o mainstream. Elas criam o seu pr\u00f3prio mainstream. O problema \u00e9 que elas definem as prioridades e descartam o que n\u00e3o \u00e9 prioridade para elas. Os &#8220;grandes&#8221; seguem &#8220;grandes&#8221;, com muitas aspas, e os &#8220;pequenos&#8221;&#8230; os pequenos que lutem. <\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 s\u00f3 um exemplo. Se voc\u00ea nunca estranhou o alcance \u00ednfimo de uma determinada publica\u00e7\u00e3o sua no FB quando esperava muitos likes, \u00e9 porque provavelmente s\u00f3 posta gatinhos. O FB adora gatinhos. Ali\u00e1s, aposto que Zucker fez algo de bom, pelo menos, que foi popularizar os gatos e fazer mais pessoas adot\u00e1-los, porque agora parece que todos t\u00eam gatos. O FB adora gatos porque as pessoas passam HORAS vendo v\u00eddeos de gatos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/camilaleporace.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/kim-davies-_Mty3g9XWr0-unsplash-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1780\" srcset=\"https:\/\/camilaleporace.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/kim-davies-_Mty3g9XWr0-unsplash-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/camilaleporace.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/kim-davies-_Mty3g9XWr0-unsplash-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/camilaleporace.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/kim-davies-_Mty3g9XWr0-unsplash-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/camilaleporace.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/kim-davies-_Mty3g9XWr0-unsplash-1-225x150.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Photo by <a href=\"https:\/\/unsplash.com\/@flowerchildkimmi?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Kim Davies<\/a> on <a href=\"https:\/\/unsplash.com\/photos\/HN3-ehlNwsc?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Unsplash<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Voltando \u00e0 Web democr\u00e1tica: ela era a ideia original de Tim Berners Lee, mas simplesmente n\u00e3o aconteceu. Mas ele n\u00e3o desistiu: Tim tem uma startup chamada Inrupt e est\u00e1 trabalhando por uma nova estrutura de rede, chamada SOLID. A ideia \u00e9 repensar a maneira como aplicativos armazenam e compartilham dados pessoais. Para isso, em vez de armazenar dados em servidores de uma empresa que se interessa apenas em lucrar a partir deles, os usu\u00e1rios teriam um pequeno servidor exclusivo, localizado no Solid, um servidor grande. O problema dessa hist\u00f3ria \u00e9 que ela parece levar ao problema do regresso infinito, isto \u00e9, Berners-Lee acabaria por ter os dados de todos armazenados em seu mega servidor com v\u00e1rios mini servidorezinhos; mas ele diz que n\u00e3o, que os dados estariam somente no servidor de cada um. De todo modo, as motiva\u00e7\u00f5es de Tim me parecem sem d\u00favida melhores do que as de Zucker e sua turma, que n\u00e3o sabem mais onde colocar seu dinheiro. E continuam querendo faturar mais e mais \u00e0s custas n\u00e3o apenas da nossa privacidade como do esvaziamento total da gra\u00e7a que a internet um dia teve, quando prometia ser a terra da criatividade que representava uma real alternativa ao caminho at\u00e9 ent\u00e3o mon\u00f3tono do broadcasting. <\/p>\n\n\n\n<p>Berners-Lee e o CEO (odeio estas siglas) da empresa dele \u2013 que n\u00e3o \u00e9 ele, mas sim um cara chamado John Bruce \u2013 n\u00e3o esperam que o modelo descentralizado que est\u00e3o tentando materializar desmorone as tech giants num passe de m\u00e1gica, como bem lembra <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (opens in a new tab)\" href=\"https:\/\/www.wired.co.uk\/article\/inrupt-tim-berners-lee\" target=\"_blank\">este artigo aqui da Wired<\/a>. At\u00e9 porque Zucker e os amigos n\u00e3o querem largar o osso carnudo dos nossos dados. O que a dupla Berners-Bruce quer \u00e9 lan\u00e7ar uma alternativa, que possa se popularizar ao menos entre quem est\u00e1 preocupado com tudo isso que estou expondo neste texto e anseie por uma rede mais bacana, mais leve, aberta e criativa.  N\u00e3o sei exatamente como isso vai funcionar, se vai funcionar, mas esse caminho me parece bastante interessante e pretendo acompanhar. Sugiro que fa\u00e7am o mesmo. At\u00e9 porque o problema n\u00e3o \u00e9 apenas voc\u00ea gostar de hamb\u00farguer com cheddar, e ficar toda hora aparecendo hamb\u00farguer com cheddar para voc\u00ea nos an\u00fancios na &#8220;sua internet&#8221;. O problema \u00e9 que assim voc\u00ea vai viver num mar de hamb\u00fargueres de cheddar com pequenas varia\u00e7\u00f5es (com ou sem cebola&#8230;) em vez de conhecer um mundo que tamb\u00e9m tem hotdogs, pipocas doces, salsichas alem\u00e3s, saladas, pizzas ou seja o que for. <\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 bom pensar nisso antes que sua press\u00e3o arterial saia do controle.<\/p>\n\n\n\n<p>(Imagem principal do post:  <a href=\"https:\/\/unsplash.com\/@amir_v_ali?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">amirali mirhashemian<\/a> @ <a href=\"https:\/\/unsplash.com\/s\/photos\/cheddar-burger?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Unsplash<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Precisamos de uma WWW democr\u00e1tica. Uma rede de conex\u00f5es reais no espa\u00e7o virtual. 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