{"id":2193,"date":"2018-05-03T19:01:49","date_gmt":"2018-05-03T19:01:49","guid":{"rendered":"http:\/\/camilaleporace.com.br\/?p=2193"},"modified":"2022-05-11T14:49:32","modified_gmt":"2022-05-11T14:49:32","slug":"tdah-quando-nao-compreendido-um-transtorno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/2018\/05\/03\/tdah-quando-nao-compreendido-um-transtorno\/","title":{"rendered":"TDAH: quando n\u00e3o compreendido, um transtorno"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Camila Leporace <\/h4>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><em>(Publicada em 2007 no site Opini\u00e3o &amp; Not\u00edcia, encerrado em 2020, recebeu o Pr\u00eamio Alexandre Adler de Jornalismo de Sa\u00fade &#8211; edi\u00e7\u00e3o 2007 e o Pr\u00eamio de Jornalismo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria &#8211; ABP 40 Anos na categoria online &#8211; 2007)<\/em><\/h4>\n\n\n\n<p>Nos depoimentos de m\u00e3es, pais e especialistas no assunto, as semelhan\u00e7as s\u00e3o marcantes. Os portadores do Transtorno do D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o e Hiperatividade (TDAH) s\u00e3o impulsivos, agitados, irrequietos, ansiosos e t\u00e3o inteligentes e carinhosos quanto mal compreendidos e rejeitados \u2013 o que acontece porque, quando se trata de TDAH, falta informa\u00e7\u00e3o e sobra preconceito.<br>Com um ano e quatro meses de idade, em 1986, Fernando come\u00e7ou a andar. A partir da\u00ed, ficar parado tornou-se algo simplesmente imposs\u00edvel para ele. Um ano e dois meses depois, sua m\u00e3e, Mara Narciso \u2013 endocrinologista, acad\u00eamica de jornalismo e autora do livro&nbsp;<em>Segurando a hiperatividade<\/em>&nbsp;\u2013 decidiu lev\u00e1-lo a uma psic\u00f3loga. Por ser \u201cacelerado\u201d e \u201cincapaz de sossegar um minuto que fosse\u201d, Fernando ficava sujeito a toda sorte de acidentes. \u201cMachucava a toda hora, e demorou muitos anos para entender que buraco era buraco e que pular dentro dele como se n\u00e3o existisse o faria machucar. Corria na dire\u00e7\u00e3o de uma escada como se n\u00e3o houvesse desn\u00edveis\u201d, relata Mara.<br>Quando Fernando tinha quatro anos, sua m\u00e3e o levou a um neuropediatra em Belo Horizonte que definiu o que ele tinha como Disfun\u00e7\u00e3o Cerebral M\u00ednima, problema que se caracterizava exatamente pela hiperatividade. O m\u00e9dico disse a Mara que Fernando era o \u201csegundo caso mais grave\u201d que ele j\u00e1 havia visto em 25 anos.<br>Hoje, cerca de 3% das crian\u00e7as e de 1% a 1,5% dos adultos de todo o mundo apresentam o TDAH, que tamb\u00e9m \u00e9 conhecido como DDA (Dist\u00farbio do D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o) ou, em ingl\u00eas, ADD, ADHD ou AD\/HD. A incid\u00eancia parece ser maior entre o sexo masculino, mas os especialistas consideram esse dado ainda em discuss\u00e3o. Essas informa\u00e7\u00f5es foram reveladas pelo psiquiatra Mario Louz\u00e3 Neto, coordenador do Projeto D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o e Hiperatividade no Adulto (PRODATH) do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da USP \u2013 Universidade de S\u00e3o Paulo, em entrevista divulgada&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.neurociencias.org.br\/Display.php?Area=Textos&amp;Texto=Entrevista\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">neste site<\/a>.Conforme explica a neurologista Lais Pires, a causa do TDAH est\u00e1 relacionada a uma predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica \u2013 o que j\u00e1 foi comprovado atrav\u00e9s de estudos, inclusive com a an\u00e1lise comportamental de g\u00eameos univitelinos que viveram em ambientes separados e apresentaram, ambos, caracter\u00edsticas de TDAH \u2013 e tamb\u00e9m a fatores ambientais: beb\u00eas prematuros podem ter uma chance maior de apresentar o Transtorno, que nesse caso estaria relacionado ao sofrimento ao nascer.<br>A hiperatividade \u00e9 apenas uma das tr\u00eas principais caracter\u00edsticas associadas ao TDAH. As outras duas s\u00e3o a facilidade para se distrair e a impulsividade. Nas meninas, \u00e9 mais comum a forma do TDAH em que predomina a desaten\u00e7\u00e3o: elas parecem tranq\u00fcilas, e na sala de aula muitas vezes se mostram quietas, sem perturbar o ambiente como os meninos. No entanto, essa aparente calma esconde um pensamento que voa e se distrai com ele mesmo, e a falta de aproveitamento escolar \u00e9 refletida nas notas do boletim. J\u00e1 nos meninos \u00e9 mais comum a forma de TDAH que une a hiperatividade com a impulsividade, podendo ou n\u00e3o ser acompanhadas da tend\u00eancia \u00e0 distra\u00e7\u00e3o. O aparecimento das tr\u00eas formas juntas configura a forma mista de TDAH<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A dopamina, estimulante que ajuda a fixar a aten\u00e7\u00e3o, est\u00e1 presente em menor quantidade no c\u00e9rebro de quem apresenta o TDAH. Uma sensa\u00e7\u00e3o de prazer \u00e9 capaz de aumentar a produ\u00e7\u00e3o e o aproveitamento da dopamina pelo c\u00e9rebro \u2013 por isso quem tem TDAH, quando faz uma atividade de que gosta, \u00e9 capaz de se concentrar melhor nela do que numa outra que n\u00e3o lhe \u00e9 t\u00e3o apraz\u00edvel. Isso explica queixas constantes de pais com filhos agitad\u00edssimos e com dificuldade para se concentrar nos estudos, mas que se saem bem no videogame: enquanto a tecnologia evolui a passos largos e os est\u00edmulos nesse sentido se tornam cada vez maiores \u00e0s crian\u00e7as, a escola permanece no mesmo formato e se torna pouco atraente em compara\u00e7\u00e3o com outros est\u00edmulos. Apesar de o nome do Transtorno ser constitu\u00eddo da express\u00e3o \u201cd\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o\u201d, a Dra. Lais destaca que na verdade os portadores do TDAH t\u00eam \u201cexcesso de aten\u00e7\u00e3o\u201d. \u201cEles n\u00e3o conseguem evitar que os est\u00edmulos competitivos entrem naquele momento em que eles t\u00eam que prestar aten\u00e7\u00e3o numa outra coisa; \u00e9 como se fosse uma antena que estivesse captando interfer\u00eancias de outras\u201d, define. E n\u00e3o apenas fatores externos funcionam como est\u00edmulos: os pr\u00f3prios pensamentos tamb\u00e9m.<br>O ambiente agitado que marca os dias de hoje, com a grande quantidade de est\u00edmulos que o constituem, \u00e9 um fator que propicia a detec\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a do TDAH num indiv\u00edduo. Dra. Lais destaca que, em outros tempos, os est\u00edmulos eram menos variados e as possibilidades de \u201cperder o foco\u201d eram tamb\u00e9m menores. Com isso, menos casos eram observados. Com o passar dos anos, cada vez mais casos de TDAH t\u00eam sido reconhecidos por pais, professores e especialistas.<strong><br>Diagn\u00f3stico requer cuidado; tratamento \u00e9 indispens<\/strong>\u00e1<strong>vel<\/strong><br>Segundo a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria, o consumo de metilfenidato -anfetam\u00ednico potente usado no controle do TDAH, por agir aumentando a dopamina no c\u00e9rebro \u2013 passou de 23 kg em 2000 para 93 kg em 2003, no Brasil. \u00e9 comum crian\u00e7as com TDAH tomarem rem\u00e9dio com esse princ\u00edpio ativo para, entre outros fins, conseguir a concentra\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para evitar o baixo rendimento escolar. A partir de uma an\u00e1lise desse panorama, a psic\u00f3loga Helena Rego Monteiro acredita que esteja ocorrendo o que ela chama de \u201cmedicaliza\u00e7\u00e3o da vida escolar\u201d.<br>\u201cHoje, o que parece existir como \u00fanica op\u00e7\u00e3o \u00e9 a lente da biomedicaliza\u00e7\u00e3o querendo ensinar que n\u00e3o s\u00f3 o \u2018fracasso\u2019 do escolar e suas condutas disruptivas, mas a vida como um todo tem um determinado rem\u00e9dio, uma p\u00edlula. Hoje, n\u00e3o \u00e9 raro encontrar em mochilas escolares uma caixa de rem\u00e9dio dividindo o espa\u00e7o com o lanche, os cadernos e as canetas, dando-nos a impress\u00e3o de que, naturalmente, fazem parte do material escolar\u201d.<br>\u00c9 fato que muitas das ocorr\u00eancias comuns ao comportamento de algu\u00e9m que tem TDAH podem ser identificadas em pessoas que n\u00e3o t\u00eam o dist\u00farbio. E isso exige aten\u00e7\u00e3o. \u201cQuem, nos dias de hoje, n\u00e3o faz mais de uma coisa ao mesmo tempo, ou melhor, v\u00e1rias coisas ao mesmo tempo? Quem n\u00e3o sente medo, n\u00e3o sente uma demasiada tristeza em certos confrontos com as produ\u00e7\u00f5es de subjetividades do mundo contempor\u00e2neo? Ent\u00e3o somos todos desatentos, hiperativos, portadores do p\u00e2nico ou deprimidos?\u201d, questiona Helena, fazendo um alerta para que nem todos sejam taxados de TDAHs antecipada e equivocadamente.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"\" alt=\"www.polbr.med.br\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Para o cuidado necess\u00e1rio ao diagn\u00f3stico do TDAH, Dra. Lais tem uma defini\u00e7\u00e3o que segue \u00e0 risca: s\u00f3 existe transtorno quando h\u00e1 preju\u00edzo. \u201cTem pessoas que tiram partido da sua hiperatividade: elas conseguem fazer muitas coisas ao mesmo tempo e fazem bem. Ent\u00e3o n\u00e3o tem transtorno, elas vivem muito bem com a hiperatividade delas\u201d, diz, acrescentando que muitas vezes caracter\u00edsticas de TDAH existentes num indiv\u00edduo n\u00e3o t\u00eam efeito significativo em sua vida e especificando que o maior problema do TDAH \u00e9 atrapalhar as fun\u00e7\u00f5es executivas.<br>Nas crian\u00e7as, essas fun\u00e7\u00f5es seriam atividades do dia-a-dia como almo\u00e7ar ou tomar banho, por exemplo, que poderiam deixar de ser momentos simples para se tornar demorados ou complicados, mostrando a dificuldade \u2013 comum aos portadores de TDAH \u2013 de come\u00e7ar e terminar uma tarefa. Na escola, as fun\u00e7\u00f5es poderiam ser escrever uma reda\u00e7\u00e3o ou ler o enunciado de uma quest\u00e3o de prova. Muitas vezes quem tem TDAH se sai mal em testes simplesmente porque n\u00e3o teve paci\u00eancia de ler um texto at\u00e9 o fim. O grau de intelig\u00eancia que eles apresentam \u00e9 igual ao dos demais alunos, mas como seu desempenho passa a ser sempre baixo, eles se sentem desestimulados e mais uma vez a escola perde para uma s\u00e9rie de outras atividades mais interessantes em que eles se saem bem. \u00c0 medida que um indiv\u00edduo cresce, o grau de dificuldade das tarefas que ele precisa realizar tende a aumentar e, com isso, a frustra\u00e7\u00e3o por n\u00e3o terminar as atividades ou n\u00e3o obter sucesso ao realiz\u00e1-las tamb\u00e9m aumenta.<br>Dra. Helena questiona a maneira como \u00e9 feita a separa\u00e7\u00e3o entre crian\u00e7as \u201cnormais e anormais\u201d e acredita que \u201co pior efeito do TDAH para a vida de crian\u00e7as e adultos \u00e9 ser rotulado pelo saber-poder m\u00e9dico como um \u2018doente\u2019\u201d. A psic\u00f3loga explica que, para definir a exist\u00eancia do TDAH em indiv\u00edduos, os especialistas se baseiam em um manual, que ela n\u00e3o considera suficiente. \u201cA partir do manual seremos capazes de separar doentes e sadios, normais e anormais; poderemos identificar aqueles que desviam do padr\u00e3o. Nesse sentido, a pergunta que temos a fazer \u00e9: desviar do padr\u00e3o n\u00e3o \u00e9 bom para quem?\u201d<br>Dra. Lais conta que, antes de receitar rem\u00e9dio para um paciente, faz uma an\u00e1lise completa de como ele se comporta na escola, mas n\u00e3o se limita a isso. Ela tamb\u00e9m procura saber, atrav\u00e9s de relat\u00f3rios, como \u00e9 seu paciente em todos os outros ambientes de sua vida \u2013 em casa e em momentos de socializa\u00e7\u00e3o e brincadeiras, por exemplo. Somente quando constata que em todos os setores ele apresenta caracter\u00edsticas de TDAH ela tem certeza da exist\u00eancia do Transtorno e prescreve a medica\u00e7\u00e3o. Se o problema se verificar em apenas uma das \u00e1reas, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente, pois n\u00e3o se trata de TDAH e ent\u00e3o receitar metilfenidato seria um equ\u00edvoco.<br>Mara sempre achou Fernando diferente das outras crian\u00e7as, levou-o a v\u00e1rios m\u00e9dicos at\u00e9 se certificar do que tinha e concorda com a Dra. Lais, afirmando que os preju\u00edzos do TDAH s\u00e3o indiscutivelmente sentidos por ele em v\u00e1rios aspectos de sua vida. \u201cAp\u00f3s quase cinco anos em duas faculdades, Turismo e Hotelaria, e depois Design, em que cursa o quinto per\u00edodo, meu filho pensa em largar tudo novamente. Est\u00e1 tentando entrar no mercado de trabalho fazendo Auto-Cad, \u00e9 muito s\u00f3 e isolado, sofre muito com isso, e com todos os tratamentos que fez, ainda n\u00e3o se encontrou. Isso n\u00e3o \u00e9 invencionice\u201d.<br>Se ser taxado de \u201cdoente\u201d \u00e9 ruim, n\u00e3o ser diagnosticado e tratado pode trazer conseq\u00fc\u00eancias ainda piores para quem tem TDAH. O site da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de D\u00e9ficit de Aten\u00e7\u00e3o (ABDA) afirma que uma de suas grandes lutas \u00e9 que \u201co TDAH seja identificado num grande numero de crian\u00e7as e adolescentes que est\u00e3o enfrentando grandes dificuldades na vida acad\u00eamica, sem receber diagn\u00f3stico ou tratamento adequado\u201d. A associa\u00e7\u00e3o enfatiza ainda que, mesmo com o aumento de 940% das vendas de metilfenidato de 2000 para 2004, apenas 5% dos pacientes com TDAH no Brasil s\u00e3o tratados.<br>Um grande problema da atualidade seria o uso indevido do metilfenidato. Pessoas que n\u00e3o precisam de fato da subst\u00e2ncia, mas que sabem que o medicamento resulta num aumento de concentra\u00e7\u00e3o e poder de foco, t\u00eam recorrido a ele para render mais no trabalho ou conseguir dar conta, com sucesso, de um grande n\u00famero de atividades, press\u00f5es e responsabilidades.<br><strong>Para cada caso, um tratamento<\/strong><br>Conforme enfatiza a Dra. Lais, a neurologia, sozinha, \u00e9 capaz de tratar casos em que o TDAH se apresenta isolado de alguma outra condi\u00e7\u00e3o associada \u2013 as chamadas comorbidades. Para essas ocorr\u00eancias, uma medica\u00e7\u00e3o baseada em metilfenidato seria suficiente. No entanto, 2\/3 das pessoas que t\u00eam TDAH t\u00eam comorbidades, que exigem a associa\u00e7\u00e3o de tratamentos diferentes \u00e0 neurologia. Um transtorno de ansiedade, por exemplo, poderia ser acompanhado por uma terapia cognitivo-comportamental; o aparecimento de uma dislexia necessitaria do acompanhamento de uma fonoaudi\u00f3loga; transtornos afetivos de humor bipolar exigiriam o suporte de um psiquiatra e at\u00e9 de uma outra medica\u00e7\u00e3o.<br>Fernando representa um caso em que foi necess\u00e1rio associar tratamentos diferentes. Hoje um estudante universit\u00e1rio de 23 anos de idade, ele j\u00e1 fez onze de psicoterapia e cinco de terapia cognitivo-comportamental. S\u00f3 come\u00e7ou a tomar metilfenidato aos 16 anos de idade. Mara sentiu que o rem\u00e9dio, apesar de contribuir positivamente, n\u00e3o \u00e9 suficiente sozinho e serve a um prop\u00f3sito espec\u00edfico: ajud\u00e1-lo a se concentrar nas aulas.<br>Dra. Lais admite que o metilfenidato, apesar de geralmente ser bem tolerado, pode ter efeitos colaterais, mas somente enquanto a subst\u00e2ncia ainda estiver no sangue de quem a ingeriu. Inibi\u00e7\u00e3o do apetite \u00e9 geralmente o primeiro efeito, mas tamb\u00e9m pode ocorrer um aumento da emotividade em crian\u00e7as. Taquicardia e dor de cabe\u00e7a muito raramente aparecem. Associado \u00e0 perda de apetite est\u00e1 o temor dos pais quanto a problemas de crescimento geralmente ligados \u00e0 medica\u00e7\u00e3o. Na verdade, o que acontece \u00e9 que em algumas fases da vida de quem toma o rem\u00e9dio o crescimento fica menos acelerado do que poderia \u2013 mas a altura final do indiv\u00edduo n\u00e3o \u00e9 afetada, conforme explica a neurologista.<br>A especialista explica ainda que o risco de o medicamento aumentar o uso de drogas \u00e9 um mito que n\u00e3o procede, pois geralmente quem tem TDAH recorre \u00e0s drogas procurando al\u00edvio e fuga ap\u00f3s sofrer in\u00fameras e sucessivas frustra\u00e7\u00f5es, e o rem\u00e9dio serve justamente para ajudar a evit\u00e1-las e assim tamb\u00e9m diminuir a possibilidade de que as drogas sejam buscadas.<br><strong>TDAH em fam\u00edlia<\/strong><br>Segundo a neuropsiquiatra Tania Almeida, especializada no atendimento a fam\u00edlias que t\u00eam membros com TDAH, \u00e9 importante que os portadores do Transtorno e as pessoas que convivem com eles conhe\u00e7am a maneira como funcionam. \u201cO TDAH \u00e9 uma disfun\u00e7\u00e3o que se expressa por comportamentos peculiares que, se conhecidos, podem ser levados em conta pelo pr\u00f3prio portador \u2013 para criar mecanismos compensat\u00f3rios \u2013 e pelos que o cercam \u2013 para adequarem suas cobran\u00e7as e ampliarem suas manifesta\u00e7\u00f5es de reconhecimento pelo esfor\u00e7o que os portadores fazem para se adaptarem a determinadas exig\u00eancias sociais\u201d.<br>Uma dica \u00e9 evitar a cobran\u00e7a excessiva, valorizando o que \u00e9 realmente importante. \u201cEles (<em>os portadores de TDAH<\/em>), eventualmente, precisam de mais tempo e mais sil\u00eancio para fazerem exerc\u00edcios escolares e provas; precisam ser auxiliados a criar mecanismos compensat\u00f3rios para n\u00e3o esquecer, n\u00e3o perder, se organizar, se concentrar; precisam que n\u00f3s selecionemos dentre as mil e uma incorre\u00e7\u00f5es de seu comportamento, poucas para chamarmos aten\u00e7\u00e3o, sob pena de serem repreendidos ininterruptamente e ampliarem seu comprometimento no relativo \u00e0 auto-estima\u201d, alerta Tania.<br>A neuropsiquiatra enfatiza o quanto pode ser lucrativo o resultado de uma maior compreens\u00e3o do TDAH. \u201cPais e parentes esclarecidos, professores e cuidadores esclarecidos, portadores e amigos esclarecidos sobre o funcionamento da disfun\u00e7\u00e3o podem com ela lidar de maneira mais favor\u00e1vel, ajudando a sobressair as compet\u00eancias que esses indiv\u00edduos tamb\u00e9m t\u00eam \u2013 muitas vezes, especiais compet\u00eancias \u2013 e n\u00e3o as suas incompet\u00eancias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><br>Saiba mais:<\/strong><br><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/opiniaoenoticia.com.br\/?p=10245\" target=\"_blank\"><br>Mitos<\/a>&nbsp;sobre o TDAH<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"\" alt=\"www.polbr.med.br\"\/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Camila Leporace (Publicada em 2007 no site Opini\u00e3o &amp; Not\u00edcia, encerrado em 2020, recebeu o Pr\u00eamio Alexandre Adler de Jornalismo de Sa\u00fade &#8211; edi\u00e7\u00e3o 2007 e o Pr\u00eamio de Jornalismo <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/2018\/05\/03\/tdah-quando-nao-compreendido-um-transtorno\/\">Read More &#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[61],"tags":[],"class_list":["post-2193","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-premiadas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2193"}],"collection":[{"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2193"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2193\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2203,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2193\/revisions\/2203"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2193"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2193"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2193"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}