Vou participar do Ladies that UX dia 20 de agosto

Dia 20/8 estarei num papo online sobre UX – User Experience, tudo o que diz respeito a navegação pela web, conteúdo digital, acessibilidade etc. O encontro é promovido pelo Ladies That UX, Edição Rio de Janeiro.

A ideia é reunir e dar voz a mulheres da tecnologia, desta vez a edição é exclusiva do Rio de Janeiro. Fui convidada para falar de UX e IA, juntando a área com a qual trabalho há muitos anos com a que venho pesquisando mais recentemente.

O desafio é grande e estou animada. Será uma fala curtinha, porque várias outras ladies também vão falar de suas experiências incríveis, e haverá espaço para debate. Se tiver interesse, faça sua inscrição com antecedência neste link. Nos vemos lá!

Como a distância impacta a educação? E o que podemos fazer?

Quais as diferenças entre aprender/ensinar a distância e presencialmente? Do que sentimos falta quando estamos distantes, fisicamente, uns dos outros? A internet pode ser utilizada de maneiras diferentes, de modo a unir mais as pessoas envolvidas em processos de ensino-aprendizagem por elearning? Como reduzimos a frieza das máquinas e aproximamos mais as pessoas nesse cenário, aumentando a afetividade, o compartilhamento?

Essas questões serão debatidas em uma apresentação que farei online com o professor Eduardo Santos no dia 18, às 10h (Brasil), na Here and Now, uma conferência organizada pela Social Pedagogy Associaton.

As inscrições gratuitas podem ser feitas online pelo link https://lnkd.in/eJ9B-cX

Férias? Mas como é que se tira férias do doutorado?

Esta aí a pergunta que não quer calar: por que é tão difícil tirar FÉRIAS, desligar a cabeça um pouco, quando estamos envolvidos com uma pesquisa de doutorado (ou de mestrado)?

Acredito que a principal razão para essa dificuldade de parar quando estamos trabalhando em uma pesquisa se deve ao fato de que temos prazos e muita cobrança por produtividade, além de boletos e da vida que continua acontecendo e trazendo abacaxis novos para descascarmos todos os dias; mas, aprofundando um pouco mais essa análise, penso que há algo mais que muito nos desafia nessa etapa da vida.

Um trabalho de pesquisa a gente não desliga, não tem botão de off: você não tem como fechar a tela do seu computador e ir embora da pesquisa e reencontrá-la daqui a um dia, ou algumas semanas. A pesquisa mora em você. Você é a sua pesquisa e ela é você.

Não é como um trabalho “comum” em que é necessário usar um crachá; ou talvez o nosso crachá meio que esteja lá, pendurado, dia e noite. Se o trabalho de mestrando e doutorando não exige bater ponto, por outro lado quando abrimos os olhos de manhã pensamos na pesquisa e, ao dormir à noite, também! Na praia, pensamos na pesquisa. Na rua, conversando com as pessoas, pensamos na pesquisa. Vendo filmes às vezes pensamos na pesquisa. E não achamos tempo para ler romances. Como é que se desliga a cabeça, então?!

Bom, talvez nunca desliguemos. Quando o assunto da pesquisa nos instiga, nos interessa, ele passa a fazer parte de nós e não há como fechar a página (metaforicamente) e abri-la de novo no dia seguinte como se nada tivesse acontecido. Na verdade, o que acho que precisamos fazer é buscar uma relação saudável com o fato de que a pesquisa está enlaçada conosco. Isso é um fato, então, forçar o desligamento não dá certo…

O que significa buscar essa relação saudável? Bem, uma das coisas que precisamos fazer é nos dar as férias e momentos de descanso, quando percebermos que estamos precisando. E, nesses momentos, nos envolver em outras atividades, de preferência que exijam a nossa concentração e dedicação momentânea a algo totalmente diferente.

Por exemplo, tirei uma semaninha após quatro anos sem parar de trabalhar e fui para uma cidade de praia. Em vez de ficar só sentada torrando no sol, comecei a praticar standup paddle e me apaixonei! Enquanto estava lá, em cima da prancha, não pensava em mais nada, a não ser nas remadas que tinha que dar, no vento, na água, com foco total nas tartarugas que de vez em quando eu via no mar!

Mesmo que não seja possível viajar ou fazer algo diferente, até porque a grana do pesquisador é tão curta quanto o tempo, é importante se organizar para ter uma vida saudável, com horários, uma rotina, espaço para por os pensamentos em ordem e para respirar. Dificilmente quem vive outra(s) rotina(s) entende o que vivenciamos (o que traz vááários problemas de relacionamento etc), mas, de certo modo, é assim que gostamos de viver, geralmente temos esse perfil, então nos cabe desenhar a melhor estratégia para viver esta vida louca vida de pesquisador.

Até porque, a ideia é que ela comece no mestrado/doutorado, não termine aí… mesmo que o governo do Brasil queira dizer o contrário neste momento ;/

A foto do post é de um entardecer lindo que prestigiei em Búzios-RJ.

Terminei meu mestrado… e aqui estão algumas reflexões

Acabei de concluir meu mestrado em Educação, na PUC do Rio de Janeiro. Estive pensando em algumas coisas que acho que valem ser compartilhadas, sobre esses dois anos que me exigiram intensa dedicação e trouxeram muito aprendizado. Este post é para isso.

  1. Mestrado não é “bolinho”. Não é bolinho no sentido de ser fácil, e também não é bolinho no sentido de não ter uma receita de bolo única. Cada experiência de mestrado é uma, é única, e cada um vai buscar a experiência que melhor se relaciona com suas expectativas, desejos e realidades. Mas é importante saber que, para ser uma experiência bacana e valiosa, é fundamental se dedicar, estudar, ir atrás, e ter tempo para estudar. Não dá para fazer o mestrado nos espacinhos livres da agenda, estudar nas horas vagas. Ou melhor, até deve dar, mas eu não consigo ver esse “método” trazendo um resultado realmente satisfatório e significativo.
  2. O “encontro” com o orientador é essencial. Esta frase também tem pelo menos dois significados: o primeiro – é importante que orientador e orientando se deem bem, consigam trocar boas ideias, que o orientador entenda as expectativas do orientando com a pesquisa, e que o orientando ouça o orientador, esteja aberto a ele e à experiência que acumula. O segundo – que é essencial encontrar o orientador com frequência, compartilhar suas dúvidas, descobertas e o processo de construção do trabalho com ele.
  3. Ter colegas que te apoiam é essencial, também. O processo – de pesquisa, de interpretação de conceitos, de escrita – pode ser exaustivo, e por isso é importante compartilhar aflições com alguns amigos, de preferência que estejam passando pelo mesmo momento que você, fazendo um mestrado ou doutorado. Outros amigos poderão ser super ótimos em te apoiar, também, mas provavelmente será melhor tomar um chopp com eles do que falar sobre questões e dificuldades específicas do trabalho acadêmico, a não ser que eles também já tenham passado por isso.
  4. Sua família não vai te entender o tempo todo. É, quando você deixar de ir ao aniversário da sua prima porque tem que finalizar um artigo ou à festinha do seu sobrinho porque está estudando, nem todo mundo vai entender. Alguns parentes acharão que você exagera, estuda demais, e questionarão aonde isso vai te levar. Ninguém melhor que você para saber aonde quer chegar, e essa meta deve estar com você o tempo todo, para não te deixar desistir. E sim, nós abrimos mão de muitas coisas para estudar. Muitas vezes, estamos concentrados e nao queremos ser interrompidos; é bastante difícil para quem não está vivendo o mesmo entender isso! Mas, temos que insistir, explicar… e saber que mesmo assim haverá quem não compreende.
  5. Seu casamento ou namoro poderá entrar em crise. Este é um ponto bastante delicado e que merece atenção. Se você tem marido/esposa/companheiro/companheira ele/ela continuará esperando que você tenha um tempo para ele/ela durante o seu mestrado. E a gente tem que dar um jeito de ter esse tempo, o que não é sempre fácil. No meu caso, fiquei tão envolvida com minha pesquisa que muitas vezes não queria parar de ler ou escrever, o que me causou uma certa crise no meu relacionamento, mas ela foi contornada e passou, rs, ufa. Tive dificuldade em dividir meu tempo entre estudar, escrever e sair, estar com meu marido e com as pessoas em geral. Mas não me arrependo; precisei de tempo para dominar um pouco mais o assunto da minha dissertacão até me sentir mais confortável com ele (era um assunto totalmente novo para mim), e durante esse tempo me isolei legal, estudava muito, muito mesmo. E ele acabou entendendo também que valeu muito a pena.
  6. É preciso se preparar financeiramente. Bom, mestrado consome muito tempo. Então, se você trabalha por conta própria, talvez tenha que reduzir seu ritmo para dar conta de estudar, o que poderá impactar também em uma redução de ganhos. Se você tirar licença não-remunerada, precisará se programar para os gastos que terá naquele período. O mesmo vale caso vá ficar sem trabalhar para se dedicar ao mestrado. É preciso ter em mente que as contas não param de chegar, mas também reservar uma graninha para livros (no meu caso, os livros que usei eram caros e vieram todos do exterior, e meu orientador me ajudou demais com isso, me emprestando vários; colegas do grupo de pesquisa também), idas a eventos para apresentar trabalhos etc. Bolsas ajudam demais, demais mesmo e sou grata à que tive, da CAPES; sem ela não teria conseguido. O problema é que as bolsas aqui no Brasil não dão conta de pagar as despesas totais de quem mora em cidades como o Rio de Janeiro…
  7.  É preciso cuidar para não engordar. Quase todos os meus amigos que fizeram mestrado e doutorado engordaram bastante no período em que estavam estudando, justamente por ficarem muito tempo sentados, o que, relatam, os fazia beliscar toda hora. Eu não tenho o hábito de beliscar e sou bem chata com minha alimentação, o que pode ter me ajudado a manter o peso durante o processo. Também aprendi a fazer almoços saudáveis hiper rápidos, por pura necessidade; não que eu não goste de cozinhar, mas ter que cozinhar seu almoço todos os dias, obrigatoriamente, pode ser um bocado maçante. Aí você acaba recorrendo ao macarrão, a alguma besteira.. e engorda. Então, achei muito bom aprender a fazer comidas rápidas e que ajudavam na dieta. Manter uma rotina mínima de exercícios também ajudou, claro. Lembre-se também de beber água, bastante água.
  8. Não podemos nos afastar de nosso trabalho por muito tempo. Uma coisa que achei fundamental durante o processo de escrita da dissertação foi isso: eu não podia me afastar do texto por mais de dois dias, caso contrário quando retornasse demorava a me reconectar com o trabalho e perdia muito tempo nisso. Às vezes a gente se afasta não por procrastinação, mas porque tem outros afazeres (e eu não tenho filhos; admiro demais quem os tem e ainda assim consegue estudar!). Então, acho que vale a dica de não deixar de olhar para a dissertação um pouquinho todo dia; pode ser um pouquinho só mesmo, mas acho que vale muito não deixar de fazer isso para não perder a conexão com o trabalho. Eu também procurava ler algo relacionado à pesquisa todo dia, mesmo que fosse final de semana e coisas do tipo.
  9. Temos que nos afastar do nosso trabalho às vezes. Isso também é verdade: saber a hora de descansar, deixando o trabalho de lado um pouco, para quando voltar a ele estar com a cabeça fresca e conseguir sair-se bem, render bem. Você saberá a hora de descansar, o importante é respeitá-la.
  10. O trabalho estará sempre com a gente. Estou passando este carnaval depois de ter defendido, e me lembrando o tempo todo de todos os feriados que passei com mil leituras na cabeça, escrevendo, estudando etc; mesmo quando não estava fazendo nada disso, eu estava escrevendo e estudando mentalmente. O trabalho nunca sai da gente; minha terapeuta compara o processo de produção de uma dissertação ou tese com uma gestação: enquanto estamos com o trabalho “na barriga”, onde quer que vamos e o que quer que fazemos estamos com o trabalho junto da gente!
  11. Valorize o que você fez. Cuidado com as crises do tipo “putz, meu trabalho não tá bom, que porcaria” etc. Em pessoas ansiosas, é comum às vésperas de uma entrega de trabalho começar a achar que ele está ruim, péssimo etc. Cuidado. Você se dedicou, e sabe que se dedicou? Então, confie nisso. E tenha em mente que não existe dissertação nem tese perfeita, existe dissertação e tese defendida! Li isso em algum post do incrível blog da professora Karina Kuschnir, se não conhece visite-o: https://karinakuschnir.wordpress.com/
  12. Se estiver ficando ansioso/a ou estressado/a demais, procure ajuda. É muito comum estudantes de pós-graduação passarem por grandes problemas psicológicos, e é preciso estar atento a isso e acender a luz amarela quando a coisa complicar. Procurar terapia, aceitar que precisa de ajuda é essencial para a sua saúde mental. Cuide-se, em todos os sentidos. Conheça-se: autoconhecimento é tudo nesta vida. Precisamos dele para nos entender melhor, para saber quando estamos bem e quando não estamos. Mas precisamos também não ser orgulhosos demais a ponto de não pedir ajuda quando ela é imprescindível!
  13. Aproveite o processo. Mesmo que eu tenha passado por momentos em que pensei em desistir, momentos em que ainda não sabia bem qual pesquisa faria, momentos de aflição, de cansaço etc, posso dizer que meu mestrado foi muito prazeroso. Foram dois anos excelente da minha vida, em que aprendi muito, convivi com excelentes colegas, cresci pessoal e profissionalmente, ganhei amigos muito bacanas e me realizei de maneiras diferentes, muito bacanas. Creio que pode ser um período muito rico, até mesmo porque experiência boa não é aquela que é tranquila e positiva o tempo todo, mas aquela em que vamos superando obstáculos, crescendo junto com o desenrolar da história… pelo menos é nisso que acredito.

Vida, ciência, tecnologia: seleção de reportagens e artigos

Vejo tanto conteúdo bacana sobre inteligência artificial, tecnologia & seus impactos, vida digital & sociedade, robótica e afins, que vou tentar manter aqui no blog um espaço para seleções (ainda não sei se semanais, mensais ou de acordo com minha disponibilidade…) de artigos e matérias voltados para o tema; assim, eu não perco os links que tanto me interessaram e ao mesmo tempo os compartilho com os amigos leitores também conectados com esse universo. Importante destacar que não necessariamente concordo com tudo (provavelmente não!), mas pretendo trazer opiniões e pontos de vista diversos, para justamente formarmos um debate. É nisso que acredito, afinal.

O reconhecimento facial abre caminho para o pesadelo de George Orwell

Tudo tem, pelo menos, dois lados. Esse artigo da seção de Inteligência Artificial do El País, na verdade uma subseção da editoria de Tecnologia do veículo, mostra como podem ser os desdobramentos advindos da tecnologia de reconhecimento facial, uma vertente da I.A. bastante promissora e que não se limita à ficção faz tempo.

CEOs should do these three things to help their workforce fully embrace AI

Este é um conteúdo patrocinado pela Accenture, publicado no site Quartz; recomendo, portanto, que seja lido criticamente, uma vez que se uma empresa bancou um conteúdo sobre o tema… ao menos devemos ser analíticos ao ver os pontos destacados, certo? Considero alguns deles bem interessantes, como o fato de que o impacto maior das máquinas no mercado de trabalho não ser provavelmente tanto na quantidade de empregos, mas no conteúdo das funções realizadas.

O que é futurismo?

Você sabe o que ;é? O termo me chamou a atenção quando trabalhei no Museu do Amanhã, onde volta e meia ouvia alguém mencioná-lo. Esse artigo do Draft, de agosto do ano passado, ajuda a entender.

A.I. Is Doing Legal Work. But It Won’t Replace Lawyers, Yet 

O artigo não é novo, foi publicado há quase um ano, mas eu só o descobri esta semana graças a um post de uma amiga no LinkedIn. Trata de como a I.A. (ao menos ainda) não vai substituir o trabalho dos advogados, mas por enquanto poderá fornecer recursos para que suas rotinas se tornam mais rápidas e eles possam focar em trabalhos mais profundos, e necessários. A reportagem menciona este artigo: Can Robots Be Lawyers? Computers, Lawyers, and the Practice of Law, de Dana Remus e Frank Levy.

O impacto do ensino da arte (ou da falta dele) na percepção do mundo

Neste artigo, também não recente – publicado no site Fronteiras em 2015 – Camille Paglia fala sobre como faz falta o ensino da arte, que segundo ela seria um importante contraponto para a sociedade essencialmente digital em que vivemos.

Imagem do post Clem Onojeghuo @ Unsplash

 

 

English for Children!

Estou a mil e, como sempre, envolvida com muitos projetos e ideias. Desta vez, está para sair do forno um projeto meu voltado para o ensino de inglês de crianças, e gostaria da ajuda de vocês para uma pesquisa rápida. Fiz um questionário para entender melhor a demanda relacionada ao ensino de inglês para crianças. Quem puder responder e enviar a amigos para que respondam também, agradeço demais!

O questionário está disponível aqui neste link.

Desde já agradeço muito!

Imagem: Pixabay

 

O que eu diria a um estudante de Jornalismo

Os sites que anunciam vagas estão explodindo de oportunidades para estagiários de Jornalismo. Mas empregos para formados, experientes, estão cada vez mais escassos. Penso: “Que os estudantes não se enganem achando que o mercado está super aquecido”. Mas esse meu pensamento não significa desânimo ou que eu desencorajaria alguém que está na faculdade de Comunicação, hoje. Muito pelo contrário.

Scarlett Johansson em “Scoop”​

Eu só diria para ter atenção.

Para ser antenado, mas não decorando nomes de presidentes, ministros, governadores; não apenas sabendo a localização geográfica de cada país; não somente mandando bem no entendimento de crises econômicas e políticas. Diria para terem atenção ao mundo, num sentido mais amplo. Para ficarem de ouvidos e olhos bem abertos para tudo o que acontece, mesmo que esses “acontecimentos” não sejam considerados “notícias” como o “velho” jornalismo consideraria.

Diria que o que é notícia, aliás, pode estar mudando, junto com a profissão e com os trabalhos protagonizados por jornalistas. E lembraria que vale questionar o que seria notícia e o que não seria, hoje. Diria que o papel do jornalismo, e do jornalista, está se transformando, assim como o mundo em que vivemos – e que, então, é preciso preparar a prancha para surfar nessas ondas. Aprender a nadar, encher-se de coragem e ir ver o que é que há. Como um bom repórter, farejar as transformações, pensar sobre o futuro, e, acima de tudo, topar ser mais o que pergunta do que o que responde.

Se bem que isso não é novidade no papel fundamental de um jornalista. Talvez se o jornalismo tivesse continuado a fazer mais perguntas, empenhando-se em levantar questionamentos de qualidade, a profissão tivesse tomado um rumo diferente. Mas cabe a cada um de nós refletir. E resgatar as boas perguntas. E entender que quando elas são respondidas aparecem outras, e outras, e outras.

Isso me lembra que eu também recomendaria ao futuro jornalista que tivesse humildade.

Como o papel dos professores, por exemplo, o nosso está mudando, também. Antes emissor praticamente único de informação, o jornalista passou a dividir a função de informar com todas as pessoas nas redes sociais, em blogs, sites, em canais “não-profissionais”. Nas escolas, algo semelhante acontece com o professor, que de emissor inquestionável da informação passa a mediador, assumindo um papel mais horizontal em uma nova sala de aula em que os alunos também têm voz – e as discussões acontecem a partir de muitas, inúmeras fontes de informação.

Uma boa faculdade de Comunicação, como a que eu fiz, tem muito a acrescentar. Mas não se pode esperar sair dela para, enfim, entender o mundo e procurar seu lugar ao sol. Tudo se transforma a cada momento. E nós somos essa transformação.

Portanto, acompanhe isso. Seja parte disso.

Também diria aos estudantes: flexibilidade é palavra de ordem. Adaptação, também. Se você não gosta de mudanças, faça só uma, definitiva: pule fora da faculdade de Comunicação agora. Mas aí eu repensaria, e diria também: “Se bem que, em qualquer área profissional que você escolha, será necessário ser flexível e ter disposição para mudar”.

E agora uma coisa bem pragmática: se ainda há dúvidas, “mídias digitais” não são uma “área de atuação”. Não existe “gosto/não gosto de mídias digitais” ou “prefiro jornalismo esportivo do que trabalhar com digital”. Uma coisa não exclui a outra. Ou melhor, trabalhar com mídias digitais e não trabalhar com jornalismo esportivo pode acontecer, claro, mas trabalhar com jornalismo esportivo sem trabalhar com mídias digitais vai ser bem difícil. Se não gosta de mídias digitais, vou de novo recomendar que mude então agora. Mas para um outro planeta… pois aqui, como sabemos, elas estão para ficar!

Os empregos e os bichinhos de pelúcia da máquina

A temida máquina de bichinhos e sua garra. Foto: Google Images

Uma das minhas maiores frustrações na vida é nunca ter conseguido pegar um bichinho de pelúcia, nunca um sequer, numa máquina de brinquedos do tipo dessa aí da foto. Quando fui para Amsterdã, gastei muitas (não vou revelar quantas, tenho vergonha) moedas de um euro tentando pegar um Minion numa máquina num parque a céu aberto, achando que por estar na Europa de férias estaria imbuída de uma espécie de poder mágico que iria, finalmente, quebrar o feitiço e me deixar ter a alegria de capturar um bichinho.

Mas nem lá eu consegui.

E por que estou aqui falando de máquinas de bichinhos que mais parecem, ao menos para mim, máquinas de tortura? Porque, brincadeiras à parte, até hoje todas as vezes em que me propus a procurar um “emprego”, usando essa palavra e derivados, eu me senti assim, tentando pescar um brinquedo numa caixa transparente dessas. E aí quis compartilhar com vocês que cada vez menos gosto da palavra “emprego”, provavelmente porque esse é o sentido que ela me traz. Vivemos tempos turbulentos e empregos (e bichinhos de máquina) estão escassos, mas o fato é que essa palavra me incomoda e sempre incomodou, mesmo antes dessa crise em que muitos a minha volta estão sem um… trabalho.

E o que é emprego? E o que é trabalho?

Isso, vamos falar em trabalho. Eu proponho isso, simplesmente porque as relações de TRABALHO estão mudando; o emprego, uma delas, está deixando de ser a única para muita gente e vemos tantos exemplos de gente bacana empreendendo, reaprendendo, estudando, se reinventando, se virando, até do avesso. É desses exemplos que penso que temos que tirar forças quando o barco balança como tem feito. Não acredito, mesmo que quiçá sob o protesto de muitos, que a melhor forma de conseguir trabalho é bradando aos quatro ventos: “Preciso de um emprego!”

Até porque, na verdade, a gente não precisa de um. A gente precisa de dinheiro, para pagar contas, e o emprego é uma forma possível de conseguir isso, mas não a única. A gente precisa de mais coisas, também. Que tal a satisfação de realizar algo? De fazer algo que gostamos de fazer, e em que acreditamos? Consegui isso quando parei de pensar em emprego e pensei em trabalho. Sob pressão, conseguir pensar assim não é nada fácil. A vida manda sobreviver e a gente quer viver.

Que pressão.

Tenho pensado muito em como vivemos uma era de transição, e em como estamos sendo cobaias nisso. Mas também tenho pensado que, como é essa a maré e não tem outra agora, é nela que temos que navegar, tomando as rédeas, assumindo o leme. E não há mal nenhum em tentar surfar, já que as ondas estão aí, gigantes. Acho que parar de pensar em emprego e pensar em trabalho (e naquilo de que realmente precisamos: realização…) é uma boa forma de começar a surfar.

Um exemplo de como o trabalho pode acabar atraindo um emprego, ou mais trabalho e algum dinheiro, é que uma vez me candidatei a ser voluntária numa empresa e, quando me procuraram, tinha certeza de que seria proposto para mim um trabalho sem retorno financeiro. Mas, para a minha surpresa, eles queriam me pagar para fazer o que eu tinha me voluntariado para fazer. E eu, claro, achei ótimo, pois precisava trabalhar, precisava do dinheiro, apesar de ter topado até mesmo fazer sem que ele viesse, ao menos de início. E como eu consegui uma coisa dessas?

Certamente foi tentando.

Bom, eu tentei a sorte, acreditei mais em mim um bocadinho, escrevi um e-mail para uma pessoa que eu não conhecia me apresentando, enfim. Outra maneira de surfar as ondas deste oceano revolto: ousar. Ousei, e ousaria dizer que algumas das velhas regras de “etiqueta” da busca por trabalho (insisto nesta palavra) estão antiquadas.

Vale ser mais cara de pau agora? Eu acho que sim. Mais criativo? Não tenho dúvida. Afinal, o que se tem a perder se já perdemos tanta coisa? Claro, existe bom senso para tudo. Mas me parece que o momento pede um pouco mais de destemor e desembaraço. É preciso brilhar em meio a muitas pessoas, todas basicamente na mesma luta. O que traz mais duas necessidades: de solidariedade e a de colaboração. Mas essas eu acho que são bem-vindas sempre.

O pior medo é o de mudar… o que já não está bom

Já estive desempregada, mas, sem trabalho, foram raras as vezes. Aprendi que, em tempos de desemprego – e sempre, na verdade – trabalhar é ótimo. Ainda que seja para si mesmo, estudando, aprendendo um idioma novo; num café do amigo, servindo cookies e frapês; como voluntário; freelando, mesmo que ganhando pouco; investindo em algo que pode demorar a gerar frutos, enfim. É difícil lutar contra o desânimo que um momento complicado traz, mas será que não é mais difícil ainda deixar que o ócio mal aproveitado se aproprie dos nossos cérebros tão ricos?

O importante é, com o perdão da brincadeira porque ninguém é de ferro, diante das dificuldades não se sentir como eu me sinto em relação a esses bichinhos de máquina. Ou seja, totalmente impotente! Entendo a necessidade de “pescar bichinhos” que todos nós temos. Mas me parece bom pensar também em como criar as nossas próprias “máquinas de bichinhos”, em como fazer para ser as garras e não depender delas, ou até deixar de querer (ou de ser?) bichinhos um dia, porque teremos algo ainda maior e melhor. E não há nada de mau nisso.

Até porque, em tempo: empregos já tive muitos, mas bichinhos de máquina, até hoje, nenhum.

English Spoken! – Dicas para praticar inglês

Nas conversas com amigos, o tema tem vindo à tona: “Poxa, inglês é sempre exigido em vagas de emprego, mesmo para aquelas que nem são para cargos tão altos”. Pois é. O inglês é algo que todos nós temos que saber. Muitas vezes, o nível “instrumental” acaba servindo para o dia-a-dia. Mas, quanto melhor soubermos, melhor para nós.

Sempre fui apaixonada pela língua inglesa e, por conta disso, estudar inglês sempre foi natural para mim. Sou muito curiosa com o idioma. Comecei a estudar aos oito anos de idade e não parei mais, pois mesmo depois de terminar o curso do BRASAS continuei ouvindo, lendo, escrevendo e me atualizando, para evitar a perda da fluência e porque gosto.

Recentemente, descobri algumas ferramentas online que quis compartilhar por aqui, pois vivo recomendando para as pessoas que conheço, e as considero excelentes para ajudar a melhorar a pronúncia, aguçar os ouvidos e ampliar o vocabulário. Há também dicas para se preparar para provas e para dar aulas em inglês. Estão listadas abaixo, junto com outras dicas que me vieram à cabeça e não são necessariamente ferramentas online. Se tiverem outras, I appreciate se puderem postar nos comentários 😉 Também conheço excelentes professores de inglês, posso indicar para quem entrar em contato por mensagem.

1. FutureLearn

O site FutureLearn tem cursos gratuitos excelentes. Bem-estruturados, interessantes, com navegação intuitiva, são ministrados por diversos parceiros diferentes. Para o aprimoramento da língua inglesa, há uma série de cursos como “English for the Workplace” e o curioso “Exploring English: Shakespeare”, do British Council; um curso da University of Reading de redação de textos acadêmicos para iniciantes; cursos para quem dá aulas em inglês, como este de Cambridge voltado para professores de matérias como Matemática, História ou Ciências. Há diversos outros, basta fazer uma busca por ENGLISH ou usar este link aqui para acessar a busca que fiz.

2. Aplicativo BBC English Listening

Esse app disponível para Android ou iOS é ótimo para apurar os ouvidos, com destaque para o entendimento do inglês britânico. Oferece diálogos de seis minutos entre uma dupla, que fala rápido, como numa conversa real, mas com algumas inserções sobre vocabulário em que os participantes param para explicar sobre alguns vocábulos mencionados. Geralmente, os temas são leves e atuais, o que torna agradável ouvir os diálogos e não deixa essa atividade ficar maçante. Eu costumo ouvir no ônibus, na rua, na praia, enquanto cozinho em casa, enfim, em qualquer lugar ou situação.

3. Aplicativo Duolingo

O aplicativo, também em versões Android ou iOS, oferece cursos de inglês gratuitos, em pílulas diárias de 5 a 20 minutos, que são como metas que você estabelece para si mesmo e pode ajustar quando quiser. Tem teste de nivelamento para quem quiser começar a usar.

4. Livros para ouvir

Se você vai ler um livro e ele foi escrito originalmente em inglês, por que não se aventurar a ler a obra em sua língua mãe? Melhor ainda se puder fazer isso com livros digitais. Um e-book comprado para o Kindle, por exemplo, pode ser lido e ouvido ao mesmo tempo. Basta, para isso, você baixar o app do Kindle para o seu celular (Android ou iOS). Os livros que você comprou estarão lá, e os que tiverem áudio você poderá ouvir enquanto lê. Maravilha para a prática do idioma. Quando não puder ler e ouvir ao mesmo tempo, você pode também só ouvir o livro, onde quer que esteja.

5. O hábito de ter o inglês como idioma primário em tudo

Bom, esta não é exatamente uma ferramenta, é uma dica, e na verdade tem gente que sei que não vai gostar dela. Mas o fato é que tenho o hábito de deixar tudo meu – programas de computador, Netflix, e-mail, qualquer ferramenta online – com o idioma inglês como default. Não deixa de ser mais uma ajudinha, pois mantém a gente em contato com o inglês mais ainda do que já rola no nosso dia-a-dia tão influenciado por países em que a língua é nativa.

6. O hábito de falar com todo mundo

Sou aquela que não pode ver um gringo que puxa conversa só para treinar o inglês. Informações na rua? É comigo mesmo. Brincadeiras à parte, considero a vergonha a pior inimiga da prática do idioma. Liberte-se. Fale com quem você tiver a oportunidade de falar. Ouça com atenção, esforce-se em fazer o seu melhor para responder. Que mal há em errar? Melhor do que ficar calado e não aprender nada. E, além disso, todo mundo comete erros.

7. A série The Crown

É claro que assistir filmes em inglês em geral, ainda mais sem legendas ou com legendas em inglês, ajuda a treinar o idioma, aumentar o vocabulário e conhecer expressões idiomáticas. Mas, já que vamos fazer isso, sugiro fortemente a série The Crown (A Rainha), disponível no Netflix. Porque é maravilhosa e tem mil oportunidades de praticar o inglês com o sotaque bonito dos britânicos, sejam os da realeza ou súditos!

8. Os artigos do New York Times, BBC, qualquer site de notícias originalmente escrito em inglês

Ler notícias em inglês é bacana porque você acaba lendo sobre coisas sobre as quais já sabe algo, se você for minimamente bem-informado! Assim, com o contexto já conhecido, pode ficar mais tranquilo seguir adiante nas leituras e ampliar o vocabulário sem ter que parar para verificar o significado das palavras toda hora (tem gente que acha isso bem chato). Além de notícias, é claro que qualquer site de assuntos que interessem a gente pode ser legal para treinar, conhecer histórias bacanas e aprender novas palavras.