Pesquisa de Doutorado/PhD Research

Imagem: HalGatewood.com @ Unsplash

Situada no campo da filosofia da educação, minha pesquisa de doutorado procura contrapor a concepção de aprendizagem presente nos sistemas de aprendizagem de máquina, ou machine learning – vertente em destaque no campo da inteligência artificial hoje – com o conceito de aprendizagem que possivelmente emerge de abordagens não ortodoxas à cognição humana (abordagens que incluem o corpo, o ambiente, a intersubjetividade e as tecnologias como constitutivas da mente humana).

Parto da hipótese de que a “aprendizagem” – no contexto dos sistemas de machine learning, baseados em previsões e estatísticas, que estão sendo trazidos para o campo da educação para participar do dia a dia de aulas e avaliações de alunos e professores – não contempla aspectos fundamentais para as faculdades cognitivas humanas que emergem de uma parceria entre corpo, cérebro e ambiente.

A inteligência artificial tende a ser dualista, no sentido de limitar a concepção de aprendizagem ao cérebro, o que contribui para uma manutenção da cisão corpo-mente; já as novas perspectivas à cognição de que parto na tese são abordagens que buscam compreender e explicar as operações mentais de uma forma mais fluida, contextual. O conhecimento a atribuição de sentido ao mundo, a experiência e a estética, o sujeito que conhece e o objeto o qual ele conhece são considerados de uma maneira diferente das concepções tradicionais. Buscando superar dualismos, deixa de fazer sentido qualquer separação entre mente e corpo, uma vez que a mente só emerge a partir da própria atividade corporal do aluno (o ser cognoscente) no mundo.

Trata-se de um tópico que, se abordado pela filosofia da educação, pode contribuir para uma discussão não apenas sobre IA na educação, mas sobre a própria concepção de aprendizagem vigente na educação. A pertinência da aproximação entre a educação e a pesquisa em cognição, por sua vez, é fundamental, uma vez que a ciência cognitiva alimenta áreas como a psicologia e a antropologia, além da filosofia da educação e da pesquisa em tecnologias educacionais. Desse modo, deve-se considerar as novas abordagens à cognição em contraste com o paradigma cognitivista.


Situated in the field of philosophy of education, my doctoral research seeks to confront the concept of learning present in machine learning systems – a prominent strand in the field of artificial intelligence today – with the concept of learning that possibly emerges from non-orthodox approaches to human cognition (approaches that include the body, the environment, intersubjectivity, and technologies as constitutive of the human mind).

I hypothesize that “learning” – in the context of machine learning systems, based on predictions and statistics, which have been brought into the field of education to participate in the day-to-day classroom and student and teacher assessments – does not some of the fundamental aspects to human cognitive faculties. These dimensions emerge from an articulation between brain, body and environment.

Artificial intelligence tends to be dualistic, in the sense that it limits the conception of learning to the brain. This contributes to a maintenance of the mind-body split, whereas the new perspectives to cognition that I take into account in my research are approaches that seek to comprehend and explain mental operations in a more fluid, contextual way. Knowledge, the attribution of meaning to the world, experience and aesthetics, the subject that knows and the object he knows are considered in a different way from traditional conceptions. Seeking to overcome dualisms, any artificial detachment between mind and body no longer makes sense, since the mind only emerges from the student’s (the cognizer) own bodily activity in the world.

This is a topic that, if approached from the standpoint of philosophy of education, can contribute to a discussion not only about AI in education, but about the very conception of learning in education. The relevance of the approach between education and cognition research, in turn, is fundamental, since cognitive science feeds areas such as psychology and anthropology, as well as philosophy of education and research in educational technologies. Thus, one must consider new approaches to cognition in contrast to the cognitivist paradigm.