Ser humano não está fora de moda…

Indicações de leituras

Artificial intelligence in education – Report of the Special Rapporteur on the right to education, Farida Shaheed (UNESCO)

AI is creating a divide between teachers and students

Marco referencial de competências em IA para professores da UNESCO

When the prompting stops: exploring teachers’ work around the educational frailties of generative AI tools

Das atividades à avaliação: como a IA apoia a personalização do ensino

Máquinas de ensinar analógicas: as precursoras da inteligência artificial na aprendizagem (Camila Leporace)

The Smiling Girl, the Serious Boy, and the Teaching Machines (Audrey Watters)

Calculating and Powers: Interview with Kate Crawford – It is urgent today to look at AI for what it is: a system based on chains of resource exploitation that are not always transparent


Tese Camila Leporace – MACHINE LEARNING E A APRENDIZAGEM HUMANA – Uma Análise a Partir do Enativismo

South Korea slows down on AI education

Nomes da IA

Marvin Minsky

Kate Crawford

Hubert Dreyfus

Herbert Simon

BF Skinner

Vídeos

Paradoxo de Moravec

Teaching Machines / Máquinas de Ensinar de Skinner – https://www.youtube.com/watch?v=vmRmBgKQq20

Livros

Algoritmosfera – A cognição humana e a inteligência artificial (Camila Leporace)

What Computers Can’t Do (Hubert Dreyfus)

Natural-Born Cyborgs (Andy Clark)

The Promise of Artificial Intelligence (Brian C. Smith)

Tecnologia Do Ensino (B. F. Skinner)

Entrevista comigo

Nuvem de palavras e sentimentos

Screenshot

100 perguntas sobre IA, inovação e desafios para a educação

100 PERGUNTAS SOBRE IA NA EDUCACAO

  1. O que os professores temem perder ao adotar ferramentas de IA na educação?
  2. Por que tantos educadores sentem que a IA pode substituir seu papel em sala de aula?
  3. Como é o medo de se tornar “irrelevante” diante de tecnologias tão avançadas?
  4. A IA ameaça o valor da experiência humana no ensino?
  5. Os professores têm medo de que suas vozes não sejam ouvidas nas decisões sobre tecnologia na escola?
  6. O que sentimos quando somos chamados a usar algo que não entendemos completamente?
  7. Por que a IA parece mais difícil ou distante do que outras tecnologias que já usamos?
  8. Como o medo de errar ao usar IA afeta a disposição dos professores em experimentar?
  9. O que está por trás da sensação de “não estou preparado” para lidar com IA?
  10. Será que o medo de não acompanhar as inovações tecnológicas é também o medo de perder espaço no mundo?
  11. Os professores têm medo de que a IA dite o que e como ensinar?
  12. Como a sensação de perda de controle sobre os processos pedagógicos se conecta ao medo da IA?
  13. A IA vai interferir na liberdade de ensinar com sensibilidade e criatividade?
  14. O medo da vigilância digital está presente quando falamos de IA na educação?
  15. Quem decide como a IA será usada na escola — e isso gera medo nos professores?
  16. A IA vai enfraquecer o vínculo humano entre professor e aluno?
  17. Os professores têm medo de que os alunos fiquem mais dependentes da tecnologia do que da mediação humana?
  18. Como lidar com o medo de que os alunos usem a IA para “burlar” o aprendizado?
  19. O uso da IA pode diminuir a formação ética, emocional e crítica dos estudantes?
  20. O que os professores sentem quando percebem que os alunos sabem mais sobre IA do que eles?
  21. E se eu não conseguir acompanhar essa revolução?
  22. O que significa ser um bom professor num mundo com IA?
  23. Como posso continuar sendo relevante sem me transformar em algo que não sou?
  24. Existe espaço para a sensibilidade humana em um cenário educacional mediado por algoritmos?
  25. Quem serei eu como profisisonal daqui a cinco anos?
  26. Quem sou eu como profissional após a popularização da IA?
  27. O que acontece com a minha identidade como professor quando sinto que a IA faz o que eu faço?
  28. E se a minha forma de ensinar não for mais valorizada num mundo cada vez mais automatizado?
  29. Como posso preservar o que é essencial no meu trabalho diante de tantas mudanças tecnológicas?
  30. O que me torna insubstituível como educador — e será que isso ainda importa?
  31. O que significa ensinar quando máquinas também “ensinam”?
  32. E se eu não souber usar essas ferramentas e parecer “ultrapassado”?
  33. Como posso enfrentar o medo de me expor ao erro diante dos alunos e colegas?
  34. Por que me sinto inseguro ao falar de algo que os alunos dominam melhor do que eu?
  35. O que me impede de experimentar, mesmo sabendo que errar faz parte do processo?
  36. Como confiar em uma tecnologia que não conheço profundamente?
  37. A IA vai reforçar desigualdades ou ajudar a superá-las?
  38. Quem garante que a IA não vai manipular, excluir ou distorcer o processo educativo?
  39. Posso confiar em decisões pedagógicas tomadas por algoritmos?
  40. E se a IA começar a ditar o ritmo, o conteúdo e o formato das minhas aulas?
  41. O que acontece com a escuta, o olhar, o cuidado, quando uma máquina entra na sala?
  42. A IA pode compreender a complexidade de um aluno como o ser humano entende?
  43. Como manter o afeto, a presença e o vínculo num ambiente mediado por algoritmos?
  44. Será que os alunos vão valorizar menos o professor humano com a presença da IA?
  45. Como proteger o espaço do encontro humano na escola digitalizada?
  46. Quais as decisões envolvidas em uma pedagogia que incorpora IA?
  47. Como auxiliar escolas na adoção da IA com ética e criatividade?
  48. O medo que sinto é só meu ou é parte de algo maior que precisa ser discutido coletivamente?
  49. Onde estão os professores nas conversas sobre o futuro da educação com IA?
  50. Qual o meu papel na educação agora?
  51. O medo pode me ajudar a inovar ou só me paralisa?
  52. O que nenhuma IA consegue fazer como um professor humano?
  53. Como a presença de um professor transforma uma experiência de aprendizagem?
  54. Em tempos de IA, por que o olhar do professor ainda é tão necessário?
  55. Que tipo de aprendizagem só acontece quando há um vínculo entre professor e aluno?
  56. Como se cria um vínculo entre professor e aluno?
  57. A IA pode reforçar vínculos entre professores e alunos?
  58. Para além do conteúdo, o que a escola oferece que a IA não pode replicar?
  59. Como a escola humaniza a experiência de aprender em uma era cada vez mais digital?
  60. O que se perde quando pensamos a educação apenas como transmissão de informação?
  61. A escola deve resistir ou se adaptar à lógica dos algoritmos?
  62. O que significa usar IA sem perder a centralidade do humano no processo educativo?
  63. Qual o meu papel no sentido de ajudar a promover a IA na educacao mas mantendo o humano no centro?
  64. Que lugar a escola deve ocupar nas decisões sobre o uso ético da IA?
  65. Que lugar uma empresa de tecnologias e soluções educacionais ocupa na promoção da IA na educação de forma humanizada?
  66. Como construir um futuro educacional em que a IA valorize — e não enfraqueça — a presença do professor?
  67. O que perdemos quando seguimos o ritmo das máquinas, e não o dos humanos?
  68. Por que sentimos que estamos sempre atrasados quando o assunto é inovação?
  69. Como equilibrar o entusiasmo pela novidade com a responsabilidade de pensar suas consequências?
  70. Inovar rápido é sempre melhor?
  71. Como saber se estamos adotando uma tecnologia porque ela é útil ou apenas porque ela é nova?
  72. O que significa inovar com consciência num mundo onde tudo parece urgente?
  73. O que é mais difícil: aprender a usar uma nova ferramenta ou questionar se ela deveria ser usada?
  74. A quem mais interessa a inovação na educação?
  75. Como garantir que o pensamento crítico acompanhe a inovação?
  76. Como resistir à sensação de que estamos ficando para trás se não adotarmos tudo imediatamente?
  77. Podemos dizer “ainda não” a uma tecnologia sem sermos vistos como ultrapassados?
  78. Tecnologia é sinônimo de inovação?
  79. De que forma a lógica da aceleração impacta nossas decisões na educação?
  80. Quem são os excluídos quando a inovação avança rápido demais?
  81. Que perguntas precisamos fazer antes de desenvolver tecnologia para as escolas?
  82. Educação envolve afeto; inovação e afeto são conciliáveis?
  83. Eu sinto que vivo no tempo do algoritmo ou no meu?
  84. Que princípios devem guiar uma inovação pedagógica em tempos de IA?
  85. O que acontece quando a aparência de inovação esconde práticas antigas com nova embalagem?
  86. O que a experiência docente tem a ensinar à tecnologia que chega nas escolas?
  87. Por que às vezes sentimos que a inovação ignora o que já funciona bem na prática?
  88. Como valorizar o saber construído na sala de aula ao propor uma “solução” digital?
  89. A quem ouvimos quando decidimos inovar: os programadores ou os professores experientes?
  90. A experiência precisa de tempo para se formar — como isso dialoga com a urgência de inovar?
  91. Como inovar sem desrespeitar o tempo que cada pessoa precisa para aprender, testar e confiar?
  92. Estamos formando educadores para experimentarem ou para apenas implementarem o que vem pronto?
  93. A inovação que chega respeita o percurso de quem já vem construindo a educação?
  94. A tecnologia que adotamos considera a realidade e os sentimentos dos professores?
  95. Quais experiências estamos cultivando com a tecnologia — e quais estamos sufocando?
  96. O que acontece com o processo de aprendizagem quando a experiência humana é mediada por algoritmos?
  97. O que é mais transformador: uma nova ferramenta ou uma nova escuta da experiência coletiva?
  98. Como reconhecer e valorizar a experiência de professores que inovam sem precisar de tecnologia?
  99. O que torna uma inovação legítima aos olhos de quem vive a educação todos os dias?
  100. O que é inovar?

O trabalho docente e a inteligência artificial: entrelaçamentos possíveis e desafios latentes

Sugestões de links sobre o tema:

Interview with Neil Selwyn

When the prompting stops: exploring teachers’ work around the educational frailties of generative AI tools

The Political Economy of Datafication and Platformization: Digital Transformation in Higher Education

Referencial teórico da pesquisa

BANNELL, R. I. Uma faca de dois gumes/A double-edge sword. In: FERREIRA, Giselle M. S.; ROSADO, Luiz A. S.; CARVALHO, Jaciara S. (Org.) Educação e Tecnologia: abordagens críticas. Rio de Janeiro: SESES – Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá, 2017, p. 17-82.

BARBOSA, R. P.  e ALVES,  N. A Reforma do Ensino Médio e a Plataformização da Educação: expansão da privatização e padronização dos processos pedagógicos. Revista e-Curriculum, São Paulo, v. 21, p. 1-26, 2023

BOALER, J. Seeing is Achieving: the Importance of Fingers, Touch, and Visual Thinking to Mathematics Learners. In: Macrine, S. L. e Fugate J. M. B. (Edit.) Movement Matters – How Embodied Cognition Informs Teaching and Learning, pp. 121-130.

CELIK, I., MUUKKONEN, H. e JÄRVELÄ, S. The Promises and Challenges of Artificial Intelligence for Teachers: a Systematic Review of Research. TechTrends, v. 66:616–630, 2022.

HOLMES, W.; BIALIK, M.; FADEL, C. Artificial Intelligence in Education – Promises and Implications for Teaching and Learning. Boston: The Center for Curriculum Redesign, 2019.

KREMER, Bianca; NUNES, Pablo; LIMA, Thallita G. L. Racismo algorítmico [livro eletrônico]. Rio de Janeiro: CESeC, 2023. (Coleção Panorama). Disponível em:  https://www.academia.edu/114040800/Racismo_Algor%C3%ADtmico. Acesso em: 2 de março de 2025.

LEPORACE, C. Algoritmosfera – A cognição humana e a inteligência artificial. São Paulo: Hucitec, e Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2024.

OLIVEIRA, N.N. F. B. When home office is a privilege of servitude: towards a morphology of digital labor at the new artificial intelligence industry. Revista Eptic, v. 26, n.2, mai.-ago 2024.

SELWYN, N. The Social life of AI in Education. International Journal of Artificial Intelligence in Education. 34:97–104, 2024.

SELWYN, N. Should Robots Replace Teachers? AI and the future of education.

WILLIAMSON, B.; EYNON, R. Historical threads, missing links, and future directions in AI in education. Learning, Media and Technology, 45:3, 223- 235, 2020. DOI: 10.1080/17439884.2020.1798995

IA no ensino superior

Indicações de links e referências

Universidade de Aarhus sobre o uso de chatbots

Open Letter: Stop the Uncritical Adoption of AI Technologies in Academia (acadêmicos da Holanda)

Universidade Lusófona – Despacho conjunto no. 76 / 2023 https://www.ulusofona.pt/noticias/integridade-academica-uso-de-instrumentos-de-inteligencia-artificial

O papel da IA generativa na universidade – Faculdade de Engenharia Universidade do Porto

Artigos de Andy Clark sobre mentes estendidas e IA generativa – https://www.nature.com/articles/s41467-025-59906-9

https://link.springer.com/article/10.1007/s11229-025-05046-y

IA e criatividade – https://hbr.org/2023/07/how-generative-ai-can-augment-human-creativit

https://www.newyorker.com/magazine/2025/07/07/the-end-of-the-english-paper

More work for teacher? The ironies of GenAI as a labour-saving technology

Casos professores – Neil Selwyn

https://www.newyorker.com/magazine/2025/07/07/the-end-of-the-english-paper

Entrevista com Neil Selwyn – https://seer.ufrgs.br/index.php/rbpae/article/view/142046/95996

Digital Degrowth: Exploring Sustainable Technological Futures in Education (University of Denmark)

Ethical guidelines on the use of artificial intelligence and data in teaching and learning for educators

https://digital-strategy.ec.europa.eu/en/news/commission-launches-ai-tools-online-platform-researchers-and-industry

IA na Farmácia

https://www.linkedin.com/pulse/ferramentas-de-ia-usadas-para-predi%C3%A7%C3%A3o-novas-e-nascimento-neto-u06ne

https://agencia.fapesp.br/testes-em-animais-sao-reduzidos-com-novos-ensaios-in-vitro-e-simulacoes/20928

https://www.qualitor.com.br/blog/interna/impactos-da-inteligencia-artificial-na-industria-farmaceutica-uma-analise

Cientistas usam inteligência artificial para triar possíveis novos fármacos contra malária

PESQUISA – CAMILA LEPORACE

https://estudogeral.uc.pt/bitstream/10316/107249/1/Tese_Camila%20Leporace_FINAL.PDF

Cartas para a humanidade ler em 200 anos

CARTA 1

Carta para o Futuro da Humanidade
Escrita no planeta Terra, ano de 2025

Queridas e queridos habitantes do futuro,

Se esta mensagem atravessou dois séculos até vocês, é porque acreditamos profundamente que há algo em nós — humanos — que vale a pena preservar, proteger e celebrar.

Vivemos num tempo de profundas transformações. A inteligência artificial floresce e nos encanta com suas capacidades. Mas, entre algoritmos e dados, sabemos que há valores e experiências que nenhuma máquina poderá substituir.

Somos um grupo de pessoas que, em meio ao avanço da tecnologia, decidiu dedicar sua atenção àquilo que nos torna humanos — e que não pode, jamais, ser esquecido.

Preservem a empatia, essa rara habilidade de se colocar no lugar do outro. Valorizem o amor, não só o romântico, mas aquele que acolhe, cuida, perdoa e insiste. A amizade verdadeira, os abraços apertados, a curiosidade sem fim.

Guardem com carinho a capacidade de sentir saudade, de se comover com um pôr-do-sol, com uma canção, com um filme, com o cheiro da relva fresca, com o riso de uma criança, com o silêncio de uma despedida.

Respeitem a finitude da vida. E, por isso, vivam com sentido. Que o pensamento crítico, a ética, a criatividade e a capacidade de errar e aprender sigam pulsando em vocês como parte do que significa viver.

Não deixem morrer:

  • A emoção de beijar alguém pela primeira vez.
  • O susto bom de reencontrar quem se ama depois de um tempo.
  • A alegria de criar algo novo com as próprias mãos.
  • A paixão pela arte, pela dança, pela música, pelas histórias.
  • A coragem de chorar de tristeza ou de alegria, e de não esconder isso.
  • O poder de rir com amigos, de sentir nostalgia ao ouvir uma canção antiga.
  • O impulso de partilhar comida com quem precisa.
  • A ternura de cuidar de um animal, de uma criança, de um estranho.
  • A experiência transformadora de ouvir e ser ouvido.
  • O valor das conversas sob as estrelas, dos silêncios compartilhados, da saudade inexplicável.

Carreguem adiante a memória dos nossos erros e aprendizados. Da mãe que acolhe mesmo depois do tombo. Do professor que mudou uma vida com uma aula divertida. Do primeiro livro lido com esforço e encanto. Do amigo que partiu cedo demais. Do filho que nasceu e renovou o sentido da existência.

Lembrem-se: não somos perfeitos. Somos contraditórios, hesitantes, emocionais. Mas é justamente aí que reside nossa força.

Preservem isso. Honrem isso. Humanidade é isso.

Com ternura e esperança,
Nós, os guardiões da humanidade no tempo da virada.
Pesquisadoras e Pesquisadores do ano de 2025

CARTA 2

Prezados habitantes do futuro,

Nós, pesquisadores do passado distante – o vosso ano 2025 –, escrevemos-lhes com um misto de esperança e uma pontinha de inquietação. A Inteligência Artificial (IA) é, para nós, uma promessa deslumbrante, mas também um desafio. Vemos um futuro onde a IA pode transcender muitas das nossas limitações, mas tememos que, na busca por uma eficiência perfeita, as características que nos tornam intrinsecamente humanos se percam.

É por isso que esta carta é um lembrete, um apelo para que, daqui a 200 anos, vocês valorizem e preservem o que é verdadeiramente humano.

Onde a Essência Humana Reside


Acreditamos que a riqueza da humanidade reside na nossa vulnerabilidade e na nossa finitude. Sim, estas que podem parecer fraquezas, são na verdade as sementes da nossa compaixão, compreensão, tolerância e, acima de tudo, do amor. Lembrem-se que amar é um ato de entrega, de aceitação da imperfeição. É sentir saudade daqueles que se foram, como a dor de um amigo que partiu cedo demais, ou a ausência de um pai que nos ensinou a viver sem ele. É a emoção que nos inunda ao ver uma obra de arte que só conhecíamos em livros, ou a alegria de um abraço que nos faz sentir acolhidos quando mudamos de cidade.

Nós, humanos, somos feitos de emoção e sentimento. São as experiências pessoais que nos moldam, como a primeira vez que andamos de bicicleta, o cheiro da relva cortada de fresco, ou a conversa pela noite fora sob um manto de estrelas. É a expressão dessas emoções, seja chorar de alegria ou tristeza, rir junto com os amigos, ou o poder do toque que nos conecta uns aos outros. As nossas idiossincrasias e contradições, as nossas hesitações, até mesmo os nossos erros e defeitos, são o que nos tornam únicos e reais. A paixão e o medo coexistem em nós, impulsionando-nos e protegendo-nos.

A Força das Conexões Humanas


Cultivem a empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro. Lembrem-se de momentos como partilhar comida com alguém sem abrigo, ou a sensação de deslumbramento ao descobrir que é possível ter um minuto de beleza todos os dias. A lealdade, amizade e solidariedade são os pilares das nossas sociedades. É a preocupação genuína com o próximo, o cuidado com alguém que precisa, o sentido do amor que nos impulsiona a sermos melhores. A afabilidade e a tolerância são virtudes que constroem pontes, não muros.

Nós aprendemos e crescemos com as nossas falhas, como quando percebemos que os erros podem ser os maiores mestres. A vida nos ensina que nem tudo sai como queremos, e às vezes, os desafios são maiores do que imaginamos, como perder um jogo de basquete fácil. A resiliência humana reside na nossa capacidade de superar, de nos adaptar e de nos reinventarmos.

A Mente Humana: Criatividade e Pensamento Crítico


Valorizem a curiosidade, aquela que nos faz ler o primeiro livro sozinhos, que nos leva a querer conhecer mais sobre o mar, ou a viajar e aprender sobre novas culturas. A criatividade é a nossa capacidade de criar coisas novas, de dançar, de pintar, de nos maravilhar com o despertar da personalidade dos filhos. O pensamento crítico é essencial para a nossa evolução, a nossa capacidade de julgar, analisar e marcar diferenças, de ter uma opinião e pensar criticamente sobre o mundo. É a nossa cognição que nos permite raciocinar, mas é o afeto que nos dá propósito.

Que vocês nunca percam a capacidade de apreciar os outros, de sentir paixão pela vida, de ter sinceridade e honestidade nas vossas interações. Lembrem-se do quão importante é o compromisso e a partilha, o saber escutar e o dialogar.

Que vocês, no futuro, continuem a encontrar alegria em pequenas coisas, a rir alto com os amigos, a chorar de emoção com um filme. Que continuem a sentir ciúmes, porque até isso é um reflexo do nosso apego.

Não se esqueçam que a vida é um presente, e a saúde um privilégio. A maior das nossas memórias, seja uma viagem de infância a Évora ou o nascimento de um filho, é sempre acompanhada por uma trilha sonora de sentimentos.

Nós confiamos em vocês. Que a empatia, a solidariedade, o amor e a vulnerabilidade continuem a ser a vossa bússola.

Com esperança e fé na humanidade,

Os Pesquisadores do Ano 2025.

Referências – ENATIVISMO, AUTONOMIA E IA NA EDUCAÇÃO, PUC-Rio, 25 de março de 2025

Imagens utilizadas na apresentação, disponíveis no site do projeto Better Images of AI:

Hanna Barakat & Cambridge Diversity Fund / Better Images of AI / Shadow Work– Decrypting Bletchley Park’s Codebreakers / CC-BY 4.0

Hanna Barakat & Cambridge Diversity Fund / Better Images of AI / Turning Threads of Cognition / CC-BY 4.0

Shady Sharify / Better Images of AI / Who is AI Made Of / CC-BY 4.0

Referências Bibliográficas:

BANNELL, R. I. Uma faca de dois gumes/A double-edge sword. In: FERREIRA, Giselle M. S.; ROSADO, Luiz A. S.; CARVALHO, Jaciara S. (Org.) Educação e Tecnologia: abordagens críticas. Rio de Janeiro: SESES – Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá, 2017, p. 17-82.

BARBOSA, R. P.  e ALVES,  N. A Reforma do Ensino Médio e a Plataformização da Educação: expansão da privatização e padronização dos processos pedagógicos. Revista e-Curriculum, São Paulo, v. 21, p. 1-26, 2023

BOALER, J. Seeing is Achieving: the Importance of Fingers, Touch, and Visual Thinking to Mathematics Learners. In: Macrine, S. L. e Fugate J. M. B. (Edit.) Movement Matters – How Embodied Cognition Informs Teaching and Learning, pp. 121-130.

CELIK, I., MUUKKONEN, H. e JÄRVELÄ, S. The Promises and Challenges of Artificial Intelligence for Teachers: a Systematic Review of Research. TechTrends, v. 66:616–630, 2022.

DI PAOLO, E.; ROHDE, M.; DE JAEGHER, H. Horizons for the Enactive Mind: Values, Social Interaction, and Play. In: Enaction – Towards a New Paradigm in Cognitive Science. STEWART, J.; GAPENNE, O; DI PAOLO, E. London: The MIT Press, 2010.

_________. A Concepção Enativa da Vida. In: BANNELL, R. I.; MIZRAHI, M.; FERREIRA, G. (Orgs.) (Des)educando a educação: Mentes, Materialidades e Metáforas. Tradução de Camila De Paoli Leporace. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2021.

HOLMES, W.; BIALIK, M.; FADEL, C. Artificial Intelligence in Education – Promises and Implications for Teaching and Learning. Boston: The Center for Curriculum Redesign, 2019.

KREMER, Bianca; NUNES, Pablo; LIMA, Thallita G. L. Racismo algorítmico [livro eletrônico]. Rio de Janeiro: CESeC, 2023. (Coleção Panorama). Disponível em:  https://www.academia.edu/114040800/Racismo_Algor%C3%ADtmico. Acesso em: 2 de março de 2025.

LEPORACE, C. Algoritmosfera – A cognição humana e a inteligência artificial. São Paulo: Hucitec, e Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2024.

OLIVEIRA, N.N. F. B. When home office is a privilege of servitude: towards a morphology of digital labor at the new artificial intelligence industry. Revista Eptic, v. 26, n.2, mai.-ago 2024.

SELWYN, N. The Social life of AI in Education. International Journal of Artificial Intelligence in Education. 34:97–104, 2024.

Conteúdo e referências da live ‘Desafios e oportunidades da inteligência artificial na educação’, Unicarioca, 18 de junho de 2024

Slides da apresentação

Rever a palestra

Artigos e Livros

LEPORACE. Camila De Paoli ALGORITMOSFERA – A cognição humana e a inteligência artificial, São Paulo: Hucitec e Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2024.

LEPORACE. Camila De Paoli. Máquinas de ensinar analógicas: as precursoras da inteligência artificial na aprendizagem. Dossiê Especial 30 anos da Revista Comunicação e Educação da USP – “Do analógico à inteligência artificial: 30 anos de Comunicação & Educação” (Aceito para publicação; será publicado até 30 de junho de 2024)

LEPORACE, C. & GONDIN, V. C. Experimentar o mundo a partir do corpo: estética como uma dimensão da cognição humana. Educação On-Line, Rio de Janeiro, v. 16, n. 38, set-dez 2021, pp. 227-244.

FIGUEIREDO, L. de O., ZEM LOPES, A. M., VALIDORIO V. C., & MUSSIO, S. C. (2023). Desafios e impactos do uso da Inteligência Artificial na educação. Educação Online18(44), e18234408. https://doi.org/10.36556/eol.v18i44.1506

GONSALES, P. e KAUFMAN, D. IA NA EDUCAÇÃO: DA PROGRAMAÇÃO À ALFABETIZAÇÃO EM DADOS. ETD –   Educação Temática Digital. Campinas, SP. v.25, p. 1-22, 2023.

Links variados

Apple pede desculpas por comercial do iPad Pro

Uma interação com um chatbot é mesmo uma interação?

A robótica & os movimentos humanos: um paradoxo

Big Data na Educação: é preciso abrir essa caixa preta

Ninguém sabe o que fazer

Nem tudo é cérebro no reino da cognição…

O cérebro que prevê (The Predictive Brain)

Inteligência Artificial: uma face obscura

Imagem do post: Foto de Alexander SinnUnsplash

Conteúdo e referências da apresentação que fiz na UERJ , para o Cibercog, em 29 de abril de 2024

Obrigada a todos que estiveram presentes pelas trocas engrandecedoras 🙂

Indicação de livros

What Computers Can’t Do (Hubert Dreyfus)

Natural-Born Cyborgs (Andy Clark)

The Promise of Artificial Intelligence (Brian C. Smith)

Introdução às ideias de Dreyfus

Introdução à Fenomenologia com Hubert Dreyfus

O que os computadores continuam não conseguindo fazer, 50 anos depois

Os 4Es da Cognição

As novas abordagens de pesquisa sobre a cognição humana

Autonomia na Algoritmosfera

As ameaças à nossa autonomia quando lidamos com sistemas de machine learning

Links variados

Uma interação com um chatbot é mesmo uma interação?

A robótica & os movimentos humanos: um paradoxo

Big Data na Educação: é preciso abrir essa caixa preta

Ninguém sabe o que fazer

Nem tudo é cérebro no reino da cognição…

O cérebro que prevê (The Predictive Brain)

Inteligência Artificial: uma face obscura

Ainda há algumas (poucas) vagas para o curso sobre IA que darei na PUC-Rio (online). Saiba mais e se inscreva!

Ainda restam algumas vagas para o curso de extensão A inteligência Artificial e a Aprendizagem Humana: Novos Desafios e Caminhos, que darei junto ao professor Ralph Bannell, doutor em Pensamento Social e Político pela Universidade de Sussex, Inglaterra, pela PUC-Rio, e que começa dia 8 de maio.

Pensando em trazer uma oferta num horário bom para quem trabalha em horário comercial, o curso será às quartas, das 19h às 21h, e contará com discussões sobre a inteligência artificial, a mente e a cognição humana.

O legal desse enfoque é que você adquire um bom conhecimento para lidar com as novidades trazidas pela inteligência artificial não de uma forma ingênua, e nem acrítica, mas de uma maneira que você consegue assumir a liderança do processo. Inteligência artificial não é uma tendência, não é passageiro, não é moda, e também não é algo novo.

Claro que há novidades, pois sempre há inovações surgindo na área, mas o campo de pesquisa da IA existe desde a década de 1950. A história dele está entrelaçada com a história dos estudos sobre a mente humana. E é esse fio que o curso segue, para passar por temas como a aprendizagem humana e a aprendizagem de máquina, o corpo e as emoções nos processos de aprendizagem, as grandes questões estéticas e éticas envolvendo algoritmos, entre outros. Um curso muito útil e importante para professores, gestores escolares, profissionais em busca de compreender como lidar com a IA.

Esperamos vocês! Últimas vagas – INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES AQUI

Conteúdo extra – Palestra Colégio Euclides da Cunha, Rio de Janeiro

Obrigada a todos que estiveram presentes e, mais uma vez, ao colégio pelo convite 🙂

Regulamentação da IA no Brasil

[Ainda não existe algo específico para a educação, mas deixo aqui links gerais sobre o assunto, e recomendo a leitura do guia da Unesco para a IA generativa na educação, aqui, em inglês]

Proposta regulamenta utilização da inteligência artificial

Panorama regulatório de Inteligência Artificial no Brasil

Projeto de Lei 21/2020

Unesco lança guia para regulamentação do uso de inteligência artificial nas escolas

Somos todos ciborgues – Dissertação de Mestrado de Camila Leporace

Machine learning e a aprendizagem humana – Tese de Doutorado de Camila Leporace

Racismo algorítmico

O Panóptico – Monitor de novas tecnologias na segurança pública do Brasil

Nina da Hora sobre a não neutralidade da IA

Racismo algorítmico e o trabalho de pesquisadores da área para obterem conhecimento

Como uma cientista negra usa suas habilidades de hacker contra o racismo

Organizações e laboratórios de pesquisa

Educadigital – Priscila Gonsales

MediaLab (UFRJ)

CiberCog (UERJ)

Vídeos

Palestra minha para os pais e responsáveis do Colégio Ao Cubo (2023)
Live no canal Mentorizar, do professor Johnny Chaves
Participação no Painel E AGORA? da PUC-Rio (2020)