Como a série “The Crown” pode contribuir para a nossa discussão sobre educação?

No episódio (muito bem) intitulado “Scientia Potentia Est”, da primeira temporada de The Crown*, série disponível no Netflix, a jovem rainha Elizabeth se dá conta de que talvez não esteja preparada como deveria para a função que precisa exercer. Educada para ser uma “princesa”, Lilibet, para os íntimos, não teve acesso à mesma escola das crianças e jovens “comuns”.

Com os soviéticos testando a bomba de hidrogênio e contando com um Primeiro-Ministro (Winston Churchill) e um Secretário de Assuntos Estrangeiros (Anthony Eden, que viria a ser o sucessor de Churchill) doentes, a rainha se vê às voltas com questões que não lhe acendem nenhuma fagulha na mente, uma vez que em sua educação formal fora privada de estudar matemática, física, filosofia, literatura, história e afins.

Preocupada com sua (falta de) educação, Elizabeth II – que viu sua figura se popularizar instantaneamente após a transmissão televisionada de sua coroação, num episódio incomum para os idos anos 50 e que mostra que ela viveu rupturas desde o início de seu reinado – pede que lhe seja arranjado um tutor. Ao professor, dá a missão de lhe ajudar a recuperar o que considera “tempo perdido”. Quer ser preparada para as questões e situações que tanto se ligam aos fatos históricos que ela se absteve de conhecer durante os anos em que deveria ter ouvido sobre isso nos bancos da escola.

Impossível não associar a angústia da rainha às questões atuais que pautam os debates sobre educação no mundo – ao menos para quem se vê debruçada sobre o assunto, como é o meu caso. Para que estamos educando as nossas crianças? Que preparo a escola formal é atualmente capaz de dar a elas, num mundo que caminha para a total digitalização, mas também carente de tantas coisas que um dia foram abundantes? Estamos preparando os jovens para o mundo em que eles vão viver, e que mal podemos prever como será? E nós, que vivemos hoje, fomos preparados para o que viria agora? E para educar os nossos jovens?

Por outro lado, a rainha acaba descobrindo que sua educação veio a lhe ser, sim, muito útil. Falha e insuficiente, talvez; inútil, não. Lilibet foi apresentada à Constituição muito jovem, e se aprofundou nos estudos de cada linha do documento – conhecimento que lhe veio a ser indubitavelmente útil, por exemplo, diante da necessidade de ser dura com o Primeiro-Ministro Churchill e deixar claro que ele nunca deveria ter lhe escondido a verdade sobre sua saúde; afinal, assim ele impediu que a rainha cumprisse com sua obrigação de garantir a atuação do (bom e saudável) governo.

E o que a constatação da rainha Elizabeth quanto ao valor de seus conhecimentos sobre a Constituição, ou a ausência de conhecimentos sobre guerras, conflitos, vitórias, fórmulas, filósofos e teorias tem a nos dizer? Talvez signifique que uma boa proposta, nesta turbulenta fase de transição em que vivemos, seja o equilíbrio entre o que se ensina hoje na escola, o que precisa ser ensinado e a forma de ensinar. Rever a forma de ensinar matérias, a conexão entre os assuntos, entre o passado e o presente; levar os alunos a perceber a utilidade daqueles conhecimentos.

Parece um bom caminho o da descentralização da sala de aula – que é, na verdade, uma tendência natural, não o resultado de uma decisão. Esse processo tem levado o o aluno a pensar mais, assumindo menos verdades como absolutas, questionando mais. O estudante precisa ser incentivado a pesquisar e a tirar as coisas a limpo por si mesmo, estímulo que deve partir de professores – cujo papel está mudando sensivelmente. É necessário ensinar a aprender, para que se aprenda a aprender, mais e mais, continuamente. Aprender, afinal, está e estará cada vez mais na pauta urgente de todos nós.

A forma, esta também precisa ser repensada, pois é sempre a melhor companheira do conteúdo, que, como dizemos, é o “rei”. Forma e conteúdo criam uma equação capaz de resultados surpreendentes. É o que sempre defendo quando explico os princípios da arquitetura da informação a quem se interessa em saber mais sobre os assuntos com os quais eu lido em meu cotidiano de trabalho. O que seria do conteúdo digital sem a arquitetura de informação?

Não há tempo para aprofundar esse tema aqui, o texto já está extenso demais. E o relógio faz tic-tac. Aliás, no episódio, a rainha tem alguns dias para entender – sem a ajuda do Google! – o básico do aparato militar até que se dê seu encontro com o então presidente americano Eisenhower. Para Lilibet, o futuro chegou sem pedir licença e mudou a ordem do dia, ou da lição. Para nós, não é diferente.

*Comecei a assistir a série incentivada pelo excelente artigo da jornalista Natalia Soares, publicado no LinkedIn e intitulado “O que a rainha da Inglaterra pode nos ensinar sobre trabalho”. Trabalhando com educação, não pude deixar de fazer links com os assuntos que povoam minha mente, e este artigo me surgiu à cabeça quase que completo ao assistir ao sétimo episódio. Agradeço à Natalia por ter me chamado a atenção para a série e por ter publicado o artigo, afinal, o meu não existiria sem o dela!

English Spoken! – Dicas para praticar inglês

Nas conversas com amigos, o tema tem vindo à tona: “Poxa, inglês é sempre exigido em vagas de emprego, mesmo para aquelas que nem são para cargos tão altos”. Pois é. O inglês é algo que todos nós temos que saber. Muitas vezes, o nível “instrumental” acaba servindo para o dia-a-dia. Mas, quanto melhor soubermos, melhor para nós.

Sempre fui apaixonada pela língua inglesa e, por conta disso, estudar inglês sempre foi natural para mim. Sou muito curiosa com o idioma. Comecei a estudar aos oito anos de idade e não parei mais, pois mesmo depois de terminar o curso do BRASAS continuei ouvindo, lendo, escrevendo e me atualizando, para evitar a perda da fluência e porque gosto.

Recentemente, descobri algumas ferramentas online que quis compartilhar por aqui, pois vivo recomendando para as pessoas que conheço, e as considero excelentes para ajudar a melhorar a pronúncia, aguçar os ouvidos e ampliar o vocabulário. Há também dicas para se preparar para provas e para dar aulas em inglês. Estão listadas abaixo, junto com outras dicas que me vieram à cabeça e não são necessariamente ferramentas online. Se tiverem outras, I appreciate se puderem postar nos comentários 😉 Também conheço excelentes professores de inglês, posso indicar para quem entrar em contato por mensagem.

1. FutureLearn

O site FutureLearn tem cursos gratuitos excelentes. Bem-estruturados, interessantes, com navegação intuitiva, são ministrados por diversos parceiros diferentes. Para o aprimoramento da língua inglesa, há uma série de cursos como “English for the Workplace” e o curioso “Exploring English: Shakespeare”, do British Council; um curso da University of Reading de redação de textos acadêmicos para iniciantes; cursos para quem dá aulas em inglês, como este de Cambridge voltado para professores de matérias como Matemática, História ou Ciências. Há diversos outros, basta fazer uma busca por ENGLISH ou usar este link aqui para acessar a busca que fiz.

2. Aplicativo BBC English Listening

Esse app disponível para Android ou iOS é ótimo para apurar os ouvidos, com destaque para o entendimento do inglês britânico. Oferece diálogos de seis minutos entre uma dupla, que fala rápido, como numa conversa real, mas com algumas inserções sobre vocabulário em que os participantes param para explicar sobre alguns vocábulos mencionados. Geralmente, os temas são leves e atuais, o que torna agradável ouvir os diálogos e não deixa essa atividade ficar maçante. Eu costumo ouvir no ônibus, na rua, na praia, enquanto cozinho em casa, enfim, em qualquer lugar ou situação.

3. Aplicativo Duolingo

O aplicativo, também em versões Android ou iOS, oferece cursos de inglês gratuitos, em pílulas diárias de 5 a 20 minutos, que são como metas que você estabelece para si mesmo e pode ajustar quando quiser. Tem teste de nivelamento para quem quiser começar a usar.

4. Livros para ouvir

Se você vai ler um livro e ele foi escrito originalmente em inglês, por que não se aventurar a ler a obra em sua língua mãe? Melhor ainda se puder fazer isso com livros digitais. Um e-book comprado para o Kindle, por exemplo, pode ser lido e ouvido ao mesmo tempo. Basta, para isso, você baixar o app do Kindle para o seu celular (Android ou iOS). Os livros que você comprou estarão lá, e os que tiverem áudio você poderá ouvir enquanto lê. Maravilha para a prática do idioma. Quando não puder ler e ouvir ao mesmo tempo, você pode também só ouvir o livro, onde quer que esteja.

5. O hábito de ter o inglês como idioma primário em tudo

Bom, esta não é exatamente uma ferramenta, é uma dica, e na verdade tem gente que sei que não vai gostar dela. Mas o fato é que tenho o hábito de deixar tudo meu – programas de computador, Netflix, e-mail, qualquer ferramenta online – com o idioma inglês como default. Não deixa de ser mais uma ajudinha, pois mantém a gente em contato com o inglês mais ainda do que já rola no nosso dia-a-dia tão influenciado por países em que a língua é nativa.

6. O hábito de falar com todo mundo

Sou aquela que não pode ver um gringo que puxa conversa só para treinar o inglês. Informações na rua? É comigo mesmo. Brincadeiras à parte, considero a vergonha a pior inimiga da prática do idioma. Liberte-se. Fale com quem você tiver a oportunidade de falar. Ouça com atenção, esforce-se em fazer o seu melhor para responder. Que mal há em errar? Melhor do que ficar calado e não aprender nada. E, além disso, todo mundo comete erros.

7. A série The Crown

É claro que assistir filmes em inglês em geral, ainda mais sem legendas ou com legendas em inglês, ajuda a treinar o idioma, aumentar o vocabulário e conhecer expressões idiomáticas. Mas, já que vamos fazer isso, sugiro fortemente a série The Crown (A Rainha), disponível no Netflix. Porque é maravilhosa e tem mil oportunidades de praticar o inglês com o sotaque bonito dos britânicos, sejam os da realeza ou súditos!

8. Os artigos do New York Times, BBC, qualquer site de notícias originalmente escrito em inglês

Ler notícias em inglês é bacana porque você acaba lendo sobre coisas sobre as quais já sabe algo, se você for minimamente bem-informado! Assim, com o contexto já conhecido, pode ficar mais tranquilo seguir adiante nas leituras e ampliar o vocabulário sem ter que parar para verificar o significado das palavras toda hora (tem gente que acha isso bem chato). Além de notícias, é claro que qualquer site de assuntos que interessem a gente pode ser legal para treinar, conhecer histórias bacanas e aprender novas palavras.

Pense antes de compartilhar

No documentário Eis os delírios de um mundo conectado (Lo And Behold: Reveries of the Connected World), de Werner Herzog, que assisti no Festival do Rio, um pai de família dá um depoimento dizendo que nunca mais teve uma noite de sono em paz depois que chegaram ao seu e-mail imagens do acidente de carro que matou sua filha, e que ele não presenciou. 

O pai guardava na mente uma certa imagem, já difícil de lidar, é claro, da cena pela qual a menina teria passado ao morrer, formulada a partir de uma autópsia. Mas ele recebeu uma foto em seu e-mail e a cena era outra, muito mais dramática. Ele teve a vida arruinada pela perda da filha e, depois, por essas imagens, que muito circularam e acabaram encontrando o infeliz destino da caixa eletrônica dele.



 
Pensei: para que esse conteúdo foi passado adiante? E por quê?

Foi quando eu estava pensando sobre esse assunto que, procurando por um determinado TED no YouTube, encontrei a palestra de Monica Lewinsky. Nunca tinha assistido a esse TED em que ela se abre e conta a história sob o seu ponto de vista, finalmente. A história que tanta gente se achou no direito de disseminar, ao custo da contínua humilhação sofrida por ela. E, enquanto o assistia, ia fechando alguns circuitos em minha cabeça que haviam sido abertos.


Se você nunca viu o TED Talk de Monica, assista abaixo. [ Mas sugiro que pense antes de se referir a ela como você deve ter se referido durante todo esse tempo. Mude o aposto, ou passe a falar somente o nome dela 😉 ]


Escrevi recentemente um artigo em que mencionava isso, mas, mais uma vez, repito: a internet somos nós.

Somos nós que temos  poder de clicar. De compartilhar. De repercutir. De aceitar ou não aceitar certos conteúdos. De ajudá-los a se fortalecer, contribuindo para que sejam mais visualizados, compartilhados, espalhados; para que, com isso, rendam dinheiro e estatísticas favoráveis a alguns e humilhação, desgraça e tristeza a outros. 


Também somos nós que temos o poder de denunciar ou de interromper um ciclo. Cada um pode ser aquele que mata um conteúdo. Cada um pode ser aquele que decide que dali aquele conteúdo não passa. Opta-se, assim, por passar adiante algo que em nada contribuirá positivamente, que só tende a espalhar dor, exclusão, humilhação e, muitas vezes, pode acabar inclusive incitando crimes, em vez de ajudar a reduzir sua incidência.


Não vou, aqui, listar conteúdos que considero terem esse perfil ou esse potencial. Vale cada um, ao se deparar com um deles, pensar sobre o que faz, escreve, comenta, compartilha. Na vida e na internet, que também – e cada vez mais – é a vida.


Pense antes de comentar, antes de compartilhar, antes de dar ´Like´. Aproveite e conheça o projeto da Monica, no Twitter pela hashtag .







O LinkedIn somos nós!

Muitas pessoas, sabendo que sou heavy user do LinkedIn, me perguntam sobre a rede – como usar, se vale a pena, quais as verdadeiras vantagens como rede social, se dá para conseguir emprego por ela, entre diversas outras questões. O LinkedIn não me conquistou de cara. Houve um processo até que eu me rendesse aos seus encantos – e aprendesse a usá-lo –  e muitas melhorias foram implementadas pelo time de desenvolvedores, também, desde que criei minha conta lá, em 2009, se não me engano.

Com 15 milhões de usuários brasileiros – estamos atrás apenas dos EUA e da Índia, segundo dados da Wikipedia – o LinkedIn tem tudo para ser um facilitador de bons contatos, um ambiente para boas trocas e, a partir daí, passar a ajudar mais diretamente na conquista de um emprego, um trabalho como consultor, uma participação em um projeto. Mas, como acontece em qualquer rede social, fazê-la prosperar depende essencialmente dos usuários que estão ela.

Por isso a empatia é tão importante antes de divulgar qualquer coisa em uma rede social. Pense antes de postar: eu gostaria de receber essa atualização? Ela tem relevância para mim, dentro do conjunto de informações que eu associo a este ambiente – um espaço destinado à vida profissional e acadêmica, ao networking, ao desenvolvimento de habilidades? De que maneira esse conteúdo poderia ser útil a mim, ou poderá ser relevante para quem se deparar com ele?

Pensemos antes de postar

Nos tempos em que vivemos, vida pessoal e profissional se misturam talvez mais do que nunca. E, diante dessa fusão, separar o que é de relevância para uma e outra pode se tornar mais difícil. Mas não é tão difícil assim intuir que pode não ser relevante para o pessoal que te acompanha no LinkedIn saber das últimas fofocas envolvendo um ator ou uma atriz, por exemplo – coisa que já considero bem irrelevante para qualquer outra rede social, mas não vou entrar nesse assunto no momento.

Às vezes, o assunto tem relevância, mas ela depende da forma como ele é colocado. Por exemplo, se alguém está muito feliz com uma recolocação e quer dizer a todos o quanto está radiante, poderia acrescentar ao post dicas para se conseguir um emprego, sites interessantes que divulguem vagas, ou algum aspecto de seu processo de recolocação que sirva de orientação para quem está precisando. Usei aqui a palavra “orientação” em vez de “inspiração” porque, sim, acho que podemos tentar ser mais racionais – ou mais práticos – e menos emotivos no LinkedIn.

Mas vivemos um momento de crise, no Brasil, onde já somos normalmente mais calorosos e informais, e por isso sempre haverá posts do tipo “desabafo” ou “consegui!”. Porém, eles podem contar com uma dose maior de informação. Ou podem ser publicados, alternativamente, no Facebook, por exemplo. Até porque, teoricamente, lá estão nossos amigos pessoais, que torcem por nós e para que sempre estejamos bem, empregados, felizes. Esperamos que todos no nosso LinkedIn também pensem assim, mas… talvez não exista tanta intimidade com as pessoas que estão na sua rede do LinkedIn, então para que compartilhar algo pessoal e carregado de emoção? Vale refletir.

Considero também importante, antes de postar no LinkedIn, buscar destacar um aspecto interessante sob o ponto de vista dos bastidores daquilo, caso o assunto não seja diretamente ligado  ao mundo profissional ou à educação e ao desenvolvimento. Será que o espaço para chamar as pessoas para visitar um festival, por exemplo, seria LinkedIn, ou outra rede funcionaria melhor para isso? Pode ser mais interessante, no LinkedIn, falar sobre como o evento foi pensado e construído, quais os obstáculos encontrados no caminho e quanto se trabalhou até que ele fosse lançado, por exemplo.

Pensemos antes de compartilhar

Essa máxima sempre valeu, para qualquer rede social. E vale mais ainda para o LinkedIn, na minha opinião. Quantas vezes compartilhamos um link sem que ele seja nem clicado antes? Será que a informação é atual? Será que o link está funcionando? Pode estar quebrado. Pode se referir a algo antigo. Pode já ter sido compartilhado tantas vezes que deixou de ser novidade. Para que entulhar a rede de conteúdos já bombardeados repetidas vezes? Se promovemos esse bombardeio, somos nós que depois temos que fazer um esforço para encontrar agulha no palheiro – ou aquilo que desejamos em meio a tanta informação com pouca relevância.

Vamos escrever

O LinkedIn tem um ótimo recurso, o Pulse, que é como um grande blog em que todos podem postar suas opiniões, ideias. Ele é talvez a ferramenta mais interessante desta rede social. É possível ler textos em diversas línguas, sobre diversos assuntos. Alguns, aparentemente, não têm a ver com o mundo do trabalho, mas têm a ver, entre outros mil assuntos, com mídia, com direitos autorais, com marketing, com o meio ambiente – temas que acabam esbarrando com a vida profissional de todos nós.

O Pulse é uma oportunidade para publicarmos, abrirmos tópicos para debates, produzirmos conteúdo. O conteúdo mais relevante é aquele que é novo, que acabou de sair da cabeça e dos dedos do seu autor. Está fresco, pronto para ser comentado, compartilhado. Por menos compartilhamentos sem leitura prévia, por mais textos cheios de novidade e opiniões bem construídas e fundamentadas! Por mais artigos em primeira mão! Vamos aproveitar para escrever, vamos comentar sem julgar, criticar sem ofender e criar conteúdo de relevância. É isso que torna a internet boa, afinal!

Cada um constrói a sua rede

O LinkedIn pode ajudar a construir uma rede, mas é ilusório pensar que ele é a sua rede. Isso meio que vale para todas as redes sociais, né? Quem é que mantém amigos de verdade somente tendo-os no Facebook? Ou conhece a fundo o trabalho de uma instituição apenas seguindo-a no Twitter?

Fazer networking não significa ir colecionando nomes de seguidores e contatos. O LinkedIn é uma ferramenta para nos ajudar a construir em torno de nós uma boa rede de pessoas com interesses comuns ou complementares aos nossos, acompanharmos seus projetos, trocarmos ideias, fortalecermos discussões. Acaba sendo, em algum momento, útil para pedir uma indicação, uma ajuda para uma vaga. Mas, se pensarmos que esse não é objetivo final e nem o único, o LinkedIn adquire múltiplas funções e pode ser muito mais versátil, sem perder a identidade.

Cursos online 

Você conhece a plataforma de cursos online do LinkedIn? A Lynda, comprada pelo LinkedIn em 2015 (saiba mais), tem uma enorme variedade de cursos sobre diversos temas, como Search Engine Marketing, Redes Sociais, Excel, Final Cut, gamificação, java, enfim, uma infinidade de assuntos ligados a uma série de áreas. O recurso somente está disponível para contas Premium, até onde sei, mas os cursos não são cobrados individualmente.

Seja na Lynda ou em outra plataforma – a FutureLearn também é excelente, além da Coursera e tantas outras – é sempre bom desenvolver habilidades e ter contato com assuntos novos.

O bom senso prevalece

No final das contas, acredito que o que vale é o bom senso, pois é com ele que vamos preservar este espaço e todos os outros, on ou offline.

Sonia Livingstone: jovens do século XXI podem não ser tão ´conectados´ assim

Tive o prazer de entrevistar uma das pesquisadoras de que eu mais admiro no mundo da educação para o século XXI: Sonia Livingstone, da LSE, de Londres

Sonia tem um trabalho bastante voltado para a relação entre crianças e o mundo em que vivemos, a mídia, a internet, a carga de informações que recebem diariamente. Ela também se destaca pela dedicação a temas ligados à segurança no meio digital.

Sonia Livingstone, ao lado do especialista Julian Sefton-Green, realizou uma pesquisa que a levou a passar um ano convivendo com um grupo de adolescentes de uma escola londrina nos diversos locais por onde eles passam. O objetivo era observar esses jovens, suas interações com o mundo, a escola, os adultos e entre si, seja utilizando meios off ou online. Entender seus sonhos, expectativas, sua maneira de fazer escolhas. 

Para quem imagina os jovens como pessoas reclusas, imersas em seus smartphones, incansáveis players de games online, ou para quem pensa que as interações online acontecem automaticamente sempre que há uma oportunidade, os resultados trazem conclusões que podem ser surpreendentes. Sonia e Julian escreveram um livro a partir da pesquisa, que conta em detalhes a vivência com o grupo de estudantes. Intitula-se “The Class: Living and Learning in the Digital Age“, e pode ser lido online.

A entrevista que eu fiz com Sonia resultou em reportagem publicada no Porvir, que traz alguns destaques interessantes do trabalho deles. 

Estamos falando de pessoas [It´s all about people]

—  Português —

Comecei esta semana a ler o livro escrito pelo professor Sugata Mitra, intitulado “Beyond the Hole in the Wall“, que seria “Além do buraco no muro”, em tradução livre (é muro, e não parede, porque assim foi feita a experiência dele, com muros em comunidades de baixa renda). Ainda estou no comecinho, mas já que vi que Mitra promete desvendar muitos dos mitos relacionados à inserção da tecnologia nos processos educacionais.

Por exemplo, logo no primeiro capítulo ele afirma que recursos como os slides do PowerPoint e a tela de um projetor não foram criados para ser usados em sala de aula, como uma maneira de transformar a experiência de aprendizagem. Eles já existiam, dentro do contexto de atender às demandas de executivos em empresas, e passaram a ser oferecidos às escolas pelas empresas responsáveis por vendê-los, após elas se darem conta de que a educação seria seu próximo grande mercado.  Uma crítica contundente, que faz pensar, e que faz todo o sentido.

De fato, na minha avaliação é bastante complicado “encaixar” recursos da tecnologia como esses no contexto da educação de uma maneira que de fato faça diferença no cotidiano dos alunos. Na verdade, muito provavelmente é impossível que algo assim, e feito dessa maneira, tenha relevância para o aprendizado. A tecnologia, na verdade, é apenas uma das bases das transformações pelas quais a educação vem passando.  E ela precisa ser pensada e projetada para cada necessidade. Não dá para simplesmente trazer recursos criados para outras finalidades para o contexto educacional e esperar que haja qualquer mudança profunda a partir disso.

No centro de está a inovação e, acima de tudo, estamos falando de pessoas. O que funciona é o que melhor atende às necessidades das pessoas, da forma mais rica possível. Falamos muito sobre isso no Amplifica, encontro que reuniu educadores Google no Rio de Janeiro sábado passado e para o qual fui convidada pelas organizadoras. Muito grata pelo convite, aliás! Foi uma super oportunidade de conhecer pessoas com empolgação e preocupações semelhantes às minhas, com relação à educação.

beyond

— English —

This week I started reading Sugata Mitra´s Beyond the Hole in the Wall for my Kindle. I´m still in the beginning of the book, yet already noticed the professor´s willingness to demystify many of the concepts usually linked to the uses of technology in the learning context.

Already in the first paragraph, Prof. Mitra argues that resources like Power Point slides and LCD projectors weren´t originally developed for the educational context, as a way of transforming the learning experience. Indeed, they were developed to be used by executives at work. Nevertheless, now these devices´ sellers try to sell the same resources to a new and profitable “market” they´ve discovered, the educational market.

Indeed, in my view, it is quite complicated to make technology resources like these “fit” in the learning processes needs, in a way that really makes a difference to the students´ lives. I would venture to say it is impossible that something like that occurs. Technology, as a matter of fact, is one of the foundations of the transformation which learning has been going through. And it needs to be thought of exhaustively, as well as designed according to the education´s needs. We can´t simply bring to the learning context resources that were created for another purpose and then expect them to result in a relevant, deep change to the learning process.

Innovation is the core of the learning process transformation. And, above all, it is about people. What works is that which meets people´s needs in the richest, most fun and more efficiently way. This was one of the main topics of “Amplifica”, an event that brought together educators from Google and from all over Brazil to talk over education to which I was invited. I immensely appreciate the invitation. It was a great opportunity to meet people as excited and concerned with education as I feel I am.

Amplifica Rio acontece dia 19

No sábado, dia 19 de novembro, acontece no Rio de Janeiro o Seminário Amplifica, organizado pelo Google Innovators e Google Educação. O seminário terá como palco o colégio São Paulo, em Ipanema, e focará nas discussões envolvendo tecnologias digitais e educação e nos desafios enfrentados pelos educadores em meio a essa transformação.

O encontro será uma oportunidade para entender o uso das ferramentas Google na educação, por meio de palestras ministradas pelos próprios Googlers – entre eles, as coordenadoras do evento, Carla Arena e Samara Brito. Para ver todos os palestrantes, acesse este link. Para se inscrever, acesse https://www.sympla.com.br/amplifica-rio__90745

E nos vemos no #amplificaRio!

Sonia Livingstone: jovens do século XXI podem não ser tão ‘conectados’ assim

Tive o prazer de entrevistar uma das pesquisadoras que mais admiro no mundo da educação para o século XXI: Sonia Livingstone, da LSE, de Londres

Sonia tem um trabalho bastante voltado para a relação entre crianças e o mundo em que vivemos, a mídia, a internet, a carga de informações que recebem diariamente. Ela também se destaca pela dedicação a temas ligados à segurança no meio digital.

Sonia Livingstone, ao lado do especialista Julian Sefton-Green, realizou uma pesquisa que a levou a passar um ano convivendo com um grupo de adolescentes de uma escola londrina nos diversos locais por onde eles passam. O objetivo era observar esses jovens, suas interações com o mundo, a escola, os adultos e entre si, seja utilizando meios off ou online. Entender seus sonhos, expectativas, sua maneira de fazer escolhas. 


Para quem automaticamente imagina os jovens como pessoas reclusas, imersas em seus smartphones, incansáveis players de games online, ou para quem pensa que as interações online acontecem automaticamente sempre que há uma oportunidade, os resultados trazem conclusões que podem ser surpreendentes. Sonia e Julian escreveram um livro a partir da pesquisa, que conta em detalhes a vivência com o grupo de estudantes. Intitula-se “The Class: Living and Learning in the Digital Age“, e pode ser lido online.


A entrevista que eu fiz com Sonia resultou em reportagem publicada no Porvir, que traz alguns destaques interessantes do trabalho deles. 

Histórias que marcam e inspiram a educação (e a vida)

Recentemente, tive o imenso prazer de entrevistar a diretora da Escola Municipal Professor Souza Carneiro, que fica na Penha, Rio de Janeiro. Antes de entrevistá-la, não tinha noção do tamanho da surpresa que teria ao ouvir sua história. Cada vez mais amo esse aspecto da vida de jornalista: ouvir as pessoas e o que elas tem para contar. Isso enriquece, alimenta, nos lembra que o mundo é tão, tão maior do que imaginamos.

Eliane Ferreira tem 30 anos atuação na educação, 20 dos quais dedicados à gestão. Mesmo assim, ao chegar à Souza Carneiro, ela também teve uma surpresa. Encontrou uma escola marcada por um estigma e cercada de pessoas que, por um hábito já arraigado, acabavam sendo o principal fator a reforçá-lo. A escola era conhecida como “Carandiru” em 2012. No ano passado, 2015, foi reconhecida pelo MEC como uma instituição inovadora e criativa. O resultado veio após um trabalho de muito amor, paciência, dedicação e coletividade.

Foto do prof. Marcel Maciel

Publiquei uma matéria no Porvir sobre a escola, contando a história de reconstrução que a levou a se reerguer. A repercussão está sendo muito gratificante. Fico muito feliz, pois a história de Eliane, do professor Marcel Maciel, dos alunos e de toda a comunidade envolvida  na instituição merece ser conhecida e reconhecida por muitos. Foram eles que a fizeram deixar o estigma para trás, e se tonar um espaço de aprendizagem prazeroso de onde os alunos não têm pressa para sair e que fazem questão de conservar. Trabalhar com educação no Brasil demanda uma dedicação imensurável, um trabalho de absoluta atenção, pesquisa e perspicácia. Exige renovar o olhar a cada dia, se envolver em discussões, abrir a mente e o coração. São exemplos como o da Souza Carneiro que mantêm essa roda girando, e que inspiram outras histórias incríveis pelo Brasil e pelo mundo afora.

Para ler a história toda e se inspirar também, acesse a matéria no Porvir 

Educação ambiental: Eden Project promove a sustentabilidade

Em 2008, eu estava trabalhando em um projeto do British Council voltado para a conscientização de crianças e adolescentes quanto às questões ambientais. Tive, na ocasião, a oportunidade de conhecer o fascinante Eden Project, que fica no condado de Cornwall, região sudoeste da Inglaterra. 
 
Trata-se de um complexo formado por estufas enormes, que simulam dois biomas – Mediterrâneo e Floresta Tropical – e abrigam milhares de plantas de todos os lugares do mundo. Do lado de fora das estufas, outras espécies vegetais originárias da Inglaterra podem ser apreciadas pelo público. No Eden Project, o conceito de reciclagem é levado a sério e tudo é reaproveitado
 
Há alguns meses, entrei no site do projeto para ver o que estava acontecendo por lá. Encontrei roteiros de aulas que fogem do convencional, para professores que tenham interesse em levar os temas ambientais aos seus alunos e que estejam dispostos a uma nova abordagem. Como entusiasta da inovação na educação, compartilhei a informação no LinkedIn, uma vez que na rede há muita gente em busca de bons exemplos de ruptura capazes de resultar em novos modelos. Clique aqui para ler meu artigo sobre o Eden publicado lá.
 

Hoje, o Porvir publicou reportagem minha sobre o projeto. Clique aqui para ler a matéria.