{"id":522,"date":"2017-12-09T13:01:19","date_gmt":"2017-12-09T16:01:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.camilaleporace.com.br\/?p=522"},"modified":"2017-12-09T13:01:19","modified_gmt":"2017-12-09T16:01:19","slug":"o-cerebro-que-preve-the-predictive-brain","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/2017\/12\/09\/o-cerebro-que-preve-the-predictive-brain\/","title":{"rendered":"O c\u00e9rebro que prev\u00ea (The Predictive Brain)"},"content":{"rendered":"<p>Segundo Anil K Seth, professor de neuroci\u00eancia cognitiva e computacional na Universidade de Sussex, o conceito do c\u00e9rebro como uma &#8220;m\u00e1quina que prev\u00ea&#8221; teria sido introduzido pelo matem\u00e1tico\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Hermann_von_Helmholtz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Hermann von Helmholtz<\/a> no s\u00e9culo 19 (veja <a href=\"https:\/\/aeon.co\/essays\/the-hard-problem-of-consciousness-is-a-distraction-from-the-real-one\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">neste artigo<\/a> dele sobre o &#8220;hard problem&#8221; da consci\u00eancia).<\/p>\n<p>O conceito, que ocupa lugar de destaque nos estudos do fil\u00f3sofo da mente Andy Clark, baseia-se na imagem do c\u00e9rebro humano como uma m\u00e1quina com diversas camadas capaz de realizar previs\u00f5es; sinais sensoriais s\u00e3o processados em m\u00faltiplos n\u00edveis neurais, que procuram predizer as informa\u00e7\u00f5es sensoriais em fluxo. Essas previs\u00f5es, inconscientes, nos preparam para lidar de forma r\u00e1pida e eficiente com a corrente de sinais vindos do mundo.<\/p>\n<p>Sendo assim, se o sinal sensorial que aparece \u00e9 o esperado, n\u00f3s vemos e ouvimos coisas que j\u00e1 come\u00e7amos a nos preparar para ver e ouvir, ou revelamos comportamentos que j\u00e1 come\u00e7amos a organizar. Mas, e se as coisas n\u00e3o saem como esperamos? A\u00ed, acontece o chamado sinal de erro de previs\u00e3o, que \u00e9 calculado em cada \u00e1rea e n\u00edvel de processamento neural, e revela que a previs\u00e3o que fizemos estava errada. O c\u00e9rebro \u00e9 convidado a tentar novamente, armado com informa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas que j\u00e1 incluem os novos erros. Dessa forma, o c\u00e9rebro est\u00e1 permanentemente tentando adivinhar a forma e a evolu\u00e7\u00e3o dos sinais sensoriais correntes, utilizando, para isso, o conhecimento armazenado do mundo.<\/p>\n<p>Essa forma de o c\u00e9rebro acoplar-se com o mundo pode nos ajudar em situa\u00e7\u00f5es corriqueiras, como quando, em uma festa lotada, na qual est\u00e1 tocando m\u00fasica em volume alto, algu\u00e9m chama nosso nome. Em meio a aqueles ru\u00eddos todos, conseguimos distiguir o chamado. Isso acontece, segundo a tese do <em>predictive brain<\/em>, porque o c\u00e9rebro usa informa\u00e7\u00e3o armazenada para realizar previs\u00f5es sobre a ocorr\u00eancia sensorial, e essas previs\u00f5es ajudam a separar o sinal do barulho, revelando-nos o que realmente interessa no vasto mundo que habitamos.<\/p>\n<h3><strong>Filosofia, ci\u00eancia e o c\u00e9rebro que prev\u00ea<\/strong><\/h3>\n<p>Andy Clark \u00e9 um fil\u00f3sofo que trabalha lado a lado com neurocientistas em busca de compreens\u00e3o sobre como funcionamos, agimos, pensamos, aprendemos. Na University of Edinburgh, em que ele d\u00e1 aulas, Clark realiza pesquisas junto a equipes dos laborat\u00f3rios de intelig\u00eancia artificial e rob\u00f3tica da universidade.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jCIL9gN7F2k\" width=\"480\" height=\"270\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Clark est\u00e1 envolvido tamb\u00e9m no projeto <a href=\"http:\/\/www.x-spect.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">X-SPECT<\/a>, no qual, junto a outros especialistas, desenvolve pesquisas para aprofundar a teoria do predictive brain, por meio de experi\u00eancias pr\u00e1ticas. O grupo parece estar buscando ampla divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica dos estudos, uma vez que criou <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/xspectconsciousness\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">p\u00e1gina no Facebook<\/a>, <a href=\"https:\/\/twitter.com\/_XSPECT\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">conta no Twitter<\/a> e um <a href=\"http:\/\/www.x-spect.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">site<\/a> bem did\u00e1tico.<\/p>\n<p>Clark \u00e9 muito ativo e escreve sem parar. Em <a href=\"http:\/\/www.theneuroethicsblog.com\/2017\/12\/neuroethics-predictive-brain-and.html?m=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">artigo recente<\/a>, ele discute poss\u00edveis quest\u00f5es \u00e9ticas advindas do <em>predictive brain<\/em>. De fato, dependendo do tipo de previs\u00e3o que o c\u00e9rebro fizer, com base em conhecimentos armazenados a partir de experi\u00eancias anteriores, as consequ\u00eancias podem ser bastante complicadas.\u00a0Ele usa como exemplo as estat\u00edsticas elevadas de homens negros baleados pela pol\u00edcia que acreditava que eles estavam armados, mas n\u00e3o estavam (mais <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2015\/04\/19\/opinion\/sunday\/when-a-gun-is-not-a-gun.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">nesta mat\u00e9ria<\/a>\u00a0do NY Times, citada por ele).<\/p>\n<p>O que acontece \u00e9 que estamos inseridos num cen\u00e1rio cheio de informa\u00e7\u00f5es distorcidas, que se transformam em sinais sensoriais errados para nossos c\u00e9rebros e podem resultar, assim, em a\u00e7\u00f5es desmedidas. Soma-se a isso a quantidade de preconceitos que armazenamos em nossa sociedade, e que contribuem para formular nossas &#8220;previs\u00f5es cerebrais&#8221;&#8230;<\/p>\n<h3><strong>Alucina\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/h3>\n<p>De certa forma, estamos &#8220;alucinando&#8221; o tempo todo, diz Clark. Para Seth, a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 uma &#8220;alucina\u00e7\u00e3o controlada&#8221; (ele diz: &#8220;In this view, which is often called \u2018<a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/10195184\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">predictive coding<\/a>\u2019 or \u2018<a href=\"http:\/\/www.fil.ion.ucl.ac.uk\/~karl\/Whatever%20next.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">predictive processing<\/a>\u2019, perception is a\u00a0<em>controlled hallucination<\/em>, in which the brain\u2019s hypotheses are continually reined in by sensory signals arriving from the world and the body&#8221;).<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e0 toa, quest\u00f5es \u00e9ticas nos rondam o tempo todo e, \u00e0 medida que avan\u00e7amos tanto na compreens\u00e3o de nossas pr\u00f3prias tecnologias corporais naturais como nas tecnologias inventadas, temos que ter ainda mais aten\u00e7\u00e3o a elas, al\u00e9m de continuar a luta para combater nossos pr\u00f3prios preconceitos.<\/p>\n<h3><em>Hard Problem<\/em> da consci\u00eancia<\/h3>\n<p>No artigo de Seth, da Universidade de Sussex, ele conecta o eterno <em>hard problem<\/em> da consci\u00eancia \u00e0 abordagem do <em>predictive brain<\/em>. Vale muito a leitura. Repetindo o link:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/aeon.co\/essays\/the-hard-problem-of-consciousness-is-a-distraction-from-the-real-one\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">The Real Problem &#8211;\u00a0\u00a0It looks like scientists and philosophers might have made consciousness far more mysterious than it needs to be<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>Imagem do post:\u00a0<a href=\"https:\/\/unsplash.com\/photos\/siImCpX0m1I?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Kaleb Nimz<\/a>\u00a0@\u00a0<a href=\"https:\/\/unsplash.com\/?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Unsplash<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo Anil K Seth, professor de neuroci\u00eancia cognitiva e computacional na Universidade de Sussex, o conceito do c\u00e9rebro como uma &#8220;m\u00e1quina que prev\u00ea&#8221; teria sido introduzido pelo matem\u00e1tico\u00a0Hermann von Helmholtz <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/2017\/12\/09\/o-cerebro-que-preve-the-predictive-brain\/\">Read More &#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":524,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,14],"tags":[],"class_list":["post-522","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-embodied-cognition","category-filosofia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/522"}],"collection":[{"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=522"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/522\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=522"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=522"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=522"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}