{"id":756,"date":"2018-06-23T18:34:20","date_gmt":"2018-06-23T21:34:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.camilaleporace.com.br\/?p=756"},"modified":"2020-08-05T21:03:46","modified_gmt":"2020-08-05T21:03:46","slug":"inteligencia-artificial-uma-face-obscura-dessa-tecnologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/camilaleporace.com.br\/index.php\/2018\/06\/23\/inteligencia-artificial-uma-face-obscura-dessa-tecnologia\/","title":{"rendered":"Intelig\u00eancia Artificial: uma face obscura"},"content":{"rendered":"<p>A euforia em torno da evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica no campo da <strong>intelig\u00eancia artificial<\/strong> n\u00e3o pode ser uma empolga\u00e7\u00e3o ing\u00eanua. A face obscura do brilhantismo dessa (r)evolu\u00e7\u00e3o existe, e demanda a nossa aten\u00e7\u00e3o. Os sistemas de intelig\u00eancia artificial, afinal, s\u00e3o feitos por seres humanos, e seres humanos cometem erros, in\u00fameros erros, que s\u00e3o reproduzidos pela <strong>I.A<\/strong>. \u00e0s toneladas, em poderosas escalas n\u00e3o-humanas. A solu\u00e7\u00e3o para treinar bem tais m\u00e1quinas que &#8220;pensam&#8221; come\u00e7a, justamente, no pensamento. Pensamento em torno da intelig\u00eancia artificial, pensamento em torno de aonde queremos chegar com as <strong>tecnologias cognitivas<\/strong>, pensamento acerca de quem nos torna(re)mos com tais evolu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Existem pessoas interessant\u00edssimas pensando em temas como esses, e os aplicando em seu trabalho. Ser\u00e1 que, ent\u00e3o, o desenvolvimento das tecnologias cognitivas pode gerar uma evolu\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria sociedade, levando-nos a rever certos conceitos e <strong>preconceitos<\/strong>? Essa seria, sem d\u00favida, uma excelente consequ\u00eancia do crescimento tecnol\u00f3gico, talvez o melhor cen\u00e1rio poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Uma das pessoas cujo trabalho \u00e9 movido por essas preocupa\u00e7\u00f5es \u00e9 australiana e se chama Kate Crawford; talvez voc\u00ea n\u00e3o consiga saber muito mais do que isso sobre ela &#8211; sua conta no LinkedIn N\u00e3o tem foto, apesar de reportagem no El Pa\u00eds trazer uma imagem dela &#8211; porque Crawford se preocupa com a dissemina\u00e7\u00e3o de seus dados na rede e o que pode ser feito deles. N\u00f3s tamb\u00e9m dever\u00edamos nos preocupar.<\/p>\n<p>N\u00e3o apenas a privacidade est\u00e1 no centro das aten\u00e7\u00f5es de Crawford, mas os vieses da sociedade que v\u00eam sendo reproduzidos pela intelig\u00eancia artificial. De que modo isso acontece? Ao treinarmos m\u00e1quinas, transferimos a elas todo o nosso preconceito, impresso nos padr\u00f5es que atribu\u00edmos aos sistemas para que se tornem &#8220;inteligentes&#8221;. &#8220;Esses padr\u00f5es t\u00eam um vi\u00e9s, reproduzem estere\u00f3tipos, e o sistema de intelig\u00eancia artificial os toma como verdade \u00fanica. Estamos injetando neles as nossas limita\u00e7\u00f5es, nossa forma de marginalizar&#8221;, disse Crawford ao El Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um risco apontado por <strong>Andy Clark<\/strong>, fil\u00f3sofo da mente e pesquisador da cogni\u00e7\u00e3o cujo trabalho venho acompanhando. Com um por\u00e9m: Clark destaca que preconceitos assim come\u00e7am a ser formados j\u00e1 em nossos c\u00e9rebros, que, conforme ele explica em seu livro &#8220;Surfing Uncertainty&#8221; (2016), funcionam a partir de in\u00fameras camadas de neur\u00f4nios respons\u00e1veis por fazer previs\u00f5es nas quais nos baseamos para viver e agir no mundo. Por exemplo, uma pessoa que vive em uma cidade violenta como o Rio de Janeiro, acostumada a ouvir not\u00edcias sobre balas perdias, assaltos \u00e0 m\u00e3o armada e tiroteios poderia se assustar ao ver algo que se parecesse com uma arma por baixo da blusa de certa pessoa, mesmo que se tratasse de um objeto qualquer; e as consequ\u00eancias de um erro assim podem ser, literalmente, fatais. Mais sobre a vis\u00e3o de Clark acerca desse tema pode ser lido <a href=\"http:\/\/www.camilaleporace.com.br\/2017\/12\/09\/o-cerebro-que-preve-the-predictive-brain\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">neste outro post que fiz sobre o assunto<\/a>, h\u00e1 alguns meses.<\/p>\n<p>Vale ler a <a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/06\/19\/actualidad\/1529412066_076564.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">entrevista com Kate Crawford no El Pa\u00eds<\/a>&nbsp;e dar uma olhada no site do <a href=\"https:\/\/ainowinstitute.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">AI Now Institute<\/a>, fundado por ela.<\/p>\n<p>Imagem do post:&nbsp;<a href=\"https:\/\/unsplash.com\/photos\/xL3xDwWx7_s?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Lux Interaction<\/a>&nbsp;@&nbsp;<a href=\"https:\/\/unsplash.com\/search\/photos\/virtual-reality?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Unsplash<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A euforia em torno da evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica no campo da intelig\u00eancia artificial n\u00e3o pode ser uma empolga\u00e7\u00e3o ing\u00eanua. 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