{"id":1789,"date":"2021-02-18T02:35:22","date_gmt":"2021-02-18T02:35:22","guid":{"rendered":"http:\/\/camilaleporace.com.br\/?p=1789"},"modified":"2021-11-25T10:15:47","modified_gmt":"2021-11-25T10:15:47","slug":"como-ler-e-entender-textos-filosoficos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/2021\/02\/18\/como-ler-e-entender-textos-filosoficos\/","title":{"rendered":"Como ler (e entender!) textos filos\u00f3ficos"},"content":{"rendered":"\n<p>Come\u00e7ar a ler filosofia n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil e pode desanimar muita gente j\u00e1 na primeira tentativa. O motivo disso pode ser a pouca familiaridade do leitor com esse tipo de texto, pouca bagagem anterior em filosofia \u2013 o que faz com que n\u00e3o entenda certos conceitos e termos, desestimulando j\u00e1 na largada \u2013, medo de n\u00e3o estar entendendo nada ou at\u00e9 uma vontade excessiva de entender tudo de uma vez s\u00f3, que, definitivamente, n\u00e3o costuma rolar com textos filos\u00f3ficos (ou acad\u00eamicos em geral&#8230;).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/camilaleporace.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/seven-shooter-hPKTYwJ4FUo-unsplash-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1790\" srcset=\"https:\/\/camilaleporace.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/seven-shooter-hPKTYwJ4FUo-unsplash-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/camilaleporace.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/seven-shooter-hPKTYwJ4FUo-unsplash-300x200.jpg 300w, https:\/\/camilaleporace.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/seven-shooter-hPKTYwJ4FUo-unsplash-768x512.jpg 768w, https:\/\/camilaleporace.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/seven-shooter-hPKTYwJ4FUo-unsplash-225x150.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Foto: <a href=\"https:\/\/unsplash.com\/@sevenshooterimage?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Seven Shooter<\/a> @ <a href=\"https:\/\/unsplash.com\/s\/photos\/reading?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Unsplash<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Este post \u00e9 para apresentar alguns passos simples que, se seguidos, podem ajudar na leitura e apreens\u00e3o das ideias presentes em textos filos\u00f3ficos. Serve, por\u00e9m, para quem precisa ler textos em geral, especialmente de teor acad\u00eamico\/cient\u00edfico. As orienta\u00e7\u00f5es s\u00e3o baseadas em dois livros do mineiro Ant\u00f4nio Joaquim Severino, que referencio ao final do post. Severino desenvolveu uma metodologia para a leitura de textos filos\u00f3ficos. <\/p>\n\n\n\n<p>Aqui tamb\u00e9m me baseio na minha pr\u00f3pria experi\u00eancia com a leitura de textos de filosofia e nas aulas do professor Ralph Bannell, meu orientador de doutorado, com quem fiz est\u00e1gio \u00e0 doc\u00eancia em filosofia da educa\u00e7\u00e3o. Ressalto que fa\u00e7o algumas (poucas) adapta\u00e7\u00f5es \u00e0 metodologia de Severino, e indico a leitura integral dos livros dele a quem tem interesse no assunto.<\/p>\n\n\n\n<p>ANTES DE COME\u00c7AR &#8211; Delimita\u00e7\u00e3o da unidade de leitura. Voc\u00ea precisa escolher o que vai ler e separar a sua leitura em unidades. Um cap\u00edtulo? Um artigo\/ensaio filos\u00f3fico? Depois de escolher, n\u00e3o \u00e9 demais dar uma pesquisada no autor, per\u00edodo em que escreveu, se est\u00e1 vivo ainda; dar uma olhada na bibliografia dele e na biografia etc. Lembrando que o autor escreve no contexto de sua \u00e9poca, de sua vida, de sua proposta de trabalho, e quanto mais der para saber sobre isso previamente, mais isso pode ajudar na compreens\u00e3o dos textos dele.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">PASSO 1 &#8211; An\u00e1lise textual<\/h2>\n\n\n\n<p>Severino indica que, ap\u00f3s a escolha do que ser\u00e1 lido, \u00e9 preciso fazer o que ele chama de an\u00e1lise textual. Ele une este passo ao passo seguinte, a esquematiza\u00e7\u00e3o, mas eu cada vez mais tenho considerado a esquematiza\u00e7\u00e3o um passo (e um t\u00f3pico) importante demais para ser unido \u00e0 an\u00e1lise tem\u00e1tica, ent\u00e3o aqui proponho que essas fases sejam vistas como etapas separadas. <\/p>\n\n\n\n<p>A etapa da an\u00e1lise textual significa fazer uma primeira abordagem do texto, ainda n\u00e3o t\u00e3o aprofundada. A ideia, neste primeiro momento de leitura, n\u00e3o \u00e9 esgotar a compreens\u00e3o de todo o texto, mas que o leitor tenha contato com a unidade de leitura escolhida; a ideia \u00e9 que obtenha uma vis\u00e3o panor\u00e2mica, como Severino fala; nesse momento, \u00e9 poss\u00edvel observar o estilo do autor, o m\u00e9todo que ele usa, isto \u00e9, a forma como escreve e organiza suas ideias e pensamentos. Ainda neste momento, como a ideia \u00e9 buscar familiaridade com o texto, o leitor deve assinalar aqueles elementos que, \u00e0 primeira vista, lhe geram d\u00favidas. Severino recomenda que sejam buscados dados a respeito do autor, com o cuidado para que os comentaristas (as pessoas que escreveram esses textos sobre o autor) n\u00e3o &#8220;contaminem&#8221; a perspectiva individual que o leitor ser\u00e1 do texto. Mas, eu indiquei que voc\u00ea fa\u00e7a isso antes mesmo de dar in\u00edcio aos passos de Severino, l\u00e1\u00e1 no in\u00edcio. Ainda na etapa de an\u00e1lise textual, o leitor deve assinalar termos e conceitos que desconhe\u00e7a, mas que pare\u00e7am importantes para que aquele texto seja compreendido. Deve anotar esses termos em uma folha\/arquivo separado. O leitor deve anotar, ainda, eventuais fatos hist\u00f3ricos citados pelo autor e refer\u00eancias a outros autores que lhe causem d\u00favida. <\/p>\n\n\n\n<p>Severino recomenda, ent\u00e3o, que ap\u00f3s a leitura e a identifica\u00e7\u00e3o dessas d\u00favidas o leitor busque informa\u00e7\u00e3o sobre elas, tentando esclarec\u00ea-las. \u00c9 importante fazer isso, de fato, podendo nesse momento usar dicion\u00e1rios de termos de filosofia, por exemplo; mas tamb\u00e9m \u00e9 importante n\u00e3o deixar que essa pesquisa se torne t\u00e3o aprofundada a ponto de desvirtuar o leitor de seu objetivo inicial, que seria compreender o texto selecionado. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso um bocado de bom senso para ter em mente que n\u00e3o \u00e9 preciso esclarecer tudo assim, de sa\u00edda; muito ser\u00e1 resolvido no decorrer da an\u00e1lise daquele texto, da troca de ideias com outras pessoas sobre o texto ou da aula sobre ele, enfim. A minha dica \u00e9 que voc\u00ea procure saber um pouco, se torne mais confort\u00e1vel com as d\u00favidas, sem &#8220;pirar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">PASSO 1 E 1\/2 &#8211; Esquematiza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Nesta etapa, a ideia \u00e9 ler o texto extraindo dele as principais ideias presentes a cada par\u00e1grafo, ou a cada dois par\u00e1grafos, mais ou menos. Aten\u00e7\u00e3o: N\u00c3O se trata de fazer um RESUMO do texto. O trabalho, aqui, \u00e9 de apreens\u00e3o das ideias do autor de uma maneira sistematizada, e vou explicar como. Voc\u00ea deve ler cada par\u00e1grafo e escrever com as suas pr\u00f3prias palavras as ideias do autor presentes naquele par\u00e1grafo. Uma dica um pouco incomum: escreva com as suas pr\u00f3prias palavras e em primeira pessoa. Sim, como se VOC\u00ca estivesse escrevendo, produzindo aquelas ideias. Isso pode parecer estranho de cara, mas far\u00e1 com que voc\u00ea &#8220;entre na cabe\u00e7a&#8221; do autor, colocando-se no lugar dele. A ideia \u00e9 que, ao final desta etapa, voc\u00ea tenha as principais ideias extra\u00eddas do texto NA ORDEM em que elas aparecem. Isso servir\u00e1 como prepara\u00e7\u00e3o para a etapa seguinte. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">PASSO 2 &#8211; An\u00e1lise Tem\u00e1tica<\/h2>\n\n\n\n<p>Nesta etapa, a ideia \u00e9 que voc\u00ea compreenda a mensagem passada pelo autor no texto, de modo global e sem interven\u00e7\u00f5es. O que significa sem interven\u00e7\u00f5es? N\u00e3o \u00e9 hora, ainda, de voc\u00ea expor a sua opini\u00e3o ou o ponto de vista de outros autores. N\u00e3o \u00e9 nem mesmo a hora de expor a opini\u00e3o desse mesmo autor que esteja presente em outros textos dele, ou sobre outros assuntos. Voc\u00ea ter\u00e1 um outro momento para fazer isso, no seu ensaio filos\u00f3fico. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 hora de tirar conclus\u00f5es precipitadas. Apenas fa\u00e7a o seguinte: 1) identifique o tema do texto; 2) identifique o problema que o autor se prop\u00f5e a resolver; 3) siga e exponha o racioc\u00ednio seguido pelo autor e 4) exponha a tese a que ele chega. Detalhando um pouco mais:<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Tema<\/em><\/strong> &#8211; Voc\u00ea dever\u00e1 identificar, em uma linha ou duas, qual o TEMA da unidade de leitura. N\u00e3o se deixe enganar pelo t\u00edtulo, que nem sempre \u00e9 bom para revelar o tema do texto. <\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Problema<\/em><\/strong> &#8211; A seguir, em algumas linhas, voc\u00ea deve expressar qual o problema que o autor se prop\u00f5e a resolver\/argumentar sobre. Grande parte dos textos filos\u00f3ficos e cient\u00edficos \u00e9 motivada por um problema uma quest\u00e3o sobre a qual o autor se prop\u00f5e a argumentar. Ele vai elaborar argumentos justamente pensando na &#8220;defesa&#8221; que far\u00e1 daquela quest\u00e3o, que o provocou, o instigou. Ou ir\u00e1 &#8220;atacar&#8221; uma ideia com a qual n\u00e3o concorda, desenvolvendo seus pr\u00f3prios argumentos para isso. Pode, ainda, concordar em parte com uma determinada ideia\/tese, mas querer colocar alguns pontos nos quais diverge. Ent\u00e3o, identifique essa quest\u00e3o, dificuldade, esse problema e anote. Tenha em mente que nem sempre est\u00e1 t\u00e3o \u00f3bvio qual \u00e9 esse problema. Mas a sua esquematiza\u00e7\u00e3o ajudar\u00e1 a identific\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Racioc\u00ednio\/Argumenta\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong> &#8211; Com base na sua esquematiza\u00e7\u00e3o, agrupe as informa\u00e7\u00f5es que voc\u00ea extraiu de cada par\u00e1grafo em par\u00e1grafos\/por\u00e7\u00f5es de texto contendo as ideias presentes naquele conjunto de frases. Por exemplo, voc\u00ea pode encontrar rela\u00e7\u00e3o entre o primeiro e o quinto par\u00e1grafo; essa \u00e9 a oportunidade de juntar as pontas, escrevendo em um par\u00e1grafo o que \u00e9 essa ideia. Ao fazer isso, voc\u00ea estar\u00e1 identificando a maneira como o autor responde \u00e0 quest\u00e3o que ele mesmo se prop\u00f5e resolver, como raciocina para resolv\u00ea-la, ou: como ele argumenta. Isto \u00e9, os argumentos, as defesas que ele efetivamente elabora para resolver o impasse, a dificuldade que o motivou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Tese<\/em><\/strong> &#8211; Ap\u00f3s expor a argumenta\u00e7\u00e3o do autor, voc\u00ea ser\u00e1 capaz de expor a tese dele; em resumo, o que ele argumenta? O que prop\u00f5e? Ent\u00e3o, faz o pr\u00f3ximo passo, e escreve a tese, resumidamente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">PASSO 3 &#8211; An\u00e1lise interpretativa\/Interpreta\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 chegada a hora de come\u00e7ar a interpretar as ideias expostas pelo autor no texto lido. Neste momento, o leitor coloca as ideias do autor em di\u00e1logo com as ideias de outros autores. Esses autores que falam do autor em quest\u00e3o s\u00e3o, nesse contexto, <strong><em>comentaristas<\/em><\/strong>. \u00c9 um momento que voc\u00ea situa o autor e o texto lido tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a outros textos do pr\u00f3prio autor, de modo a buscar localiz\u00e1-lo numa esfera maior de pensamento daquele autor. Pode verificar como as ideias que ele exp\u00f5e no texto que voc\u00ea leu se relacionam com ideias em que ele exp\u00f5e em outros textos dele, por exemplo, ou contrapor essas ideias com as perspectivas de outros autores sobre o que ele escreveu. <\/p>\n\n\n\n<p>Severino destaca que um momento importante desta etapa de interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de uma perspectiva cr\u00edtica sobre o que foi lido; isto significa, neste caso, procurar julgar a coer\u00eancia interna do texto e tamb\u00e9m a sua originalidade, a contribui\u00e7\u00e3o que d\u00e1 ao problema que aborda. Tentar entender at\u00e9 que ponto o autor  conseguiu alcan\u00e7ar, de modo l\u00f3gico, os objetivos que prop\u00f4s a si mesmo. Severino diz o seguinte: &#8220;Pergunta-se at\u00e9 que ponto o racioc\u00ednio foi eficaz na demonstra\u00e7\u00e3o da tese proposta e at\u00e9 que ponto a conclus\u00e3o a que chegou est\u00e1 realmente fundada numa argumenta\u00e7\u00e3o s\u00f3lida e sem falhas, coerente com as suas premissas e com v\u00e1rias etapas percorridas&#8221;. Tamb\u00e9m \u00e9 o momento de procurar compreender se a argumenta\u00e7\u00e3o do autor \u00e9 original e sua contribui\u00e7\u00e3o, relevante.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">PASSO 4 &#8211; Problematiza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 uma etapa em que se busca desde problemas textuais possivelmente presentes no texto at\u00e9 poss\u00edveis problemas de interpreta\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma etapa bacana especialmente quando se realiza um trabalho em grupo, pois neste momento pode-se debater essas impress\u00f5es. Vale ler as palavras de Severino diferenciando esta etapa da fase de identificar o problema, presente na an\u00e1lise tem\u00e1tica: &#8220;Cumpre observar a distin\u00e7\u00e3o a ser feita entre a tarefa de determina\u00e7\u00e3o do problema da unidade, segunda etapa da an\u00e1lise tem\u00e1tica, e a problematiza\u00e7\u00e3o geral do texto, \u00faltima etapa da an\u00e1lise de textos cient\u00edficos. No primeiro caso, o que se pede \u00e9 o desvelamento da situa\u00e7\u00e3o de conflito que provocou o autor<br> para a busca de uma solu\u00e7\u00e3o. No presente momento, problematiza\u00e7\u00e3o \u00e9<br> tomada em sentido amplo e visa levantar, para a discuss\u00e3o e a reflex\u00e3o, as<br> quest\u00f5es expl\u00edcitas ou impl\u00edcitas no texto&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">PASSO 5 &#8211; S\u00edntese Pessoal<\/h2>\n\n\n\n<p>Trata-se talvez da etapa mais aguardada entre estudantes, que durante todo esse processo ficam geralmente bem ansiosos para dizer o que acham do que leram! Bom, esta \u00e9 de fato a hora de discutir a problem\u00e1tica levantada no texto para, a partir da reflex\u00e3o a que ele leva, desenvolver o seu pr\u00f3prio ensaio filos\u00f3fico. A s\u00edntese \u00e9 uma prepara\u00e7\u00e3o para o ensaio, ainda n\u00e3o \u00e9 o ensaio em si. Mas, se bem feita, ajuda bastante na hora de elabor\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 interessante como a metodologia de Severino termina com esta etapa, (chamada de s\u00edntese pessoal) que exige que voc\u00ea escreva, exponha a sua perspectiva; isso mostra que a apropria\u00e7\u00e3o das ideias presentes em um texto de car\u00e1ter filos\u00f3fico tamb\u00e9m depende do exerc\u00edcio da reda\u00e7\u00e3o. Ao escrever n\u00f3s organizamos o nosso pensamento e conseguimos realizar nossas pr\u00f3prias reflex\u00f5es, assim conseguindo desenvolver a habilidade de pensar filosoficamente. <\/p>\n\n\n\n<p>Severino aponta esta etapa como uma fase de amadurecimento intelectual e de exerc\u00edcio do racioc\u00ednio. Nesta etapa, pode escolher um ou mais aspectos do texto lido que mais tenham lhe saltado aos olhos, trabalhando em cima desses aspectos. Voc\u00ea deve tamb\u00e9m buscar o embasamento conseguido com a leitura dos textos dos comentaristas, principalmente se toda a aventura filos\u00f3fica, o tema ou o(s) autor(es) forem novidade para voc\u00ea. <\/p>\n\n\n\n<p>Lembre-se que, no caso de um ensaio filos\u00f3fico ou texto acad\u00eamico, o que vale n\u00e3o \u00e9 a nossa opini\u00e3o livre, mas uma perspectiva embasada, bem argumentada \u2013 como voc\u00ea ter\u00e1 observado no texto lido, se tiver gostado da maneira como o autor conduziu sua argumenta\u00e7\u00e3o \ud83d\ude09<\/p>\n\n\n\n<p>Ah, tamb\u00e9m vale lembrar que um ensaio filos\u00f3fico geralmente cont\u00e9m as s\u00ednteses de v\u00e1rios textos e n\u00e3o somente de um.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Antes de terminar&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mais umas dicas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Sossego<\/em><\/strong> &#8211; \u00c0s vezes, \u00e9 dif\u00edcil conseguir um lugar sossegado para ler, estudar, escrever. Mas isso se torna ainda mais importante quando nos propomos a ler um texto seguindo etapas dessa metodologia, isto \u00e9, procurando extrair mesmo um aprendizado, alcan\u00e7ando uma compreens\u00e3o dos textos. Ent\u00e3o, ler no \u00f4nibus, metr\u00f4, no meio de um ambiente barulhento pode complicar. Quando o confinamento acabar, a biblioteca \u00e9 a melhor op\u00e7\u00e3o para esse tipo de tarefa. <\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Tempo <\/em><\/strong>&#8211; Se voc\u00ea n\u00e3o tem tempo para seguir TODOS esses passos toda vez que se prop\u00f5e a ler um texto filos\u00f3fico, indico que siga, pelo menos, os passos 1 e 2. Com esses passos voc\u00ea ter\u00e1 uma excelente vis\u00e3o geral do texto, podendo partir para as etapas seguintes somente se voc\u00ea for se aprofundar naquela leitura. Claro, o ideal \u00e9 voc\u00ea conseguir avan\u00e7ar o m\u00e1ximo poss\u00edvel, contrastar o texto com outras leituras do mesmo autor, escrever as suas ideias, dialogar com ele etc., mas, de fato, muitas vezes n\u00e3o h\u00e1 tempo para isso e os passos 1 e 2 s\u00e3o suficientes para uma apreens\u00e3o excelente de um texto filos\u00f3fico\/acad\u00eamico. S\u00f3 ler sem anotar nada n\u00e3o adianta muito no caso de textos filos\u00f3ficos. <\/p>\n\n\n\n<p>Espero que este post, apesar de longo, tenha sido \u00fatil. Recomendo fortemente a leitura dos materiais a seguir, dos quais as orienta\u00e7\u00f5es foram retiradas. E agrade\u00e7o ao meu professor e orientador de doutorado Ralph Ings Bannell por ensinar essa metodologia em suas aulas de filosofia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fontes:<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>SEVERINO, Ant\u00f4nio Joaquim. <strong>Metodologia do Trabalho Cient\u00edfico<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Cortez, 2013. <\/p>\n\n\n\n<p>SEVERINO, Ant\u00f4nio Joaquim. <strong>Como ler um texto de filosofia<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Come\u00e7ar a ler filosofia n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil e pode desanimar muita gente j\u00e1 na primeira tentativa. 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