{"id":420,"date":"2017-11-24T15:45:24","date_gmt":"2017-11-24T18:45:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.camilaleporace.com.br\/?p=420"},"modified":"2022-02-17T13:22:34","modified_gmt":"2022-02-17T13:22:34","slug":"nem-tudo-e-cerebro-no-reino-da-cognicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/2017\/11\/24\/nem-tudo-e-cerebro-no-reino-da-cognicao\/","title":{"rendered":"Nem tudo \u00e9 c\u00e9rebro no reino da cogni\u00e7\u00e3o&#8230;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/singularityhub.com\/2017\/10\/24\/neuroeducation-will-lead-to-big-breakthroughs-in-learning\/#sm.000114dqtxaj0ekhtc928iciszxlu\">Mat\u00e9ria publicada no site Singularity Hub<\/a> no final do m\u00eas passado aponta que vem sendo observada uma maior aten\u00e7\u00e3o \u00e0 neuroci\u00eancia associada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, o que poderia levar o campo a inovar nas pr\u00e1ticas educacionais. Em vez de continuar baseada em premissas tradicionais ou individuais sobre aprendizagem, a educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 come\u00e7ando a ser tratada como uma ci\u00eancia, diz o artigo, que cita o termo neuroeduca\u00e7\u00e3o (neuroeducation) como aquele que emerge dessa uni\u00e3o. A neuroeduca\u00e7\u00e3o, diz Raya Bidshahri, autora do texto, seria importante para aplicar o m\u00e9todo cient\u00edfico ao desenho do curr\u00edculo e \u00e0s estrat\u00e9gias de ensino, em um esfor\u00e7o de &#8220;entender a aprendizagem com base em evid\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>O artigo afirma que todas as habilidades humanas, entre elas a aprendizagem, s\u00e3o resultado da atividade cerebral. E se dedica a explicar as diversas influ\u00eancias dos estudos do c\u00e9rebro para a evolu\u00e7\u00e3o das an\u00e1lises relacionadas \u00e0 aprendizagem. Afirma, ainda, que o campo da neuroeduca\u00e7\u00e3o utiliza-se, al\u00e9m da neuroci\u00eancia, da psicologia e da ci\u00eancia cognitiva para gerar informa\u00e7\u00e3o para a educa\u00e7\u00e3o e fundamentar estrat\u00e9gias de ensino.<\/p>\n<p>Parece a\u00ed haver, de fato, grande inova\u00e7\u00e3o, ou a base para inovar. Afinal, a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem nada a perder olhando para os avan\u00e7os obtidos pela neuroci\u00eancia, muito pelo contr\u00e1rio, n\u00e3o vejo como haver separa\u00e7\u00e3o a\u00ed. Mas, o&nbsp;que o artigo n\u00e3o menciona \u00e9 o que vai al\u00e9m desse modo de ver a aprendizagem, que tem como foco o c\u00e9rebro como se ele reinasse absoluto nesse processo. E n\u00e3o reina? Talvez n\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>O c\u00e9rebro, o corpo e o ambiente<\/strong><\/h3>\n<p>Por mais que o c\u00e9rebro, \u00e9 claro, seja essencial para muitas habilidades humanas (mas qui\u00e7\u00e1 menos essencial do que imaginamos, para muitas delas &#8211; o que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o \u00f3bvio ou n\u00e3o t\u00e3o bem aceito assim), existe um grupo (grande e crescente, vale dizer) de cientistas cognitivos e fil\u00f3sofos dedicados a analisar a rela\u00e7\u00e3o entre as capacidades cognitivas, o c\u00e9rebro, o corpo (como um todo) e o ambiente em que estamos inseridos. E, nessa equa\u00e7\u00e3o, o c\u00e9rebro deixa de ser, digamos, o ator de um mon\u00f3logo, para se tornar um dos atores que &#8220;dialogam&#8221; para formar o nosso sistema cognitivo. Para os cientistas cognitivos e os chamados fil\u00f3sofos da mente, a mente \u00e9 constitu\u00edda pelo c\u00e9rebro, o corpo e o ambiente. Dentre eles, Andy Clark e David Chalmers est\u00e3o no grupo dos que v\u00e3o mais longe: defendem que as tecnologias desenvolvidas por n\u00f3s, humanos, tamb\u00e9m s\u00e3o constitutivas da mente, atuando como extens\u00f5es dela. Trata-se da teoria da mente estendida.<\/p>\n<h3><strong>O c\u00e9rebro, o corpo, o ambiente e a educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>E de que maneira as teorias cognitivas que, por assim dizer, amplificam a mente, ajustando a lente para tirar o m\u00e9rito absoluto do c\u00e9rebro e colocar o foco tamb\u00e9m sobre o corpo e o ambiente, influenciam no desenvolvimento da educa\u00e7\u00e3o? No m\u00ednimo, os pensadores que se dedicam a esses estudos nos levam a refletir sobre o fato de que tamb\u00e9m aprendemos com o corpo, ou fazendo uso das extens\u00f5es dele &#8211; como nossos smartphones, por exemplo, que atuam como a nossa mem\u00f3ria para muitas atividades e fun\u00e7\u00f5es; e aprendemos tamb\u00e9m a partir de nosso relacionamento com o ambiente, que influencia outras fun\u00e7\u00f5es cognitivas al\u00e9m da aprendizagem. Sem d\u00favida, tem muito o que ser analisado a\u00ed e isso \u00e9 assunto para muito al\u00e9m de um post (no m\u00ednimo, uma disserta\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o meu caso!).<\/p>\n<p>A neuroci\u00eancia \u00e9 uma grande parceira de pesquisadores como Andy Clark, que constr\u00f3i seus argumentos a partir do que \u00e9 desenvolvido e descoberto pelos cientistas dedicados a estudar o c\u00e9rebro. De forma alguma, Clark defende que o c\u00e9rebro deve ser deixado de lado; n\u00e3o! O c\u00e9rebro \u00e9 essencial para a mente; acontece que o \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico que deve ser levado em considera\u00e7\u00e3o nesse processo. Nem tudo se resume a neur\u00f4nios, podemos dizer assim! Por conta disso, esse fil\u00f3sofo da mente \u00e9 um excelente pesquisador para quem deseja aprender mais sobre o funcionamento humano &#8211; e sobre intelig\u00eancia artificial. Sim, sobre intelig\u00eancia artificial, por que n\u00e3o? Em breve escrevo sobre isso aqui no blog. Vou tamb\u00e9m falar sobre o&nbsp;pesquisador Hubert Dreyfus, autor de um livro chamado &#8220;Skillful Coping&#8221;, que \u00e9 uma obra altamente recomendada para quem est\u00e1 disposto(a) a desmontar aquilo no que acreditou at\u00e9 hoje, a respeito de como aprendemos e de como nos tornamos &#8220;experts&#8221; em alguma coisa&#8230;<\/p>\n<h3><strong>Meu &#8220;inc\u00f4modo&#8221;&nbsp;<\/strong><\/h3>\n<p>\u00c9 por isso que, quando leio algo que fala em inova\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o, hoje, sem mencionar esse aspecto da mente como sendo uma &#8220;parceria&#8221; entre o c\u00e9rebro, o corpo e o ambiente, fico incomodada. E tenho procurado saber mais sobre esse universo que considero fascinante e que acredito poder revelar muito sobre a nossa maneira de estar no mundo, apreend\u00ea-lo e aprender.<\/p>\n<h3><strong>Links<\/strong><\/h3>\n<p>Por ora, recomendo a leitura <a href=\"http:\/\/vrac.puc-rio.br\/cgi\/cgilua.exe\/sys\/start.htm?infoid=799&amp;sid=20\">desta \u00f3tima reportagem,<\/a>&nbsp;publicada no site da Vice-Reitoria para Assuntos Acad\u00eamicos da PUC-Rio, que traz falas do professor Ralph Bannell, meu orientador de mestrado, e da prof. Gilda Campos, com quem tive aulas este ano na PUC e que \u00e9 a coordenadora da CCEAD da PUC.<\/p>\n<p>Para quem nunca leu nada a respeito, que tal come\u00e7ar assistindo a um TED Talk com David Chalmers? Afinal, o smartphone \u00e9 parte de nossa mente? Assista a este v\u00eddeo bem-humorado com Chalmers &#8211; que, ainda que pare\u00e7a um roqueiro do Slayer, como algu\u00e9m comentou no YouTube, na verdade \u00e9 um dos autores da teoria da mente estendida, como mencionei.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"690\" height=\"388\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ksasPjrYFTg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" gesture=\"media\" allow=\"encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mat\u00e9ria publicada no site Singularity Hub no final do m\u00eas passado aponta que vem sendo observada uma maior aten\u00e7\u00e3o \u00e0 neuroci\u00eancia associada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, o que poderia levar o campo <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/2017\/11\/24\/nem-tudo-e-cerebro-no-reino-da-cognicao\/\">Read More &#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":422,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59,8,10,26],"tags":[],"class_list":["post-420","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cognicao","category-educacao","category-embodied-cognition","category-tecnologia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/420"}],"collection":[{"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=420"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/420\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2106,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/420\/revisions\/2106"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=420"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=420"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=420"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}