{"id":1875,"date":"2021-03-19T19:44:10","date_gmt":"2021-03-19T19:44:10","guid":{"rendered":"http:\/\/camilaleporace.com.br\/?p=1875"},"modified":"2023-02-15T19:02:24","modified_gmt":"2023-02-15T19:02:24","slug":"notas-sobre-filosofia-e-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/2021\/03\/19\/notas-sobre-filosofia-e-ciencia\/","title":{"rendered":"Notas sobre filosofia e ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Inspiradas especialmente (mas n\u00e3o somente) pela leitura de &#8220;Maturana e a Educa\u00e7\u00e3o&#8221;, de Nize Pellanda, Editora Aut\u00eantica, 2009<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/camilaleporace.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/moritz-kindler-G66K_ERZRhM-unsplash-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1876\" srcset=\"https:\/\/camilaleporace.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/moritz-kindler-G66K_ERZRhM-unsplash-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/camilaleporace.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/moritz-kindler-G66K_ERZRhM-unsplash-300x200.jpg 300w, https:\/\/camilaleporace.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/moritz-kindler-G66K_ERZRhM-unsplash-768x512.jpg 768w, https:\/\/camilaleporace.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/moritz-kindler-G66K_ERZRhM-unsplash-225x150.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Quando o conjunto de teorias dispon\u00edveis numa \u00e9poca n\u00e3o d\u00e3o mais conta  de novos objetos da ci\u00eancia, come\u00e7am a emergir outras teorias que v\u00e3o configurar um novo paradigma cient\u00edfico. Nesse conjunto, h\u00e1 sempre um grupo de pressupostos b\u00e1sicos e conceitos fundamentais que vai fazer o papel de urdidura de uma rede org\u00e2nica e coerente que \u00e9 o paradigma&#8221;, diz Nize Pellanda, \u00e0 p\u00e1gina 13 do <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Maturana-Educa%C3%A7%C3%A3o-Maria-Campos-Pellanda\/dp\/8575264303\/ref=asc_df_8575264303\/?tag=googleshopp00-20&amp;linkCode=df0&amp;hvadid=379733541991&amp;hvpos=&amp;hvnetw=g&amp;hvrand=6178444519342745475&amp;hvpone=&amp;hvptwo=&amp;hvqmt=&amp;hvdev=c&amp;hvdvcmdl=&amp;hvlocint=&amp;hvlocphy=20102&amp;hvtargid=pla-811037424360&amp;psc=1\">livro <\/a><em><a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Maturana-Educa%C3%A7%C3%A3o-Maria-Campos-Pellanda\/dp\/8575264303\/ref=asc_df_8575264303\/?tag=googleshopp00-20&amp;linkCode=df0&amp;hvadid=379733541991&amp;hvpos=&amp;hvnetw=g&amp;hvrand=6178444519342745475&amp;hvpone=&amp;hvptwo=&amp;hvqmt=&amp;hvdev=c&amp;hvdvcmdl=&amp;hvlocint=&amp;hvlocphy=20102&amp;hvtargid=pla-811037424360&amp;psc=1\">Maturana e a Educa\u00e7\u00e3o<\/a><\/em><a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Maturana-Educa%C3%A7%C3%A3o-Maria-Campos-Pellanda\/dp\/8575264303\/ref=asc_df_8575264303\/?tag=googleshopp00-20&amp;linkCode=df0&amp;hvadid=379733541991&amp;hvpos=&amp;hvnetw=g&amp;hvrand=6178444519342745475&amp;hvpone=&amp;hvptwo=&amp;hvqmt=&amp;hvdev=c&amp;hvdvcmdl=&amp;hvlocint=&amp;hvlocphy=20102&amp;hvtargid=pla-811037424360&amp;psc=1\"> (Ed. Aut\u00eantica, 2009)<\/a>. A autora esclarece que se refere, aqui, ao conceito de paradigma tal como concebido por Thomas Kuhn.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa explica\u00e7\u00e3o para o surgimento de novas teorias \u00e9 simples: se precisamos estudar certos objetos, fen\u00f4menos, acontecimentos que fogem \u00e0s teorias que temos dispon\u00edveis para compreend\u00ea-los, estamos precisando de&#8230; novas teorias. Apesar de simples, esse racioc\u00ednio esconde alguns aspectos, digamos, espinhosos no campo da pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, a tentativa de &#8220;encaixar&#8221; novos objetos de pesquisa em velhos paradigmas ou o h\u00e1bito de seguir analisando fen\u00f4menos cient\u00edficos a partir de premissas que eventualmente j\u00e1 foram superadas ou precisam ser revistas\/remodeladas. Sim, mesmo sem que se perceba, isso muitas vezes acontece. E a import\u00e2ncia da pesquisa te\u00f3rica passa por a\u00ed: a necessidade de conhecer a teoria para que ela sirva para a empiria de modo a abrir caminho para novas descobertas. Afinal, ao mudar os fundamentos, mudamos o que \u00e9 constru\u00eddo sobre esses fundamentos. Lembrando que mudar os fundamentos n\u00e3o \u00e9 jogar fora tudo que se sabe at\u00e9 dado momento para come\u00e7ar a construir tudo de novo, do zero, mas saber agregar o que \u00e9 novo ao que se provou ser v\u00e1lido no &#8220;velho&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m na pesquisa ainda se observa, por vezes, uma certa insist\u00eancia em fazer perguntas esperando uma determinada resposta (em vez de estar verdadeiramente aberto aos resultados que podem surgir). O pesquisador precisa topar o desafio de n\u00e3o saber bem onde chegar\u00e1. Faz parte do show. Afinal, o caminho ser\u00e1 constru\u00eddo durante a pr\u00f3pria investiga\u00e7\u00e3o que ele vai fazer; ent\u00e3o, como saber o que ser\u00e1 encontrado no ponto final? Claro, \u00e9 preciso ter perguntas que impulsionem esse caminho e um m\u00e9todo que sirva como guia; ter par\u00e2metros, ter prazos, tudo isso \u00e9 essencial; tamb\u00e9m \u00e9 natural ter expectativas sobre as descobertas que ser\u00e3o feitas, e levantar hip\u00f3teses \u00e9 mais do que recomendado; mas, sem uma real abertura ao novo, a pesquisa perde o sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda no citado livro sobre Humberto Maturana, um conhecido neurobi\u00f3logo chileno, a autora afirma que t\u00eam surgido objetos cada vez mais complexos no trabalho cient\u00edfico e que esses objetos desafiam as formas tradicionais de pesquisa. \u00c9 dif\u00edcil falar da import\u00e2ncia da obra de Maturana sem mencionar esse fato, porque a proposta te\u00f3rica desse autor emerge justamente do seu trabalho como cientista, que o leva a concluir que o mundo n\u00e3o \u00e9 fragmentado e n\u00e3o \u00e9 uma realidade \u00e0 parte; o investigador faz parte dessa realidade, a constitui.<\/p>\n\n\n\n<p> O neurobi\u00f3logo \u00e9 um dos pensadores do chamado <em>paradigma da complexidade <\/em>\u2013 o qual supera a realidade concebida de maneira &#8220;linear, fragmentada como se fosse uma cole\u00e7\u00e3o de coisas e est\u00e1vel&#8221;, sendo o sujeito que estuda essa realidade sempre externo a ela (p\u00e1gina 14 do livro <em>Maturana e a Educa\u00e7\u00e3o<\/em>). Se n\u00e3o somos sujeitos externos \u00e0 realidade que observamos e que desejamos investigar, somos parte dessa realidade; desse modo, nota-se que epistemologia e ontologia n\u00e3o se separam. Isto \u00e9, &#8220;observar faz parte n\u00e3o somente da gera\u00e7\u00e3o do fen\u00f4meno a explicar, como tamb\u00e9m da pr\u00f3pria ontologia de cada observador&#8221; (p\u00e1gina 26 do livro <em>Maturana e a Educa\u00e7\u00e3o<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p>Estou levantando muitas quest\u00f5es para um post s\u00f3, eu sei. \u00c9 que o objetivo deste post \u00e9, justamente, fazer anota\u00e7\u00f5es para depois juntar tudo de alguma maneira num texto mais coerente (ou n\u00e3o). O processo de pesquisa tamb\u00e9m passa por isto, especialmente o processo de uma pesquisa te\u00f3rica. <\/p>\n\n\n\n<p>Neste caso aqui, ficam algumas quest\u00f5es importantes para poss\u00edveis discuss\u00f5es futuras: <\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>A imposs\u00edvel dissocia\u00e7\u00e3o entre sujeito observador e realidade observada torna imposs\u00edvel a &#8220;neutralidade&#8221; na pesquisa? <\/li><li>O que seria essa almejada &#8220;neutralidade&#8221; e qual seria a import\u00e2ncia dela, se houver? <\/li><li>Por que n\u00e3o se pode separar ci\u00eancia e filosofia, teoria e pr\u00e1tica, humano e natureza, mente e corpo, epistemologia e ontologia?<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>E muitas outras perguntas mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Imagem do post: Photo by <a href=\"https:\/\/unsplash.com\/@moritz_photography?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Moritz Kindler<\/a> on <a href=\"\/s\/photos\/science?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Unsplash<\/a>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inspiradas especialmente (mas n\u00e3o somente) pela leitura de &#8220;Maturana e a Educa\u00e7\u00e3o&#8221;, de Nize Pellanda, Editora Aut\u00eantica, 2009 &#8220;Quando o conjunto de teorias dispon\u00edveis numa \u00e9poca n\u00e3o d\u00e3o mais conta <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/2021\/03\/19\/notas-sobre-filosofia-e-ciencia\/\">Read More &#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1876,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,8,9,14,48,50,27],"tags":[],"class_list":["post-1875","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ciencia","category-educacao","category-education","category-filosofia","category-filosofia-da-educacao","category-pesquisa","category-trabalho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1875"}],"collection":[{"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1875"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1875\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2424,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1875\/revisions\/2424"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1876"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1875"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1875"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1875"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}