{"id":292,"date":"2017-02-07T09:27:16","date_gmt":"2017-02-07T12:27:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.camilaleporace.com.br\/?p=292"},"modified":"2017-02-07T09:27:16","modified_gmt":"2017-02-07T12:27:16","slug":"os-empregos-e-os-bichinhos-de-pelucia-da-maquina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/2017\/02\/07\/os-empregos-e-os-bichinhos-de-pelucia-da-maquina\/","title":{"rendered":"Os empregos e os bichinhos de pel\u00facia da m\u00e1quina"},"content":{"rendered":"<div class=\"article-banner-slate\">\n<figure style=\"width: 744px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"article-banner-image\" src=\"https:\/\/media.licdn.com\/mpr\/mpr\/AAEAAQAAAAAAAAhdAAAAJGE2MmE5MTJkLTY3ZDYtNDgxYS04ZjNkLWVmMjkwYjQ5NTJjYg.jpg\" width=\"744\" height=\"400\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">A temida m\u00e1quina de bichinhos e sua garra. Foto: Google Images<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Uma das minhas maiores frustra\u00e7\u00f5es na vida \u00e9 nunca ter conseguido pegar um bichinho de pel\u00facia, nunca um sequer, numa m\u00e1quina de brinquedos do tipo dessa a\u00ed da foto. Quando fui para Amsterd\u00e3, gastei muitas (n\u00e3o vou revelar quantas, tenho vergonha) moedas de um euro tentando pegar um Minion numa m\u00e1quina num parque a c\u00e9u aberto, achando que por estar na Europa de f\u00e9rias estaria imbu\u00edda de uma esp\u00e9cie de poder m\u00e1gico que iria, finalmente, quebrar o feiti\u00e7o e me deixar ter a alegria de capturar um bichinho.<\/p>\n<p>Mas nem l\u00e1 eu consegui.<\/p>\n<div class=\"slate-resizable-image-embed slate-image-embed__resize-middle\" data-imgsrc=\"https:\/\/media.licdn.com\/mpr\/mpr\/AAEAAQAAAAAAAAgtAAAAJDY5MmIxYjlkLWFkZjUtNGIzZS1hYzM4LTYyODM1Y2UxNjQ4MQ.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/media.licdn.com\/mpr\/mpr\/AAEAAQAAAAAAAAgtAAAAJDY5MmIxYjlkLWFkZjUtNGIzZS1hYzM4LTYyODM1Y2UxNjQ4MQ.jpg\" width=\"474\" height=\"269\" \/><\/div>\n<p>E por que estou aqui falando de m\u00e1quinas de bichinhos que mais parecem, ao menos para mim, m\u00e1quinas de tortura? Porque, brincadeiras \u00e0 parte, at\u00e9 hoje todas as vezes em que me propus a procurar um &#8220;emprego&#8221;, usando essa palavra e derivados, eu me senti assim, tentando pescar um brinquedo numa caixa transparente dessas. E a\u00ed quis compartilhar com voc\u00eas que cada vez menos gosto da palavra &#8220;emprego&#8221;, provavelmente porque esse \u00e9 o sentido que ela me traz. Vivemos tempos turbulentos e empregos (e bichinhos de m\u00e1quina) est\u00e3o escassos, mas o fato \u00e9 que essa palavra me incomoda e sempre incomodou, mesmo antes dessa crise em que muitos a minha volta est\u00e3o sem um&#8230; trabalho.<\/p>\n<h2>E o que \u00e9 emprego? E o que \u00e9 trabalho?<\/h2>\n<p>Isso, vamos falar em trabalho. Eu proponho isso, simplesmente porque as rela\u00e7\u00f5es de TRABALHO est\u00e3o mudando; o emprego, uma delas, est\u00e1 deixando de ser a \u00fanica para muita gente e vemos tantos exemplos de gente bacana empreendendo, reaprendendo, estudando, se reinventando, se virando, at\u00e9 do avesso. \u00c9 desses exemplos que penso que temos que tirar for\u00e7as quando o barco balan\u00e7a como tem feito. N\u00e3o acredito, mesmo que qui\u00e7\u00e1 sob o protesto de muitos, que a melhor forma de conseguir trabalho \u00e9 bradando aos quatro ventos: &#8220;Preciso de um emprego!&#8221;<\/p>\n<p>At\u00e9 porque, na verdade, a gente n\u00e3o precisa de um. A gente precisa de dinheiro, para pagar contas, e o emprego \u00e9 uma forma poss\u00edvel de conseguir isso, mas n\u00e3o a \u00fanica. A gente precisa de mais coisas, tamb\u00e9m. Que tal a satisfa\u00e7\u00e3o de <em>realizar<\/em> algo? De fazer algo que <em>gostamos<\/em> de fazer, e em que <em>acreditamos<\/em>? Consegui isso quando parei de pensar em emprego e pensei em trabalho. Sob press\u00e3o, conseguir pensar assim n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil. A vida manda sobreviver e a gente quer viver.<\/p>\n<h2>Que press\u00e3o.<\/h2>\n<p>Tenho pensado muito em como vivemos uma era de transi\u00e7\u00e3o, e em como estamos sendo <em>cobaias<\/em> nisso. Mas tamb\u00e9m tenho pensado que, como \u00e9 essa a mar\u00e9 e n\u00e3o tem outra agora, \u00e9 nela que temos que navegar, tomando as r\u00e9deas, assumindo o leme. E n\u00e3o h\u00e1 mal nenhum em tentar surfar, j\u00e1 que as ondas est\u00e3o a\u00ed, gigantes. Acho que parar de pensar em emprego e pensar em trabalho (e naquilo de que realmente precisamos: realiza\u00e7\u00e3o&#8230;) \u00e9 uma boa forma de come\u00e7ar a surfar.<\/p>\n<p>Um exemplo de como o trabalho pode acabar atraindo um emprego, ou mais trabalho e algum dinheiro, \u00e9 que uma vez me candidatei a ser volunt\u00e1ria numa empresa e, quando me procuraram, tinha certeza de que seria proposto para mim um trabalho sem retorno financeiro. Mas, para a minha surpresa, eles queriam me pagar para fazer o que eu tinha me voluntariado para fazer. E eu, claro, achei \u00f3timo, pois precisava trabalhar, precisava do dinheiro, apesar de ter topado at\u00e9 mesmo fazer sem que ele viesse, ao menos de in\u00edcio. E como eu consegui uma coisa dessas?<\/p>\n<h2>Certamente foi tentando.<\/h2>\n<p>Bom, eu tentei a sorte, acreditei mais em mim um bocadinho, escrevi um e-mail para uma pessoa que eu n\u00e3o conhecia me apresentando, enfim. Outra maneira de surfar as ondas deste oceano revolto: ousar. Ousei, e ousaria dizer que algumas das velhas regras de &#8220;etiqueta&#8221; da busca por trabalho (insisto nesta palavra) est\u00e3o antiquadas.<\/p>\n<p>Vale ser mais cara de pau agora? Eu acho que sim. Mais criativo? N\u00e3o tenho d\u00favida. Afinal, o que se tem a perder se j\u00e1 perdemos tanta coisa? Claro, existe bom senso para tudo. Mas me parece que o momento pede um pouco mais de destemor e desembara\u00e7o. \u00c9 preciso brilhar em meio a muitas pessoas, todas basicamente na mesma luta. O que traz mais duas necessidades: de solidariedade e a de colabora\u00e7\u00e3o. Mas essas eu acho que s\u00e3o bem-vindas sempre.<\/p>\n<h2>O pior medo \u00e9 o de mudar&#8230; o que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 bom<\/h2>\n<p>J\u00e1 estive desempregada, mas, sem trabalho, foram raras as vezes. Aprendi que, em tempos de desemprego &#8211; e sempre, na verdade &#8211; trabalhar \u00e9 \u00f3timo. Ainda que seja para si mesmo, estudando, aprendendo um idioma novo; num caf\u00e9 do amigo, servindo cookies e frap\u00eas; como volunt\u00e1rio; freelando, mesmo que ganhando pouco; investindo em algo que pode demorar a gerar frutos, enfim. \u00c9 dif\u00edcil lutar contra o des\u00e2nimo que um momento complicado traz, mas ser\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 mais dif\u00edcil ainda deixar que o \u00f3cio mal aproveitado se aproprie dos nossos c\u00e9rebros t\u00e3o ricos?<\/p>\n<p>O importante \u00e9, com o perd\u00e3o da brincadeira porque ningu\u00e9m \u00e9 de ferro, diante das dificuldades n\u00e3o se sentir como eu me sinto em rela\u00e7\u00e3o a esses bichinhos de m\u00e1quina. Ou seja, totalmente impotente! Entendo a necessidade de &#8220;pescar bichinhos&#8221; que todos n\u00f3s temos. Mas me parece bom pensar tamb\u00e9m em como criar as nossas pr\u00f3prias &#8220;m\u00e1quinas de bichinhos&#8221;, em como fazer para <em>ser as garras<\/em> e n\u00e3o depender delas, ou at\u00e9 deixar de querer (ou de ser?) bichinhos um dia, porque teremos algo ainda maior e melhor. E n\u00e3o h\u00e1 nada de mau nisso.<\/p>\n<p>At\u00e9 porque, em tempo: empregos j\u00e1 tive muitos, mas bichinhos de m\u00e1quina, at\u00e9 hoje, nenhum.<\/p>\n<div class=\"slate-resizable-image-embed slate-image-embed__resize-full-width\" data-imgsrc=\"https:\/\/media.licdn.com\/mpr\/mpr\/AAEAAQAAAAAAAAfTAAAAJGQ4NzZjYzUyLWM1ZjgtNDkyYS1hNDM3LWRjMzI3M2Q4NGJiNw.jpg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/media.licdn.com\/mpr\/mpr\/AAEAAQAAAAAAAAfTAAAAJGQ4NzZjYzUyLWM1ZjgtNDkyYS1hNDM3LWRjMzI3M2Q4NGJiNw.jpg\" \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das minhas maiores frustra\u00e7\u00f5es na vida \u00e9 nunca ter conseguido pegar um bichinho de pel\u00facia, nunca um sequer, numa m\u00e1quina de brinquedos do tipo dessa a\u00ed da foto. 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