Neste texto lindo, o escritor americano de ficção científica Terry Bisson fala que a singularidade tecnológica, que esperamos que aconteça com a superação humana pela inteligência artificial, na verdade, já aconteceu; teria começado 500 anos atrás, com a descoberta da prensa.
Conheci Terry Bisson por meio de um texto dele que é citado na obra Mindware, de Andy Clark; o texto citado se chama “They’re made out of meat“. Em Mindware, Andy Clark, que é filósofo e cientista cognitivo, se propõe a traçar um panorama do que foram os últimos 40/50 anos de pesquisa na ciência cognitiva. O autor cita vários pensadores que contribuíram para a pesquisa na cognição nos últimos anos.
Segundo Clark, nos anos iniciais da pesquisa cognitiva, marcados pelo materialismo, o cérebro era comparado a uma espécie de máquina de carne (“meat machine”), em que pensamentos, sentimentos, desejos, medos, crenças e o intelecto seriam a operação desse cérebro, ou da máquina de carne em nossas cabeças. Eles seriam o “mindware”, em uma alusão ao software que roda em máquinas, ou em hardwares – portanto, o cérebro seria o hardware e o software a rodar nele seria o “mindware”; ou: o cérebro seria o “meatware”, o hardware, e a mente, o “mindware” estaria dentro dele, a rodar nele. (CLARK, 2011).
Com informações de:
http://www.terrybisson.com/ (Acesso em 29 de outubro de 2017)
CLARK, Andy. Mindware. New York: Oxford University Press, 2014.
Este final de semana ficará liberado, para quem quiser assistir na web, o filme “Nunca me Sonharam”. Dirigido por Cacau Rhoden, o filme foi lançado num formato diferente, que permite que seja conferido em sessões online. Das 10h do dia 12 de agosto às 11h do dia 14 de agosto, será possível assistir ao filme online. Este é o link para assistir. Será necessário, antes, fazer um cadastro aqui.
Sou, frequentemente, questionada sobre o que é exatamente e como funciona o trabalho de fazer conteúdo para a Web – o que é ótimo, pois não só demonstra interesse das pessoas como me abre a possibilidade de esclarecer para elas, entre outras coisas, que planejar e fazer conteúdo para a internet inclui escrever, mas não se restringe a isso.
Ao pensar o conteúdo de um site, é preciso avaliar a informação como um todo, a comunicação que aquele site deseja fazer, que tipo de impressão deseja despertar nos internautas e quais as perguntas do público que ele se prestará a responder. É preciso ainda pensar em caminhos, de preferência simples, que façam sentido para se chegar ao que se deseja no site, e isso tem tudo a ver com arquitetura da informação, usabilidade e acessibilidade, três inseparáveis companheiras. De que adianta um conteúdo maravilhoso, mas que ninguém encontra? É algo que tem tão pouca utilidade quanto um site visualmente lindo, mas sem conteúdo algum.
É fundamental que se conheça o público ao qual o site se destina. Quanto mais informação sobre esse público os webwriters, arquitetos da informação, designers e programadores tiverem, mais chances eles terão de desenvolver um site que de fato atenda aos internautas que o acessarem e que lhes dê aquilo que procuram e esperam. O valor disso é inestimável, considerando que estamos numa rede que, cada vez mais, distancia os clientes do conceito de fidelidade, diante das múltiplas possibilidades de escolha com as quais eles se deparam e da facilidade de, sem custos, simplesmente mudar de URL quando bem entendem. Para conseguir destaque na Web, é preciso estar atento e saber que quem manda é o internauta.
Quando se pretende avaliar a qualidade do conteúdo desenvolvido para um site, faz-se necessário verificar se o que é apresentado ali está sendo dito de uma forma que os internautas entendem e gostam. Avaliar se o conteúdo de determinado site está bem feito e bem organizado, se os caminhos estabelecidos pela equipe são fáceis de ser compreendidos pelos usuários, se o site é eficiente é um trabalho para o qual existem os testes de usabilidade, existe o bom senso e existem as métricas, também inseparáveis companheiras dos editores de conteúdo. As análises estatísticas e a interpretação certeira desses indicadores, dentro do contexto do site e das premissas que se pretende levar em consideração ao avaliá-lo, são eficientes na condução do conteúdo e no estabelecimento de diretrizes para o que se pretende apresentar aos internautas. As métricas mostram onde o site errou, onde acertou, o que pode ser melhorado e até o que pode e deve continuar como está.
“Achismo” não tem valor na Web, e nem é necessário. Os testes de usabilidade são de grande valia para que se evite lançar um site que não seja compreendido pelos internautas, que gere dúvidas e não incentive a navegação. Com estatísticas de fácil acesso e fácil compreensão, pode-se ter certeza de que o trabalho está bem feito, de que o conteúdo está categorizado e disponibilizado de uma forma que lhe permite ser encontrado no site e tem boa aceitação entre os internautas. Pode-se observar os caminhos dos visitantes e evitar que façam uma curva na hora errada, abandonando um portal de e-commerce pouco antes de finalizarem uma compra, por exemplo, ou deixando de ler parte de um texto simplesmente porque não a encontraram. A internet é um veículo que não só facilita esse retorno como pode ser imediata ao fornecê-lo. Não se pode esquecer de aproveitar esse aspecto da Web.
O mestrado em Educação tem sido essencial para a minha trajetória. Faço, aqui, um balanço do que foi este meu primeiro semestre por lá. Sou grata a tudo o que estou aprendendo, estudando. Mesmo que em muitos momentos pensar sobre a realidade da educação no Brasil doa e gere desgaste, porque ela é dura, se é.
Em Educação Brasileira, matéria obrigatória do currículo do mestrado (e do doutorado na PUC-Rio para quem não fez mestrado em Educação lá), as aulas foram organizadas em quatro grandes tópicos, que contribuíram para que tivéssemos contato com algumas das principais questões relacionadas às características, aos desafios e às potencialidades da educação, no Brasil. Confirmei algumas impressões, refutei outras; desenvolvi um olhar mais crítico sobre os temas debatidos; notei, em vários momentos, que estava enganada antes de me dispor a pensar a fundo sobre determinado assunto, ou ao menos pensei “como não havia refletido sobre isso dessa forma antes?”.
As discussões acerca do público e do privado na educação brasileira me tornaram mais consciente a respeito das escolhas que faremos enquanto educadores. Vivemos em um país que pouco valoriza a educação, e que se apoia no terceiro setor e no incentivo do setor privado para, por exemplo, desenvolver ações que podem se tornar políticas públicas. De que maneira vamos nos inserir nesse processo? É preciso ter conhecimento para tomar boas decisões. Ainda que tomemos decisões erradas, o embasamento é importante para sabermos nos posicionar, para entendermos quais os obstáculos que precisam ser driblados, para sermos realistas sem deixar de ser sonhadores – o que, no caso da educação, considero essencial.
Os debates sobre o currículo escolar me fizeram pensar sobre como, após 12 anos inserida no mercado de trabalho e afastada da Academia, eu relacionava educação sobretudo a instrução, pouco refletindo da forma devida sobre como é essencial ampliarmos essa formação. Qual o papel da escola? Por que é importante criar condições para que os alunos aprendam mais e com mais qualidade do que simplesmente seria exigido no mercado de trabalho? Por que é preciso pensar no que significa qualidade na educação? Porque, como educadores, ou comunicadores a serviço da educação, preparamos pessoas para serem, e não para estarem. Vejo o mercado de trabalho como o “estar”, enquanto “ser” nós somos integralmente, o tempo todo.
Se a escola prepara para ser e não para estar, eis o motivo central pelo qual vejo importância na busca por uma relação viva entre escola e família. Uma relação pautada por objetivos comuns, e maiores do que as limitantes demandas do mercado que mudam a todo momento e que, de tão voláteis, tornariam qualquer conhecimento obsoleto mais rápido do que se poderia perceber, se a escola fosse feita para criar profissionais. Complementa essa discussão a reflexão acerca do currículo escolar: o que se ensina? Para quem se ensina? Michael Young, especialista em currículo, quando fala do “conhecimento poderoso” que o currículo tem a responsabilidade de proporcionar, lembra que a pesquisa é essencial para os profissionais de educação, que a Academia e a prática devem caminhar cada vez mais juntas, que não há um currículo apenas mas vários, ainda que haja diretrizes, caminhos, impulsionados por um currículo comum. No Brasil, um país onde “cabem” vários países, esse é um grande desafio.
Além desses grandes tópicos em Educação Brasileira, pude me aprofundar nas políticas públicas relacionadas à Educação a Distância no Brasil. Como são feitas, para quem são feitas, de que maneira contribuíram para chegarmos onde estamos quando o assunto é EaD (que, aliás, muito me interessa). Interessei-me por estudar como os alunos de EaD se sentem, como estudam, como se relacionam com o conteúdo, com as ferramentas que utilizam. Escrevi, junto com colegas de turma e a minha professora, que também é minha orientadora, sobre cognição, metodologias ativas, o aluno do século XXI, o professor desse aluno.
Por fim, ainda mergulhei no universo da pesquisa, para ficar esperta na hora de fazer um artigo, e a dissertação. Aprendi a fazer uma boa revisão bibliográfica – o que parece fácil, mas não é nem de longe, na minha opinião.
Enfim, muitos conhecimentos acumulados em seis meses. Indico demais um mestrado a quem desejar embarcar em uma aventura de conhecimento, com muita, muita leitura e bastante dedicação.
Estou a mil e, como sempre, envolvida com muitos projetos e ideias. Desta vez, está para sair do forno um projeto meu voltado para o ensino de inglês de crianças, e gostaria da ajuda de vocês para uma pesquisa rápida. Fiz um questionário para entender melhor a demanda relacionada ao ensino de inglês para crianças. Quem puder responder e enviar a amigos para que respondam também, agradeço demais!
É com muita alegria que compartilho aqui em meu blog um novo projeto em que estou envolvida, como consultora em comunicação digital e em educação. Trata-se dos Young Yogis, iniciativa de uma amiga-irmã, Flavia Delcourt. Professora e pesquisadora experiente, ela oferece aulas de yoga para crianças onde mora, no Sul, mais precisamente na cidade de Rio Grande.
Por meio de sua página no Facebook, lançada esta semana, Flavia passará a comentar sobre os benefícios da prática do yoga, que muito contribui para o desenvolvimento das crianças e jovens. Falará sobre atividades relacionadas a essa filosofia, publicará inspirações e compartilhará reportagens ligadas ao tema.
A página surge como uma grande contribuição a todos que desejam entender melhor como essa prática milenar pode ser tão útil em dias turbulentos como os que vivemos neste intenso século XXI! Convido vocês a curtir e acompanhar: facebook.com/youngyogiss
A identidade visual foi desenvolvida por Zeca Leporace, que, além de trabalhos criativos de design digital, produz luminárias a partir de folhas descartadas de palmeiras – conheça mais sobre o projeto dele também em sua página no Facebook.
Divulguem essas iniciativas para os amigos! Afinal, vale a pena ajudar a fortalecer essa corrente de boas ideias!
Se você estiver querendo acessar um site com conteúdo pornográfico e cometer um erro de digitação da URL desse site, poderá acabar conhecendo a campanha criada pela ONG Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, em parceria com a agência brasileira Purple Cow.
A campanha foi criada para conscientizar as pessoas quanto à saúde mental e física da mulher na indústria da pornografia, algo que passa despercebido, mas que não deveria.
Isso acontece, por exemplo, se um internauta escreve www.pornaube.com. Ao fechar o vídeo que aparece, ele é direcionado para uma busca no Google pela “verdade por trás da indústria pornográfica”.
Vale conhecer a campanha e explorar alguns dos links. E compartilhar para que outras pessoas conheçam essa história, também.
Os sites que anunciam vagas estão explodindo de oportunidades para estagiários de Jornalismo. Mas empregos para formados, experientes, estão cada vez mais escassos. Penso: “Que os estudantes não se enganem achando que o mercado está super aquecido”. Mas esse meu pensamento não significa desânimo ou que eu desencorajaria alguém que está na faculdade de Comunicação, hoje. Muito pelo contrário.
Scarlett Johansson em “Scoop”
Eu só diria para ter atenção.
Para ser antenado, mas não decorando nomes de presidentes, ministros, governadores; não apenas sabendo a localização geográfica de cada país; não somente mandando bem no entendimento de crises econômicas e políticas. Diria para terem atenção ao mundo, num sentido mais amplo. Para ficarem de ouvidos e olhos bem abertos para tudo o que acontece, mesmo que esses “acontecimentos” não sejam considerados “notícias” como o “velho” jornalismo consideraria.
Diria que o que é notícia, aliás, pode estar mudando, junto com a profissão e com os trabalhos protagonizados por jornalistas. E lembraria que vale questionar o que seria notícia e o que não seria, hoje. Diria que o papel do jornalismo, e do jornalista, está se transformando, assim como o mundo em que vivemos – e que, então, é preciso preparar a prancha para surfar nessas ondas. Aprender a nadar, encher-se de coragem e ir ver o que é que há. Como um bom repórter, farejar as transformações, pensar sobre o futuro, e, acima de tudo, topar ser mais o que pergunta do que o que responde.
Se bem que isso não é novidade no papel fundamental de um jornalista. Talvez se o jornalismo tivesse continuado a fazer mais perguntas, empenhando-se em levantar questionamentos de qualidade, a profissão tivesse tomado um rumo diferente. Mas cabe a cada um de nós refletir. E resgatar as boas perguntas. E entender que quando elas são respondidas aparecem outras, e outras, e outras.
Isso me lembra que eu também recomendaria ao futuro jornalista que tivesse humildade.
Como o papel dos professores, por exemplo, o nosso está mudando, também. Antes emissor praticamente único de informação, o jornalista passou a dividir a função de informar com todas as pessoas nas redes sociais, em blogs, sites, em canais “não-profissionais”. Nas escolas, algo semelhante acontece com o professor, que de emissor inquestionável da informação passa a mediador, assumindo um papel mais horizontal em uma nova sala de aula em que os alunos também têm voz – e as discussões acontecem a partir de muitas, inúmeras fontes de informação.
Uma boa faculdade de Comunicação, como a que eu fiz, tem muito a acrescentar. Mas não se pode esperar sair dela para, enfim, entender o mundo e procurar seu lugar ao sol. Tudo se transforma a cada momento. E nós somos essa transformação.
Portanto, acompanhe isso. Seja parte disso.
Também diria aos estudantes: flexibilidade é palavra de ordem. Adaptação, também. Se você não gosta de mudanças, faça só uma, definitiva: pule fora da faculdade de Comunicação agora. Mas aí eu repensaria, e diria também: “Se bem que, em qualquer área profissional que você escolha, será necessário ser flexível e ter disposição para mudar”.
E agora uma coisa bem pragmática: se ainda há dúvidas, “mídias digitais” não são uma “área de atuação”. Não existe “gosto/não gosto de mídias digitais” ou “prefiro jornalismo esportivo do que trabalhar com digital”. Uma coisa não exclui a outra. Ou melhor, trabalhar com mídias digitais e não trabalhar com jornalismo esportivo pode acontecer, claro, mas trabalhar com jornalismo esportivo sem trabalhar com mídias digitais vai ser bem difícil. Se não gosta de mídias digitais, vou de novo recomendar que mude então agora. Mas para um outro planeta… pois aqui, como sabemos, elas estão para ficar!
Mudar é olhar para um rio sem conseguir ver a margem oposta. E é por isso que uma transformação exige tanta coragem. Temos que deixar o que já conhecemos para partir rumo ao que ainda nos é desconhecido, entendendo que o caminho, nesse momento, importa tanto quanto – ou mais – do que o destino (que ainda não sabemos 100% qual é).
É claro que mudar exige metas. Exige que pensemos onde estamos e para onde gostaríamos de ir. Onde nos projetamos, que nos imaginamos mais realizados? Por quê? Perguntas assim são essenciais, como um primeiro passo para mudar.
Não se trata, no entanto, apenas de traçar esses objetivos. Mudar exige um caminhar, dia após dia, por uma estrada que ainda não conhecemos, simplesmente porque ainda está para ser construída. – por nós mesmos. Mudar exige atitude e planejamento.
Planejar ajuda a reduzir a ansiedade.
Disposição para tomar decisões, e sabedoria para saber que é impossível acertar todas. Desapego para deixar o conforto para trás, em busca do que sacode, do que renova, do que no início pode parecer bastante desconfortável por ser estranho, árido, confuso, até. Mas que também pode ser incrível.
Com menos ansiedade, tomamos decisões mais conscientes, menos precipitadas.
Vontade de sair correndo para onde estava. Medo. Normal.
Precisamos seguir andando, seguir adiante, com medo mesmo. Ter medo é OK. Faça do medo um aliado. Use-o como amuleto: ele emite um alerta, e esse sinal nos torna mais atentos. Ótimo. Precisamos mesmo de atenção.
Muita gente vai dizer para desistir.
Normal. Mudar incomoda. Faz os outros pensarem: “fulano está mudando, será que tenho que mudar também?” (…)
Mas não pode desistir.
Porque quem começa a se transformar já conseguiu dar o primeiro passo, que é talvez o mais difícil. Não vale parar agora! Mesmo que ainda haja muito até a próxima margem. Não sabemos mesmo onde ela fica…
Pode ser então que já tenhamos passado da metade do caminho e estejamos já mais perto da margem do outro lado do que daquela que deixamos para trás.
Vai saber.
Não há ninguém além da nova versão de nós mesmos, na outra margem do rio.
E quem mais importante?
Mudar é uma jornada inesquecível de autoconhecimento, ponderação, ajuste de expectativas, encontros e incertezas deliciosamente aterrorizantes e incrivelmente engrandecedoras.
A temida máquina de bichinhos e sua garra. Foto: Google Images
Uma das minhas maiores frustrações na vida é nunca ter conseguido pegar um bichinho de pelúcia, nunca um sequer, numa máquina de brinquedos do tipo dessa aí da foto. Quando fui para Amsterdã, gastei muitas (não vou revelar quantas, tenho vergonha) moedas de um euro tentando pegar um Minion numa máquina num parque a céu aberto, achando que por estar na Europa de férias estaria imbuída de uma espécie de poder mágico que iria, finalmente, quebrar o feitiço e me deixar ter a alegria de capturar um bichinho.
Mas nem lá eu consegui.
E por que estou aqui falando de máquinas de bichinhos que mais parecem, ao menos para mim, máquinas de tortura? Porque, brincadeiras à parte, até hoje todas as vezes em que me propus a procurar um “emprego”, usando essa palavra e derivados, eu me senti assim, tentando pescar um brinquedo numa caixa transparente dessas. E aí quis compartilhar com vocês que cada vez menos gosto da palavra “emprego”, provavelmente porque esse é o sentido que ela me traz. Vivemos tempos turbulentos e empregos (e bichinhos de máquina) estão escassos, mas o fato é que essa palavra me incomoda e sempre incomodou, mesmo antes dessa crise em que muitos a minha volta estão sem um… trabalho.
E o que é emprego? E o que é trabalho?
Isso, vamos falar em trabalho. Eu proponho isso, simplesmente porque as relações de TRABALHO estão mudando; o emprego, uma delas, está deixando de ser a única para muita gente e vemos tantos exemplos de gente bacana empreendendo, reaprendendo, estudando, se reinventando, se virando, até do avesso. É desses exemplos que penso que temos que tirar forças quando o barco balança como tem feito. Não acredito, mesmo que quiçá sob o protesto de muitos, que a melhor forma de conseguir trabalho é bradando aos quatro ventos: “Preciso de um emprego!”
Até porque, na verdade, a gente não precisa de um. A gente precisa de dinheiro, para pagar contas, e o emprego é uma forma possível de conseguir isso, mas não a única. A gente precisa de mais coisas, também. Que tal a satisfação de realizar algo? De fazer algo que gostamos de fazer, e em que acreditamos? Consegui isso quando parei de pensar em emprego e pensei em trabalho. Sob pressão, conseguir pensar assim não é nada fácil. A vida manda sobreviver e a gente quer viver.
Que pressão.
Tenho pensado muito em como vivemos uma era de transição, e em como estamos sendo cobaias nisso. Mas também tenho pensado que, como é essa a maré e não tem outra agora, é nela que temos que navegar, tomando as rédeas, assumindo o leme. E não há mal nenhum em tentar surfar, já que as ondas estão aí, gigantes. Acho que parar de pensar em emprego e pensar em trabalho (e naquilo de que realmente precisamos: realização…) é uma boa forma de começar a surfar.
Um exemplo de como o trabalho pode acabar atraindo um emprego, ou mais trabalho e algum dinheiro, é que uma vez me candidatei a ser voluntária numa empresa e, quando me procuraram, tinha certeza de que seria proposto para mim um trabalho sem retorno financeiro. Mas, para a minha surpresa, eles queriam me pagar para fazer o que eu tinha me voluntariado para fazer. E eu, claro, achei ótimo, pois precisava trabalhar, precisava do dinheiro, apesar de ter topado até mesmo fazer sem que ele viesse, ao menos de início. E como eu consegui uma coisa dessas?
Certamente foi tentando.
Bom, eu tentei a sorte, acreditei mais em mim um bocadinho, escrevi um e-mail para uma pessoa que eu não conhecia me apresentando, enfim. Outra maneira de surfar as ondas deste oceano revolto: ousar. Ousei, e ousaria dizer que algumas das velhas regras de “etiqueta” da busca por trabalho (insisto nesta palavra) estão antiquadas.
Vale ser mais cara de pau agora? Eu acho que sim. Mais criativo? Não tenho dúvida. Afinal, o que se tem a perder se já perdemos tanta coisa? Claro, existe bom senso para tudo. Mas me parece que o momento pede um pouco mais de destemor e desembaraço. É preciso brilhar em meio a muitas pessoas, todas basicamente na mesma luta. O que traz mais duas necessidades: de solidariedade e a de colaboração. Mas essas eu acho que são bem-vindas sempre.
O pior medo é o de mudar… o que já não está bom
Já estive desempregada, mas, sem trabalho, foram raras as vezes. Aprendi que, em tempos de desemprego – e sempre, na verdade – trabalhar é ótimo. Ainda que seja para si mesmo, estudando, aprendendo um idioma novo; num café do amigo, servindo cookies e frapês; como voluntário; freelando, mesmo que ganhando pouco; investindo em algo que pode demorar a gerar frutos, enfim. É difícil lutar contra o desânimo que um momento complicado traz, mas será que não é mais difícil ainda deixar que o ócio mal aproveitado se aproprie dos nossos cérebros tão ricos?
O importante é, com o perdão da brincadeira porque ninguém é de ferro, diante das dificuldades não se sentir como eu me sinto em relação a esses bichinhos de máquina. Ou seja, totalmente impotente! Entendo a necessidade de “pescar bichinhos” que todos nós temos. Mas me parece bom pensar também em como criar as nossas próprias “máquinas de bichinhos”, em como fazer para ser as garras e não depender delas, ou até deixar de querer (ou de ser?) bichinhos um dia, porque teremos algo ainda maior e melhor. E não há nada de mau nisso.
Até porque, em tempo: empregos já tive muitos, mas bichinhos de máquina, até hoje, nenhum.