A IA generativa pode estar presente nos processos de aprendizagem de uma maneira que provoque a curiosidade, a criatividade, e incentive a autonomia do aluno? Como?
Para responder a essas perguntas, pode ser interessante olhar para a história das tecnologias na educação, em busca de caminhos feitos antes por pesquisadores que não se conformaram em adequar o ensino às inovações tecnológicas. Preferiram, de certa forma, fazer o contrário: posicionar essas inovações em prol do agente, o aluno, para que ele pudesse florescer no processo. Um desses pesquisadores inspiradores é Seymour Papert (imagem abaixo).

Foi Papert quem desenvolveu a linguagem LOGO, convocando a criança a programar a máquina, em vez do contrário. Essa inversão é importante para pensarmos sobre como tem sido a relação dos nossos estudantes com a IA generativa, e qual outro rumo essa relação poderia ter para sair do óbvio.
Afinal, na história das tecnologias educacionais, podemos perceber – em vários momentos – as tecnologias se limitando a colocar uma roupa nova sobre os velhos modos de ensinar e aprender. Elas chegavam prometendo grandes mudanças, mas continuavam promovendo a transmissão de conteúdo, que deixa de estimular o aluno a pensar por si mesmo. Esse foi o caso das antigas máquinas de ensinar de Pressey e Skinner, que abordo num artigo publicado em 2024 e também menciono na minha tese de doutorado.
Apesar desse histórico de repetições, a tecnologia na educação pode apoiar o aluno a desenvolver pensamento autônomo, assumindo uma postura de construção do próprio conhecimento em vez de se limitar à recepção e reprodução de informações. No trabalho que estou desenvolvendo com Claudio Pinhanez, focamos em buscar exemplos de como isso pode ser feito com a IA generativa.
Nosso objetivo é indicar possibilidades para além dos usos genéricos da IA generativa na educação, olhando para possibilidades que coloquem os educadores numa posição de criar com seus alunos e incentivá-los a ser mais criativos também, usando a IA generativa como um objeto a ser manipulado, testado, experimentado – como Papert sugeria com sua proposta construcionista.
O trabalho será apresentado pelo Claudio nesta sexta dia 14/8 às 15h no IV Encontro de Educadores do Século XXI – Inteligência Artificial e o Futuro da Educação, na Casa Firjan, no Rio de Janeiro.
O site do encontro contém todas as informações sobre como o evento está organizado, horários e salas das palestras e oficinas.